Amigos da Comunidade: quem cuida da cidade sem esperar nada em troca
Conheça a história de Isabel Bredariol e Pedro de Oliveira, que dedicam seu tempo à limpeza voluntária das ruas da vizinhança
Em meio à rotina acelerada da cidade, há quem dedique tempo e esforço para cuidar do espaço coletivo sem esperar nada em troca. São atitudes discretas, que muitas vezes passam desapercebidas, mas que fazem diferença no dia a dia da comunidade. É com esse propósito que nasce a série Amigos da Comunidade, que destaca histórias de moradores que contribuem, de forma voluntária, para o bem-estar coletivo.
Nesta primeira reportagem, duas trajetórias chamam a atenção pela dedicação e pelo exemplo.
Isabel Cristina Bredariol
Aos 63 anos, Isabel Cristina Bredariol mantém uma rotina intensa de cuidado com as ruas próximas de sua casa. Há mais de 20 anos, ela sai diariamente para recolher lixo descartado de forma irregular, além de varrer calçadas e vias do bairro.
O trabalho começa cedo. Por volta das 6h, Isabel percorre a região recolhendo garrafas, cacos de vidro e outros resíduos, separando materiais recicláveis para facilitar o trabalho de quem depende dessa atividade. À tarde, retorna às ruas com a vassoura e segue até o início da noite.
A dedicação é diária, de segunda a domingo, sem interrupções. Mesmo sem qualquer remuneração, chegou a arcar com custos elevados para manter o trabalho, com a compra de vassouras e sacos de lixo.
Além da ação prática, Isabel também reforça a importância da conscientização. Segundo ela, ainda há muito descarte irregular de resíduos, principalmente no início do dia. “A mensagem que eu deixo é que a população possa cuidar mais do meio ambiente, evitar jogar lixos em lugares errados e cuidar de Mandaguari”, finalizou Isabel.
Pedro de Oliveira Leigo
Outra história que chama atenção é a do aposentado Pedro de Oliveira Leigo, de 84 anos. Morador da mesma residência localizada na Rua Rufino Maciel, há 37 anos, ele mantém até hoje o hábito de cuidar não apenas da própria casa, mas também das áreas ao redor, mesmo tendo apenas um braço funcional desde a infância.
Segundo a esposa, Nair Alves de Oliveira Leigo, de 82 anos, a limitação nunca foi impedimento para o trabalho. Ela relata que, desde jovem, Pedro sempre foi independente e acostumado ao trabalho pesado no campo.
Mesmo com o passar dos anos, ele segue ativo. Diariamente, varre a rua em frente de casa e se estende para trechos vizinhos, além de já ter realizado a limpeza de terrenos próximos. “Eu varro todo dia, deixo limpo mesmo”, afirma.
De acordo com Nair, o marido chegou a limpar um terreno vizinho que estava com mato alto. Pedro afirma que realiza o trabalho por satisfação pessoal e por se sentir bem com a atividade.
A atividade também funciona como forma de manter o corpo em movimento. De acordo com a família, o trabalho vai além da necessidade e se tornou parte da rotina.
Aprendizado
Histórias como as de Isabel e Pedro mostram que o senso de comunidade se constrói no cotidiano. São atitudes simples que ajudam a transformar o ambiente e reforçam valores como cuidado coletivo, responsabilidade e cidadania.
