Três anos após privatização, Copel enfrenta críticas por falhas no atendimento e fornecimento de energia
Consumidores relatam demora na solução de problemas, vereador cobra explicações da companhia e fios soltos seguem preocupando moradores de Mandaguari.
Há três anos, em agosto de 2023, a Companhia Paranaense de Energia (Copel) era privatizada, por meio de uma oferta de ações na B3, transformando a companhia em uma corporação de capital disperso e reduzindo a participação do Estado do Paraná. A operação movimentou R$ 5,2 bilhões.
No ano seguinte, a Copel apresentou um crescimento expressivo de 20,3% a mais de lucro líquido em relação a 2023. Para a diretoria e para os novos acionistas, o salto foi prova de que a privatização havia atingido seu objetivo, fortalecer a empresa no mercado e garantir maior retorno aos investidores.
Com o passar do tempo, um dos pontos mais notados pós-privatização foi a qualidade dos serviços prestados à população. Levantamento feito mostrou que o tempo médio de atendimento subiu.
O número de ocorrências emergenciais com interrupção de energia elétrica também aumentou. Para os consumidores, isso se traduziu em mais tempo sem energia e em maior demora nas respostas das equipes técnicas.
Enquanto o balanço financeiro brilhava, a experiência cotidiana era de frustração. Em muitas regiões do Paraná, multiplicaram-se relatos de demora em consertos, sobrecarga nos call centers e dificuldades para falar com atendentes humanos.
Em Mandaguari por exemplo, as quedas de energia passaram a ser constantes, em grupos de mensagens é comum ver consumidores reclamando que estão sem energia ou com quedas constantes.
O Jornal Agora conversou com dois consumidores que relataram descaso e demora para solucionar problemas relacionados ao fornecimento de energia elétrica em suas residências.
No primeiro caso um morador da região central de Mandaguari, relatou que ficou quase cinco dias sem energia elétrica. Segundo ele, após um princípio de incêndio atingir o relógio de medição da residência, ele fez diversos contatos com a Copel.
De acordo com o relato, equipes da concessionária estiveram no imóvel e realizaram uma tentativa de reparo, mas a fiação voltou a derreter logo após o religamento da energia. Os técnicos informaram que seria necessária a substituição do relógio, porém o serviço não foi executado. O morador afirma que a família enfrentou dificuldades, com alimentos perdidos devido à falta de refrigeração e transtornos causados pela ausência de energia, internet e comunicação.
Ainda segundo o morador, ele procurou o escritório da Copel em busca de informações e foi informado de que uma equipe teria comparecido à residência, mas encontrou o portão fechado. No entanto, ele afirma que na agência da Copel, foi informado que essa visita teria ocorrido por volta das 3 horas da madrugada, horário em que não foi possível atender os técnicos.
O caso só foi resolvido após o consumidor informar se o caso não fosse resolvido imediatamente chamaria a imprensa para denunciar o descaso da companhia.
Situação semelhante vivida por uma família do Jardim Morumbi, que relatou que durante uma sexta-feira à noite teve um pico de energia em sua residência. Ele conta que logo pela manhã do sábado percebeu que não tinha energia em casa. Em contato com os com os vizinhos ficou constato que somente no seu imóvel não tinha o fornecimento de energia elétrica.
Diante da situação ele registrou o primeiro protocolo às 07h20, nos canais da Copel. Ainda segundo ele, “Nessa mesma manhã chamei dois profissionais para verificar se realmente não era nada em casa pois uma tomada ainda funcionava, e os dois identificaram que o problema era na transmissão da energia para meu relógio de energia, logo liguei novamente para a Copel explicando isso, e abri meu segundo protocolo”.
O morador ainda relata que tem duas crianças pequenas em casa, e que enfrentou muitos contratempos durante todo sábado por conta da falta de energia, principalmente no sábado, dia que muitas famílias fazem faxina e o volume de roupas para lavar é maior. E segundo ele, sem nenhum retorno da Companhia.
Em seu relato ele contou que os colaboradores terceirizado pararam o carro em frente de sua casa por volta das 17h30, não desceram e nem se quer me perguntaram, e em seguida o protocolo foi encerrado, “As 18h27 abri um novo protocolo na Copel, expliquei o ocorrido e nada. Todos sem tomar banho, tive que ir a familiares, fora o desconforto, pois hoje tudo depende de eletricidade, internet, televisão, fogão, forno, panela, chuveiro, tudo depende, e ficamos sem. Fora a geladeira que alimentos estragaram por conta de mais de 12 horas sem energia”.
No domingo, uma nova tentativa de contato com a Copel foi realizada. Nesse novo contato ele fala que chegou a falar que estava pegando fogo na rede para ver se tinha algum tipo de resposta, e segundo ele sem sucesso. “Estava tendo uma manutenção programada por prestadores de serviços terceirizado da Copel, fui e pedi por favor se eles poderiam me ajudar e eles muito solícitos foram lá e em 10 minutos identificaram um componente queimado na rede de responsabilidade da Copel. E eles conseguiram ajudar e resolveram o problema”.
Vereador cobra explicações da Copel após reclamações sobre quedas de energia em Mandaguari
O vereador de Mandaguari Eron Barbiero criticou a Copel durante a sessão da Câmara Municipal ao abordar as frequentes reclamações da população sobre falhas no fornecimento de energia elétrica no município.
Em contato com a reportagem, o parlamentar informou que encaminhou um ofício à companhia solicitando esclarecimentos sobre os problemas registrados nos últimos meses. No documento, Eron destaca que as constantes interrupções no fornecimento de energia têm causado transtornos aos moradores e, em diversos casos, prejuízos financeiros.
Outro ponto levantado pelo vereador é a dificuldade enfrentada pelos consumidores para entrar em contato diretamente com a Copel. Segundo o ofício, o escritório da empresa em Mandaguari não recebe esse tipo de demanda presencialmente, orientando os usuários a utilizarem apenas canais eletrônicos, que, em muitos casos, oferecem respostas automatizadas e dificultam o atendimento por um funcionário.
No documento, Eron Barbiero solicita que a Copel esclareça os motivos das frequentes quedas de energia, informe quais medidas estão sendo adotadas para melhorar a estabilidade do fornecimento no município e indique quais canais de atendimento direto estão disponíveis à população para registro de ocorrências e reclamações.
Até o momento, a Copel não havia se manifestado sobre os questionamentos apresentados pelo vereador.
Fios soltos seguem preocupando moradores e aumentam pressão por fiscalização em Mandaguari
Os fios soltos em postes de Mandaguari continuam sendo alvo de reclamações da população e motivo de preocupação por causa dos riscos à segurança. O problema é registrado tanto na região central quanto nos bairros, onde cabos de telefonia e internet permanecem pendurados ou caídos sobre as vias, comprometendo a paisagem urbana e aumentando o risco de acidentes.
Ao longo dos últimos anos, o Jornal Agora/Portal Agora tem publicado reportagens alertando sobre a situação, que segue sem uma solução definitiva. Na maioria dos casos, os cabos pertencem a empresas de telefonia e internet e permanecem sem uso. Embora essas empresas sejam responsáveis pela manutenção e retirada da fiação desativada, cabe à Copel fiscalizar o compartilhamento dos postes e cobrar a regularização quando forem identificadas irregularidades.
A situação se agravou em 2023, após a substituição dos anteparos dos postes realizada pela Copel. A mudança deixou diversos cabos de telecomunicações soltos pelas ruas, aumentando o número de ocorrências. Em um dos casos registrados, uma adolescente chegou a ser arrastada por um caminhão após o veículo enroscar em um dos fios que atravessava a via.
