Marialva: Rota Caminhos da Uva fortalece turismo e proporciona conhecimento cultural

Com o apoio do IDR-Paraná e da Prefeitura de Marialva, a Rota Caminhos da Uva transforma propriedades familiares em destinos para o turismo local.

O monumento de um cacho de uva com 20 metros de altura na entrada de Marialva não é apenas um marco geográfico, é o símbolo de uma identidade que pulsa dentro do município. Conhecida nacionalmente como a “Capital da Uva Fina”, Marialva vive hoje um novo capítulo de sua história econômica e social. Através da Rota Caminhos da Uva, a cidade deixou de ser apenas um polo de escoamento agrícola para se tornar uma referência em turismo de experiência no Paraná.

A iniciativa, fruto de uma proposta estratégica do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e do Governo do Estado, em parceria com a Prefeitura Municipal, tem redesenhado a paisagem rural. O que antes eram propriedades voltadas exclusivamente ao cultivo, hoje são espaços de acolhimento que recebem visitantes de todo o estado e do país, em busca de um contato genuíno com o campo.

O Nascimento de uma Proposta Coletiva

O projeto não surgiu ao acaso. Ele é o resultado de uma visão que percebeu o potencial latente nos parreirais e na hospitalidade do produtor marialvense. De acordo com Ailton Rojas Poppi, técnico do IDR de Marialva, a ideia partiu de uma necessidade institucional de agregar valor à produção. “A ideia de criar a Rota Caminhos da Uva partiu de uma proposta da instituição, do IDR e do governo do estado. Nós começamos a convidar os produtores, a selecionar essas propriedades que tinham potencial. A partir disso, outros produtores da vizinhança começaram a se interessar.”

Essa união entre o conhecimento técnico e a vontade do produtor de agricultor é o que sustenta a rota. Em Marialva, essa ligação é amplificada por uma parceria com a administração pública, como destaca Poppi, garantindo que o turismo rural seja tratado como uma política de desenvolvimento regional séria e estruturada.

O preparo do produtor

Para integrar o roteiro oficial, não basta apenas ter uma bela plantação. Existe um rigoroso processo de preparação técnica e segurança que o IDR e a prefeitura coordenam. O produtor interessado deve procurar as instituições para realizar um cadastro e receber uma visita técnica minuciosa. “A gente faz um cadastro, faz uma visita e começa a mostrar para o produtor quais as estruturas que ele tem que ter nessa propriedade”, comenta.

Entre as exigências básicas estão a facilidade de acesso à propriedade, a eliminação de riscos (como poços abertos ou buracos) e a instalação de infraestrutura mínima, como banheiros acessíveis.

Após essa etapa diagnóstica, entra em cena a capacitação. Através de convênios com o Senar, o Sebrae e a Secretaria de Turismo, os agricultores recebem treinamentos que vão desde o atendimento ao cliente até a gestão do negócio turístico.

Mapa Digital

 Um dos grandes diferenciais da Rota Caminhos da Uva é a autonomia proporcionada ao visitante. Através de um sistema de QR Code e um mapa digital interativo, o turista tem na palma da mão o guia completo das propriedades participantes. “O visitante, através do QR Code, tem as propriedades marcadas, ele acessa a propriedade para o produtor e ele agenda a visita”, completa Poppi.

O sistema permite que o visitante explore o roteiro de acordo com seu interesse e tempo disponível. Essa facilidade tecnológica remove barreiras e convida o morador de cidades vizinhas, como Maringá e Londrina, a fazer passeios rápidos de um dia ou finais de semana prolongados na região.

Uma rota além das uvas

Embora a uva seja a protagonista, a rota em Marialva é um mosaico de cores e sabores. A diversidade é um dos pontos altos destacados por Ailton Rojas Poppi, que ressalta as diversas vertentes que o turista pode encontrar:

A Cultura do Vinho e dos Sucos A viticultura marialvense é explorada de forma completa. Na Cooperativa Coaviti, o visitante conhece a cantina de sucos, enquanto em locais como a Chácara Monarin – Vinícola e Produtos D’Anna, o foco está na tradição da vinificação artesanal. A Anfrut também compõe este cenário, trazendo a força da produção local.

Experiência do “Colhe e Pague” Nada substitui a sensação de colher o próprio alimento. O modelo “Colhe e Pague” é um sucesso absoluto, especialmente para famílias. Viticultores como Nelson Inumaru, a Chácara Castelari e o Recanto da Uva Fina, abrem seus parreirais para que o público escolha os cachos mais bonitos diretamente da videira, promovendo uma conexão física com a terra.

Flores e Ornamentais Surpreendentemente, Marialva também se destaca na produção de plantas. A rota inclui a ML Suculentas – New Garden, especializada em cactos e mini cactos, além de Anderson Couto Flores e a famosa Yassunaka Orquídeas. Essa variedade garante que o roteiro seja atrativo durante todo o ano, independentemente da safra da uva.

Café rural e Gastronomia afetiva A pausa para o café é sagrada e o Bendito Café Rural e o Café Rural Cantinho Natureza oferecem a experiência do café colonial, com bolos, pães e geleias produzidas no local. Outros nomes como Casa da Roça, Sítio de Jullo, Chácara Raízes da Uva e o Recanto 376 completam a oferta gastronômica e de lazer.

Turismo Pedagógico: Aula a céu aberto Talvez um dos projetos mais nobres dentro da rota seja o turismo rural pedagógico, exemplificado pelo Recanto Tamura. “É uma propriedade que atende especificamente colégios”, conta Ailton. “Lá, a criança tem uma aula de matemática, biologia ou história a céu aberto. Ela aprende sobre o ciclo do morango, da goiaba e da uva, entendendo de onde vem a comida que chega à mesa dela”. Essa iniciativa ajuda a formar uma nova geração que valoriza a agricultura e preserva a história local.

Lazer e contato com a natureza Para quem busca descanso ou atividades como a pesca, o Recanto das Águas – Pesqueiro oferece estrutura para o lazer familiar. E para os mais aventureiros que desejam pernoitar no campo, a Estância Estrela Yudis – Adventure proporciona opções de hospedagem em meio à natureza.

Impacto e futuro

Ao final de um dia percorrendo a rota, o que o visitante leva para casa vai muito além de caixas de uvas ou garrafas de vinho. Ele leva consigo a história de resiliência de um povo que soube se adaptar aos novos tempos sem perder a essência.

Marialva demonstra que o segredo do sucesso no turismo rural não está apenas em belas paisagens, mas na organização, no suporte técnico do IDR-Paraná e na hospitalidade genuína de quem acorda cedo para cuidar da terra. A Rota Caminhos da Uva é, acima de tudo, uma celebração da vida, do trabalho e da generosidade de Marialva em compartilhar suas riquezas com o mundo.

Como bem resume Ailton Rojas Poppi, o projeto é feito de parcerias e vontade. O convite está feito: basta escanear o código, escolher o destino e deixar-se encantar pelos caminhos que transformaram a uva no coração de uma região inteira.