Paraná

Com expectativa de atendimento presencial, usuários do INSS formam fila e reclamam após encontrar agências fechadas em Curitiba e no interior do Paraná

Em nota, INSS disse que esta segunda-feira "será um dia muito sensível para servidores e segurados" e disse que as entrevistas poderão ser reagendadas para terça (15) ou quarta (16).

As agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), de Curitiba e de algumas cidades do Paraná, que programaram a reabertura do atendimento presencial para esta segunda-feira (14), não reabriram.

Por conta disso, muitos usuários, que tinham feito o agendamento, perderam tempo em filas e reclamaram da decisão.

Em Curitiba, a agência da Travessa da Lapa não abriu. Na agência que fica na Rua Cândido Lopes, o atendimento está sendo feito apenas para a entrega de documentos. No bairro Hauer, teve outra agência que também abriu só para a entrega de documentos.

No interior, em Cascavel, Guarapuava, Ponta Grossa, Foz do Iguaçu e Londrina, algumas agências também não reabriram.

A gerência de Cascavel, que administra as 19 agências das regiões oeste e sudoeste, disse que todas estão fechadas.

Para saber qual agência do INSS está aberta, com atendimento presencial, é só entrar no site do INSS e digitar o estado.

O que diz o INSS

Em nota, o INSS disse que esta segunda-feira será um dia muito sensível para servidores e segurados.

"Permanecemos quase seis meses sem atendimento presencial. Assim, o INSS entendeu que não seria adequado acrescentar mais esse compromisso num dia-chave para a instituição e a população. Sentimos muito por cancelar a entrevista, mas nos colocamos à disposição para reagendá-la para terça (15) ou quarta-feira (16)", diz trecho da nota.

Revolta

A Rosângela da Silva é uma das pessoas que ficou indignada com a decisão do INSS. Ela disse que está tentando uma perícia para conseguir um benefício para o filho, que tem necessidades especiais, desde abril do ano passado.

"Eles me disseram que eu tenho que ligar em outro momento para tentar agendar essa perícia de hoje. Só que a culpa não foi minha. Não fui eu que perdi o dia da perícia, foram eles que se recusaram a me atender", desabafou.

Emocionada depois de ficar muito tempo na fila, Rosângela disse ainda que não é fácil sair com uma criança especial de casa.

"Não é fácil acordar ele cedo em um momento de tranquilidade dele, não é fácil manter ele aqui sossegado. De abril pra cá, quem vai me sustentar? Quem vai dar um pão para o meu filho? É muito fácil o governo falar que é bonitinho, que existe uma lei para as crianças ou para qualquer outra pessoa aqui. Ninguém aqui está pedindo esmola, não. Todo mundo aqui precisa", acrescentou.

A retomada do atendimento presencial

O INSS suspendeu o atendimento presencial no final de março como medida de enfrentamento da epidemia do coronavírus. A reabertura estava prevista inicialmente para 13 de julho, e uma primeira prorrogação determinava a retomada gradual do atendimento presencial a partir de 3 de agosto. Depois, o governo passou para 24 de agosto. No último adiamento, a data para retomada foi estabelecida para esta segunda-feira.

De acordo com o INSS, o atendimento presencial está sendo retomado devido a uma forte demanda relativa a cumprimento de exigências por parte do segurado. Esses pedidos são aqueles em que é verificada a necessidade de outros documentos para concessão do benefício.

Solicitações de aposentadoria, pensão, salário maternidade, continuam sendo feitos remotamente.

Nota da Associação Nacional dos Peritos Médicos Federais

O presidente da Associação Nacional dos Peritos Médicos Federais (ANMP,), Luiz Carlos de Teive, disse que a perícia médica nacional não está fazendo nenhum movimento grevista. Ele disse ainda que a perícia médica federal fez vistorias nas agências e elas estavam de maneira inadequadas para o restabelecimento - em consonância com a secretaria de previdência e INSS.

"Estamos vivendo uma pandemia e temos que ter cuidados sanitários, cuidados no isolamento e distanciamento das pessoas, principalmente para preservar o usuário das agências da previdência. É sabido que o volume de pessoas que adentram as agências é muito grande. Tudo vai ter que ser adequado, modificado. Desde o número de pessoas que entram nas agências, tem que ter o agendamento, não pode chegar para tomar informação que não esteja agendado. São vários cuidados. A perícia médica federal fez vistorias nas agências e elas estavam de maneira inadequadas para o restabelecimento - em consonância com a secretaria de previdência e inss. Não tem movimento nenhum de se contrapor o retorno do atendimento", declarou.