Mais concorrência e novos investimentos movimentam o setor de supermercados em Mandaguari
Expansão do setor acompanha mudanças no perfil de consumo, gera novos investimentos e amplia a disputa pelo mercado local
O setor de supermercados de Mandaguari atravessa um período de mudanças que já começa a alterar a paisagem comercial do município. Em um intervalo relativamente curto, empresas que já atuam na cidade anunciaram ampliações e mudanças em suas estruturas, enquanto novos investimentos passaram a fazer parte do cenário.
Atualmente, Mandaguari conta com estabelecimentos como Verona, Camilo e Amigão. Nos últimos meses, porém, o setor ganhou novos capítulos. O Bem Bom, do grupo Bom Dia, está chegando ao município; o antigo Canção passou por uma ampla reforma e foi repaginado; o Camilo está em processo de ampliação e o Verona iniciou as obras do Box Atacadista, ampliando sua atuação para o segmento atacadista.
Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Meio Ambiente e Turismo, Fagner Paulo da Silva, a movimentação é positiva e demonstra que o município possui capacidade para receber empreendimentos de maior porte. Segundo ele, empresas desse segmento realizam estudos antes de decidir onde investir, levando em consideração fatores como população, renda, consumo e concorrência. “A presença de empresas grandes, de empresas maiores, chegando em Mandaguari é muito positivo. E principalmente nessa parte supermercadista”, afirma.
Na avaliação do secretário, a chegada das redes também demonstra que existe capacidade de consumo no município. “Eles entendem que Mandaguari consegue suportar o empreendimento deles e vai ter o retorno esperado”, explica.
Localização e economia diversificada
Um dos fatores apontados por Fagner para explicar o interesse de empresas de maior porte é a localização de Mandaguari. O município está próximo de centros como Maringá, Apucarana, Arapongas e Londrina, além de possuir ligação com importantes eixos rodoviários que conectam a região à capital e ao Porto de Paranaguá. “Nós temos uma localização muito estratégica. Nós ficamos próximo a Maringá, nós ficamos próximo a Arapongas, Apucarana, Londrina, que são municípios maiores. Nós temos uma principal ligação com o porto, com a capital paranaense. Então, tem toda uma parte logística também”, destaca.
A economia diversificada também aparece como um dos elementos que contribuem para esse cenário. Mandaguari possui uma presença industrial consolidada, além de comércio e serviços que movimentam diferentes áreas da economia. Para Fagner, essa característica reduz a dependência de um único segmento.
Outro ponto destacado é que Mandaguari não atende somente aos moradores do próprio município. A cidade recebe trabalhadores de municípios da região e também consumidores que circulam pelo comércio local.
Concorrência já provoca mudanças
O avanço dos novos investimentos não ocorre de forma isolada. Os supermercados que já estavam instalados em Mandaguari também passaram a movimentar suas estruturas. O Amigão foi reformulado, o Camilo está ampliando suas instalações e o Verona iniciou a construção do Box Atacadista.
Na avaliação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, essas mudanças já demonstram um efeito provocado pelo aumento da concorrência. “Dentro dos que já estão estabelecidos, houve ampliação de um, o outro fez uma boa reforma, mudou a sua estrutura interna de forma a atender novos mercados, modificar ali também o seu mix de produtos”, observa Fagner.
O secretário também chama atenção para a disputa por trabalhadores. Com mais empresas competindo pela mão de obra, os estabelecimentos passam a precisar oferecer condições mais atrativas para contratar e manter funcionários.
Segundo Fagner, o impacto não se restringe aos empregos diretamente gerados pelos supermercados. A instalação e expansão de uma unidade movimenta fornecedores, transportadores, prestadores de serviços, profissionais de manutenção, segurança e alimentação. “Um mercado movimenta fornecedor, transportador, prestador de serviço, manutenção, profissionais da área de manutenção, alimentação, segurança. Então, é uma cadeia muito grande”, resume.
Outro reflexo esperado é sobre os preços. Com mais empresas disputando consumidores, aumenta a pressão por preços competitivos e diferentes estratégias para conquistar e manter clientes. “Nós esperamos que com novas empresas vindo para o município, os preços também caiam nas gôndolas, porque vai ter o efeito concorrência”, afirma.
Espaço para grandes, médios e pequenos
Com a chegada de novos empreendimentos e a expansão dos atuais, surge a discussão sobre a capacidade de Mandaguari de sustentar todos esses estabelecimentos. Para Fagner, os próprios investimentos indicam que as empresas identificaram potencial de mercado. “Quem são os seus concorrentes, a população, a renda, o que sustenta a cidade na parte econômica. É normal que uma empresa faça isso para vir instalar um empreendimento do porte que estão instalando em Mandaguari”, explica.
O crescimento urbano também pode ampliar a demanda. Segundo o secretário, existem novos loteamentos em processo de viabilização, além de investimentos relacionados à construção civil e à habitação popular. Esse movimento pode contribuir para o crescimento da população e do mercado consumidor. “A tendência é de crescimento da população. Crescendo a população, vai conseguir atender toda essa cadeia”, afirma.
Ao mesmo tempo, Fagner destaca que a expansão das grandes redes não significa necessariamente o fim dos mercados menores e de bairro. Para ele, diferentes perfis de consumidores continuarão existindo. “Nós temos aqueles que gostam de fazer suas compras no mercado de bairro. Eles já têm o costume de anos. Sempre haverá demanda dos mercados de bairro também”, pontua.
Nesse cenário, a diferenciação pode ser uma alternativa para os pequenos e médios estabelecimentos. Em vez de disputar diretamente com as grandes redes apenas pelo preço, eles podem apostar em produtos, serviços ou experiências específicas. “Aqueles que inovarem, trazerem coisas diferentes, não importa o local. Acho que se foi aquele tempo que se baseava apenas no centro de Mandaguari. Hoje nós temos bairros bem estruturados”, avalia.
Um novo perfil de consumo
A movimentação do setor também acompanha mudanças no comportamento dos consumidores. Na avaliação da Secretaria, o perfil de consumo de Mandaguari se transformou ao longo dos últimos anos, acompanhado pelo fortalecimento da atividade industrial e pelas mudanças no mercado de trabalho.
Fagner observa que empresas passaram a oferecer melhores condições para conseguir contratar profissionais, aumentando o poder de compra de parte das famílias, mesmo diante do aumento do custo de vida. “Nós temos um perfil hoje de cidade empreendedora, de cidade industrializada. E essas pessoas, elas querem qualidade, elas querem novas experiências. Eles não querem ficar apenas no que viviam a dez, vinte, trinta anos atrás”, afirma.
Para o secretário, a ampliação da oferta também pode fazer com que parte dos consumidores deixe de procurar determinados produtos ou experiências em outras cidades. “Essa atração de novos investimentos vai aumentar o consumo aqui no nosso município, porque ele vai ter aquilo que hoje a população tem que buscar fora”, avalia.
Investimento e novas oportunidades
Apesar da movimentação atual, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico afirma que não há, neste momento, outros investimentos supermercadistas formalizados além daqueles já em construção ou implantação. O município, porém, acompanha pesquisas e movimentações de mercado. “Pesquisa de mercado é constante. Aqui, como Secretaria de Desenvolvimento Econômico, acaba passando muito desses assuntos, sempre primeiro por pesquisa, por entendimento, por conhecimento e vai amadurecendo a ideia”, explica.
Para Fagner, o atual movimento representa uma mudança importante na atração de investimentos para Mandaguari. “Investimento hoje a gente entende como um sinal de confiança em Mandaguari, pela economia que aqui temos, pelas empresas já consolidadas”, afirma.
O secretário ressalta, porém, que desenvolvimento econômico não deve significar apenas a chegada de grandes empresas, mas a criação de condições para diferentes negócios crescerem. “O desenvolvimento econômico não é apenas escolher entre grandes e pequenos, é criar um ambiente para que todos possam crescer”, destaca.
A expectativa, portanto, é que a nova configuração do setor supermercadista produza efeitos que ultrapassem as gôndolas. Mais empregos, circulação de renda, movimentação de fornecedores e maior variedade de produtos estão entre os impactos apontados pela Secretaria. “O objetivo não é apenas trazer empresa, mas é que o investimento possa se transformar realmente em emprego, renda e oportunidade para os mandaguarienses”, conclui Fagner.
A reportagem entrou em contato com os supermercados citados para que também pudessem apresentar suas perspectivas sobre o atual momento do setor e os investimentos realizados ou previstos. As empresas, no entanto, optaram por não se manifestar.
