Moradora de Cascavel é impedida por lei de retirar urubu que fez ninho na sacada

Ceramista encontrou a ave após retornar de viagem e descobriu que retirar ou interferir no ninho pode configurar crime ambiental

O que deveria ser o início de uma nova fase em um apartamento recém-alugado se transformou em um inesperado convívio com a vida silvestre para a ceramista Micaela La Falce, moradora de Cascavel, na região Oeste do Paraná. Após passar dez dias fora de casa, ela retornou no final de agosto e encontrou um urubu instalado na churrasqueira da sacada do apartamento.

A ave não apenas escolheu o local para fazer o ninho, como também colocou um ovo. Diante da situação, Micaela descobriu que não poderia simplesmente retirar o animal ou mexer no ninho, que passou a ser protegido pela legislação ambiental.

A moradora havia se mudado para o apartamento em julho e pretendia realizar uma confraternização com amigos para marcar a inauguração do novo espaço. Os planos, porém, precisaram ser adiados.

Ao chegar de viagem, Micaela abriu a sacada para arejar o imóvel e encontrou o urubu. Inicialmente, acreditou que a ave deixaria o local na manhã seguinte. No entanto, no dia seguinte, o animal permanecia na sacada e já protegia o ovo.

A situação foi compartilhada nas redes sociais e ganhou grande repercussão. Em tom de brincadeira, a ceramista passou a chamar a ave de Úrsula.

Ninho não pode ser retirado

Sem saber como agir, Micaela procurou o Corpo de Bombeiros e a guarda ambiental. A intenção era encontrar uma maneira segura de retirar o animal e devolvê-lo ao ambiente natural.

Uma equipe do Instituto Água e Terra (IAT) esteve no apartamento e, segundo a moradora, informou que aquele seria o primeiro caso registrado em Cascavel, em 2026, de um urubu fazendo ninho em uma residência.

De acordo com a orientação recebida, o animal é uma espécie silvestre e, depois que o ninho é estabelecido, qualquer intervenção no local pode configurar crime ambiental, conforme a legislação de proteção à fauna.

A recomendação foi para que a moradora não acessasse a sacada e também não oferecesse água ou comida à ave. Segundo as informações repassadas à ceramista, o período de incubação e desenvolvimento do filhote pode durar de dois a três meses.

Casal divide os cuidados

A situação ficou ainda mais curiosa quando Micaela percebeu que Úrsula não estava sozinha. Um segundo urubu, aparentemente o macho, também passou a frequentar o local.

Os dois se revezam nos cuidados com o ninho. Enquanto uma das aves permanece próxima ao ovo, a outra sai em busca de alimento e retorna posteriormente.

Impossibilitada de utilizar a sacada normalmente, a moradora decidiu acompanhar a rotina dos animais e compartilhar a experiência nas redes sociais. Ela também procura um nome para o segundo urubu.

Sacada deverá ser higienizada

Depois que as aves deixarem o local, Micaela também recebeu orientações sobre a limpeza da área. A recomendação inclui cuidados específicos para higienizar a churrasqueira e a sacada, devido aos resíduos deixados pelos animais e ao forte odor.

Para evitar que uma situação semelhante volte a acontecer, a orientação é adotar medidas preventivas, como a instalação de telas ou outras barreiras em espaços abertos, especialmente em sacadas e churrasqueiras que não estejam sendo utilizadas.

Até que o ciclo termine, a moradora terá de conviver com os novos “inquilinos” e esperar que Úrsula e o companheiro deixem o apartamento por conta própria.