Polícia do Paraná contratou ferramenta usada por Abin para monitoramento

O governo do Paraná contratou uma ferramenta israelense em 2019. Essa ferramenta foi usada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) de forma ilegal para rastrear jornalistas, políticos e pessoas do Poder Judiciário, segundo a Polícia Federal.

A empresa que fornece a tecnologia, desenvolvida pela israelense Cognyte, foi o foco principal da operação Última Milha, deflagrada na semana passada pela Polícia Federal, que apura justamente o uso indevido de sistema de geolocalização de dispositivos móveis, de celular, sem a devida autorização judicial por servidores da Abin. Agentes da PF cumpriram dois mandados de busca — em Curitiba e Maringá — cujos alvos seriam residências de familiares de dois servidores da Abin — nada, portanto, a ver com o contrato firmado no Paraná.

Essa tecnologia é usada para monitorar dispositivos móveis, como celulares, de forma remota e instantânea. Ela tem capacidade de rastrear até 10 mil celulares. A PF investigaestá preocupada com a possibilidade de servidores da Abin terem usado essa tecnologia sem autorização judicial.

O Portal da Transparência do Governo do Paraná mostra o contrato assinado em 3 de dezembro de 2019 pelo então secretário Romulo Marinho, que é coronel do Exército, e hoje é assessor da Casa Civil. Pelo contrato, a ferramenta seria utilizada por um ano. Não tem no portal, porém, qualquer informação sobre o pagamento anual dos R$ 6,2 milhões previstos no contrato para uso do software. Obviamente, que a simples contratação da tecnologia não implica em qualquer atividade ilícita pelas forças de segurança do Estado.

a Polícia Civil informou que a instituição que a ferramenta tecnológica é utilizada por forças policiais do mundo inteiro, colocando o Paraná na vanguarda da segurança pública. A utilização da ferramenta sempre se deu com observância das normas legais. A construção de uma segurança pública de primeiro mundo é alicerçada na existência de uma polícia moderna, profissional e bem equipada.