A escolha que decide nosso futuro
Em tempos eleitorais, propostas surgem e correm como água. Na verdade, nem tanto.
Ao ouvir as propagandas eleitorais, em especial as presidenciais, vemos mais alfinetadas do que propostas. Observamos que, para quem quer ocupar o cargo, parece valer mais diminuir a concorrência do que mostrar por que quer ser eleito.
E nós, eleitores, que buscamos pautas a serem defendidas, talvez tenhamos que recorrer à leitura dos planos de governo para entender o que, de fato, os candidatos querem fazer. Isso, para alguns, pode chegar a ser comum, mas, para quem depende dos debates e das propagandas políticas para entender o que está sendo proposto, infelizmente, a realidade pode ser decepcionante.
Será que há um pingo de humanidade e preocupação com o nosso voto? Com quem se propõe a chegar em outubro e fazer uma escolha porque acredita?
Não se trata de esperar discursos perfeitos ou candidatos que concordem com tudo aquilo que pensamos. Democracia pressupõe diferenças, opiniões distintas e, principalmente, a possibilidade de escolher entre caminhos diferentes. Mas, para que essa escolha seja verdadeiramente nossa, precisamos conhecer esses caminhos.
O eleitor não deveria precisar procurar respostas escondidas entre ataques, acusações e frases de efeito. Queremos saber como serão tratados temas que fazem parte da nossa vida todos os dias: saúde, educação, segurança, emprego, impostos, infraestrutura e tantas outras questões que não cabem em poucos segundos de propaganda.
É claro que o eleitor também tem responsabilidade. Em uma eleição, não basta ouvir. É preciso questionar, comparar, buscar informações e conhecer o que está sendo proposto. O voto é individual, mas as consequências dele alcançam toda a sociedade.
Talvez seja justamente por isso que o período eleitoral deveria ser menos sobre quem consegue falar mais alto e mais sobre quem consegue apresentar com clareza o que pretende fazer. Menos sobre destruir a imagem do adversário e mais sobre explicar as próprias ideias.
No fim, a escolha continua sendo de cada eleitor. E ela será tão consciente quanto forem as informações que tivermos à disposição.
Que possamos chegar às urnas não apenas sabendo quem somos contra, mas, principalmente, entendendo aquilo que estamos escolhendo. Porque, quando depositamos nosso voto, não entregamos apenas um número à urna. Depositamos nele uma parte daquilo que esperamos para o futuro do país.
