Disputa pelo Senado no Paraná em 2026 se desenha aberta e fragmentada
A corrida pelas duas vagas ao Senado Federal que estarão em disputa pelo Paraná nas eleições de 2026 começa a ganhar forma, mas ainda se apresenta marcada por incertezas, fragmentação e equilíbrio entre diferentes grupos políticos. Levantamentos recentes indicam um cenário competitivo, sem a presença de um candidato com liderança isolada, o que amplia o peso das alianças e da estratégia eleitoral nos próximos meses.
Diferentemente da eleição anterior, em que apenas uma cadeira estava em disputa, o pleito de 2026 permitirá ao eleitor votar em dois candidatos. Esse fator tende a favorecer composições políticas e a formação de “dobradinhas”, alterando a dinâmica tradicional da disputa majoritária.
Cenário inicial aponta equilíbrio
De acordo com levantamento do Instituto IRG realizado em abril de 2026, a intenção de voto para o Senado no Paraná está distribuída entre diversos nomes. O ex-procurador da República Deltan Dallagnol aparece com 19,5% das intenções no primeiro voto, seguido pelo ex-senador Álvaro Dias, com 17,5%, e pela deputada federal Gleisi Hoffmann, com 16%.
Na sequência, figuram o deputado estadual Alexandre Curi, com 13,5%, a jornalista Cristina Graeml, com 10%, e o deputado federal Filipe Barros, com 9%. Os números indicam um cenário pulverizado, no qual nenhum pré-candidato ultrapassa a marca de 20% das intenções de voto.
Outro levantamento, realizado pelo instituto Paraná Pesquisas em março deste ano, apresenta variações nos cenários simulados, mas também reforça a ausência de um nome dominante. Em algumas projeções, Álvaro Dias e Alexandre Curi aparecem à frente, enquanto outros pré-candidatos se mantêm próximos dentro da margem de erro.
Perfis distintos marcam a disputa
A configuração atual reúne perfis variados, que vão desde políticos com longa trajetória eleitoral até nomes mais recentes no cenário público.
Entre os pré-candidatos com experiência, estão Álvaro Dias, que já ocupou cargos no Executivo e no Legislativo, e Gleisi Hoffmann, atual deputada federal e figura de projeção nacional. Ambos contam com alto nível de reconhecimento junto ao eleitorado, fator que costuma influenciar positivamente em disputas majoritárias.
No campo das lideranças mais recentes, aparecem nomes como Deltan Dallagnol, que ganhou notoriedade nacional na área jurídica, e Cristina Graeml, com atuação no jornalismo. Já Filipe Barros representa um segmento político consolidado nos últimos anos, enquanto Alexandre Curi surge como um nome ligado à estrutura política estadual.
Fragmentação pode influenciar resultado
Um dos principais elementos observados até aqui é a fragmentação do eleitorado, especialmente entre grupos com afinidade ideológica semelhante. A presença de múltiplos pré-candidatos em campos políticos próximos pode impactar diretamente o desempenho individual de cada um, dificultando a consolidação de uma liderança antecipada.
Por outro lado, esse mesmo cenário abre espaço para rearranjos ao longo da campanha, seja por meio de desistências, alianças ou reconfiguração de candidaturas. Em eleições com duas vagas, a tendência é que acordos políticos ganhem ainda mais relevância.
Alianças e cenário nacional devem pesar
Especialistas apontam que o desfecho da disputa dependerá, em grande medida, da capacidade de articulação dos pré-candidatos e de seus grupos políticos. A formação de alianças pode ser determinante para ampliar o alcance eleitoral e evitar a dispersão de votos.
Além disso, o ambiente político nacional também deve exercer influência sobre a eleição estadual. O grau de polarização no país, especialmente em relação à disputa presidencial, tende a impactar o comportamento do eleitor e o desempenho dos candidatos ao Senado.
Diante de um cenário ainda em construção, tanto na disputa pelo Governo do Estado quanto pelas vagas ao Senado, o Paraná caminha para uma eleição marcada por articulações intensas, rearranjos partidários e definição tardia de candidaturas. A ausência de nomes isolados na liderança, somada à possibilidade de alianças estratégicas, indica que o quadro atual ainda pode sofrer mudanças significativas até o período oficial de campanha.
No calendário eleitoral, os próximos meses serão decisivos. A chamada janela partidária, período em que parlamentares podem trocar de partido sem risco de perda de mandato, deve ocorrer seis meses antes do pleito, funcionando como um termômetro das alianças em formação. Na sequência, as convenções partidárias, momento em que os partidos oficializam seus candidatos, estão previstas para ocorrer entre o fim de julho e o início de agosto de 2026.
Até lá, a movimentação nos bastidores tende a se intensificar, com definições que podem reorganizar o cenário. Em uma eleição com múltiplos atores e variáveis em jogo, o desenho final das candidaturas será determinante para consolidar forças e orientar o eleitor paranaense rumo às urnas.




