Paraná após as urnas: força da direita e novos desafios para 2027
Resultado de 4 de outubro redesenha o cenário político do Estado, mas composição do Legislativo exigirá negociação do futuro governo
As eleições de 4 de outubro redesenharam o mapa político do Paraná. Sergio Moro (PL) foi eleito governador no primeiro turno, com 50,10% dos votos válidos. No Senado, Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) conquistaram as duas vagas em disputa. Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa também terão forte presença de partidos de direita e centro-direita, embora a oposição de esquerda continue representada.
O resultado aponta para um governo com uma base política potencialmente favorável, mas não significa apoio automático no Legislativo. A partir de 2027, Moro terá de transformar a força eleitoral em maioria parlamentar, por meio de negociações com diferentes partidos e bancadas.
Assembleia terá PL e PSD no centro das decisões
A nova Assembleia Legislativa terá PL e PSD como maiores bancadas, com 14 deputados cada. O PT terá oito cadeiras, o PP seis, enquanto Podemos, Novo e Republicanos terão três cada. MDB ficará com dois representantes e PDT com um.
Os números colocam os partidos de direita e centro-direita em posição de destaque, mas também mostram que o governo não terá uma Assembleia formada por uma única força política. Questões específicas poderão exigir acordos com diferentes bancadas.
A Casa terá ainda uma renovação significativa: dos 54 deputados eleitos, 23 são novos e 31 foram reeleitos. A mudança, portanto, não será apenas partidária, mas também de nomes e trajetórias políticas.
O PT, com oito cadeiras, continuará tendo espaço para fazer oposição, apresentar propostas e fiscalizar o Executivo, embora esteja distante de uma maioria.
Senado terá duas novas cadeiras alinhadas à direita
Filipe Barros obteve 27,25% dos votos válidos e Deltan Dallagnol, 25,14%. Os dois passam a integrar, em princípio, a representação paranaense no Senado a partir de 2027.
O resultado aproxima politicamente as duas cadeiras do governador eleito, especialmente em pautas nacionais. Moro, Barros e Dallagnol pertencem a partidos diferentes, porém ocupam posições próximas em diversos temas.
Isso não significa, contudo, que o Senado paranaense funcionará como uma extensão do governo estadual. Os senadores atuam em uma arena nacional e estão sujeitos às orientações partidárias e às negociações próprias do Congresso.
Situação de Dallagnol ainda é uma incógnita
A eleição de Dallagnol ainda pode ter desdobramentos jurídicos. O registro de candidatura foi questionado em razão da decisão que cassou seu mandato de deputado federal em 2023. Durante a campanha, o TSE chegou a suspender o acesso do candidato ao fundo eleitoral e à propaganda eleitoral gratuita.
Posteriormente, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná aprovou a candidatura por 4 votos a 3, mas o caso permaneceu sujeito à análise do TSE.
Por isso, o resultado das urnas não encerra necessariamente a disputa. Caso o registro seja definitivamente indeferido e os votos sejam considerados inválidos, poderá ser necessária uma nova definição para a vaga, inclusive por meio de eleição suplementar.
Essa possibilidade, entretanto, depende do desfecho judicial e não deve ser tratada como fato consumado.
Câmara terá força da direita, mas sem hegemonia
Na Câmara dos Deputados, o Paraná terá 30 representantes. PL e PT elegeram cinco deputados cada. Novo, PSD e PP ficaram com quatro cadeiras cada; União e Republicanos, com duas; e MDB e PV, com uma cada.
O resultado confirma a força eleitoral da direita e da centro-direita, mas também revela uma bancada fragmentada.
Essa composição será importante para os interesses do Paraná em Brasília. Deputados federais terão papel nas discussões sobre infraestrutura, investimentos, emendas parlamentares e programas federais. A capacidade de articulação da bancada poderá ser tão importante quanto seu tamanho.
Segundo turno presidencial acrescenta outra variável
Apesar de o Paraná já ter definido seu governador, a eleição presidencial ainda terá segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcado para 25 de outubro.
O resultado nacional poderá influenciar a relação política entre Paraná e Brasília.
Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro criaria maior proximidade partidária entre o governo federal e o Palácio Iguaçu. Moro, Filipe Barros e parte expressiva das bancadas paranaenses estariam politicamente próximos do novo governo federal.
Essa convergência, porém, não garantiria automaticamente mais recursos ou investimentos. Obras, programas e transferências dependem de orçamento, legislação e negociações institucionais.
Se Lula for reeleito, o cenário será diferente: o Paraná terá um governador do PL diante de um presidente do PT. A diferença partidária poderá aumentar a necessidade de negociação política, mas não significa necessariamente confronto. Estados e União precisam manter relações institucionais em áreas como saúde, educação, segurança e infraestrutura.
O desafio será transformar votos em governabilidade
O resultado de 4 de outubro mostra um Paraná com forte presença eleitoral da direita, mas também com um sistema político fragmentado.
O PL conquistou o governo estadual, uma vaga no Senado, cinco cadeiras na Câmara e 14 na Assembleia. O Novo terá um senador e quatro deputados federais. Ao mesmo tempo, PT, PSD e PP mantêm bancadas relevantes.
A principal questão para os próximos anos será saber como essa força eleitoral será convertida em governabilidade.
Sergio Moro começa o mandato com um cenário favorável em parte do Legislativo, mas governar exigirá mais do que vencer uma eleição. A partir de 2027, será necessário negociar orçamento, projetos, prioridades administrativas e acordos políticos.
Duas variáveis ainda permanecem abertas: o desfecho jurídico da candidatura de Deltan Dallagnol e o resultado do segundo turno presidencial.
O Paraná chega, assim, a uma nova etapa política com governo definido, Senado inclinado à direita, PL e PSD como maiores forças na Assembleia e uma bancada federal diversificada. O próximo capítulo dependerá menos das urnas e mais da capacidade de transformar esse novo mapa político em acordos, decisões e resultados concretos.
