Família Rossetto amplia reconhecimento do café de Mandaguari e disputa título nacional

Após vencer a etapa regional do Concurso NossoCafé Yara, produtores investem em torrefação própria, comercialização direta e turismo rural para agregar valor à produção.

A trajetória da família Rossetto, de Mandaguari, mostra como a busca pela qualidade pode transformar a atividade de pequenos produtores de café. Após conquistar o título nacional do concurso promovido pela Yara em 2017 e ficar com o segundo lugar em 2018, a família voltou a se destacar em 2026, ao vencer a etapa regional que reúne produtores do Paraná e do sul de São Paulo. Com o resultado, garantiu vaga na disputa nacional, ao lado de representantes de outras regiões cafeeiras do país.

Em entrevista à rádio Agora FM (87,7), José Carlos Rosseto e Fernando Rossetto explicaram que a família inicialmente hesitou em participar da competição, criada em 2017, por considerar que produtores de menor porte teriam dificuldades para competir com cafeicultores de regiões tradicionais, como Minas Gerais e São Paulo. A insistência dos organizadores, porém, levou ao envio de uma amostra, que acabou conquistando o primeiro lugar logo na estreia.

Em 2018, a família voltou à final e terminou na segunda colocação, por uma diferença pequena na pontuação. A experiência ajudou a ampliar a visibilidade do café produzido no Paraná e abriu novas oportunidades comerciais.

Qualidade é o principal critério

O Concurso NossoCafé Yara avalia características específicas da bebida, seguindo critérios técnicos de qualidade. Segundo Fernando, os cafés precisam alcançar pelo menos 80 pontos para entrar na avaliação, enquanto notas a partir de 84 pontos indicam um patamar competitivo entre os melhores exemplares.

A análise considera aspectos sensoriais e a presença de defeitos que possam comprometer a bebida. A classificação exige que o café apresente características adequadas e qualidade compatível com a categoria especial.

Na edição de 2026, a etapa regional reuniu mais de 50 amostras de produtores do Paraná e do sul de São Paulo. Ao vencer essa fase, a família Rossetto garantiu uma vaga entre os finalistas da competição nacional, que reúne representantes de diferentes regiões produtoras.

Da produção à torrefação própria

A conquista de 2017 marcou uma mudança na forma de trabalhar da família. Até então, a atividade estava concentrada no cultivo e na venda dos grãos. Com o reconhecimento, cafeterias e consumidores de outras regiões passaram a procurar o café produzido em Mandaguari.

A família decidiu investir na torrefação artesanal e na criação de uma marca própria, passando a atuar também nas etapas de processamento e comercialização. Atualmente, os cafés são fornecidos a cafeterias de diferentes estados brasileiros, do Rio Grande do Sul ao Nordeste.

Para Fernando, essa mudança permite agregar valor ao produto e ampliar a participação do produtor no resultado final. Em vez de vender apenas o grão, o cafeicultor passa a oferecer um produto beneficiado, torrado e pronto para chegar ao consumidor.

Na avaliação dele, esse caminho também pode ajudar outros pequenos produtores a melhorar a renda e a permanecer na atividade. Fernando estima que cerca de dez a 15 cafeicultores de Mandaguari já tenham começado a torrar e comercializar a própria produção.

Mercado de cafés especiais em expansão

Durante a entrevista, Fernando destacou o crescimento do consumo de cafés especiais no Brasil. Segundo a estimativa apresentada por ele, esse segmento representava cerca de 5% do consumo nacional em 2017 e hoje se aproxima de 20%.

A valorização de cafés diferenciados abre espaço para produtores que investem em qualidade, rastreabilidade e venda direta. O objetivo, conforme explicou, é ampliar o mercado sem depender exclusivamente da comercialização de grãos para intermediários.

A família também mantém uma relação de parceria com o Sebrae, que, segundo José Carlos, contribuiu para orientar o desenvolvimento do negócio e identificar novas oportunidades.

Turismo rural e reconhecimento de Mandaguari

Outra frente de trabalho é a visitação à propriedade rural. A família passou a receber pessoas interessadas em conhecer o cultivo, os processos de produção e a origem do café que consomem.

Para Fernando, o turismo rural representa uma possibilidade adicional de renda e aproxima o consumidor do trabalho realizado no campo. Ele avalia que a experiência também ajuda a valorizar a produção local e a mostrar como o café é cultivado e preparado.

A Indicação Geográfica (IG) do Café de Mandaguari também foi citada como um fator importante para ampliar o reconhecimento da região. O selo ajuda a identificar a origem do produto e a destacar suas características, oferecendo ao consumidor informações sobre procedência e produção.

A família informou ainda que amostras de cafés de produtores ligados à região estão sendo encaminhadas à Alemanha por meio da associação responsável pela Indicação Geográfica. A iniciativa abre a possibilidade de apresentar a produção local a compradores e consumidores estrangeiros.

Para os Rossetto, a combinação entre qualidade, processamento próprio, comercialização e turismo rural demonstra que pequenas propriedades podem desenvolver negócios sustentáveis sem perder o caráter familiar. A disputa nacional do concurso representa mais uma oportunidade de ampliar a visibilidade do café de Mandaguari.