Amigos da Comunidade: plantio voluntário de árvores tem o objetivo de levar memórias para gerações futuras

João Flávio Borba realiza, de forma voluntária, o plantio de árvores em diferentes pontos da região, inspirado pela relação com o campo e pela preocupação com a preservação ambiental

Em meio a estradas rurais, capelas e fundos de vale, pequenas mudas vêm sendo plantadas com uma intenção que vai além do presente. O agrônomo João Flávio Borba, natural de Mandaguari e morador de Marialva, dedica parte do tempo ao plantio voluntário de árvores.

João é oriundo da região da Estrada Vitória do Alegre e conta que a ligação com o campo esteve presente desde a escolha pela Agronomia. Depois da graduação, conheceu a agroecologia e passou a buscar formas de conciliar produção e preservação. “Eu já tinha uma espécie de convicção, uma vontade de realizar alguma coisa que era ligada à minha origem”, conta.

A ideia ganhou força há cerca de sete anos, quando João conheceu o programa nacional “Plantar Árvores e Produzir Alimentos Saudáveis”. Nas andanças pela região, passou a observar espaços que poderiam receber novas árvores e, quando conseguia mudas, fazia os plantios.

Plantar onde houver espaço para a natureza

Capelas rurais, praças, fundos de vale e nascentes estão entre os locais escolhidos. Em Mandaguari, a atuação ocorre principalmente na zona rural, com plantios em capelas e outros pontos.

No Dia do Meio Ambiente deste ano, ele transplantou uma árvore que seria cortada para uma área próxima à nascente do Parque da Pedreira. “Eu não planto para mim, eu planto imaginando para o futuro, quem é que vai poder contemplar ou vai se utilizar daquele ambiente restaurado”, explica.

João busca árvores nativas e frutíferas, que possam oferecer sombra, contribuir para a preservação e atrair pássaros e insetos. Em fundos de vale, procura favorecer espécies nativas diante da predominância de plantas exóticas, como a leucena.

Memórias que começam em uma muda

Para João, uma árvore também pode se tornar parte da história de uma comunidade. Ele recorda de uma grande figueira da região da Estrada Alegre e de uma paineira que marcava a paisagem do antigo campo do MEC.

Essas lembranças explicam por que ele acredita que os plantios poderão criar novas memórias. “Às vezes a gente, ao transplantar, ou ao plantar uma muda pequena, ou uma semente, também pode estar criando memórias do futuro para outras pessoas”, afirma.

O trabalho também ultrapassa Mandaguari. João acompanha ações de recuperação ambiental em outras regiões do Paraná, incluindo uma iniciativa em Rio Bonito do Iguaçu com sementes de palmeira-juçara.

A intenção é continuar. João pretende observar os locais onde há maior necessidade e seguir plantando, acreditando que a ação individual pode despertar uma consciência coletiva. “É uma missão, cumpro como uma missão independente de qualquer cenário”, resume.

Mais do que deixar árvores pela região, João busca que, daqui a muitos anos, alguém passe por determinado lugar, encontre uma árvore crescida e se pergunte quem a plantou. Talvez não saiba a resposta, mas poderá aproveitar a sombra, os frutos e a paisagem daquela pequena muda. Isso sim, é ser amigo da comunidade.

Menção honrosa

A história de João também remete a outro nome que por muitos anos ajudou a plantar árvores e flores em Mandaguari: Eliaquim Gonçalves de Queiroz. O mandaguariense, que faleceu aos 83 anos, ficou conhecido pelo trabalho voluntário de preservação da “Rua das Flores”, no Jardim Esplanada. Durante mais de duas décadas, dedicou tempo e cuidado ao espaço, transformando um trecho da cidade em símbolo de zelo e valorização do ambiente. Assim como João, Eliaquim mostrou que iniciativas individuais, mesmo simples, podem deixar marcas na paisagem e na memória de uma comunidade.