Ser pai vai muito além de prover: presença, afeto e participação transformam a infância

Psicólogo Pedro Grohmann destaca que o papel paterno é essencial para o desenvolvimento emocional, social e psicológico das crianças e defende uma paternidade mais ativa nos desafios da família contemporânea.

O papel do pai dentro da família mudou. Se no passado a figura paterna era vista principalmente como responsável pelo sustento da casa, hoje a sociedade reconhece que a presença, o afeto e a participação na criação dos filhos são tão importantes quanto qualquer responsabilidade financeira.

Na semana em que se celebra o Dia dos Pais, o Jornal Agora conversou com o psicólogo Pedro Augusto Marques Napolis da Cunha Grohmann, com especialização em Avaliação Psicológica, que explicou como a participação ativa do pai influencia diretamente o desenvolvimento das crianças e adolescentes. Segundo o especialista, a construção desse vínculo começa logo nos primeiros anos de vida e acompanha toda a formação emocional dos filhos.

A importância da figura paterna

Nos primeiros meses de vida, o vínculo mais intenso da criança acontece naturalmente com a mãe. No entanto, à medida que ela cresce, a presença do pai passa a exercer um papel fundamental no desenvolvimento da autonomia e na construção das relações sociais.

Para Pedro Grohmann, o pai representa uma referência importante na formação dos limites, da segurança e da independência da criança.  “Não se trata de substituir a mãe, mas de caminhar ao lado dela. A criação dos filhos é uma construção conjunta, baseada na colaboração entre pai e mãe.”

Essa participação ajuda a criança a compreender regras, desenvolver responsabilidade e construir relações mais saudáveis ao longo da vida. O psicólogo ressalta que muitos pais acreditam que cumprir o papel financeiro é suficiente. No entanto, a criança precisa de algo que dinheiro nenhum consegue substituir, atenção.

Brincar, conversar, ensinar, acompanhar a rotina escolar, participar das atividades e demonstrar interesse pelo universo do filho são atitudes que fortalecem os laços familiares. “Muitas vezes o filho não quer presentes. Ele quer que o pai sente no chão para brincar, conte uma história, ande de bicicleta ou simplesmente esteja ali.”

Segundo ele, esses momentos, mesmo que curtos, têm um impacto muito maior do que horas compartilhando o mesmo ambiente sem interação.

Outro ponto levantado durante a entrevista é o uso cada vez mais precoce de celulares e tablets. Para Pedro Grohmann, os pais precisam refletir sobre a forma como as crianças estão conhecendo o mundo. “A infância precisa ser vivida fora das telas. A criança aprende explorando, brincando, correndo, lendo, escrevendo, tocando objetos e convivendo com outras pessoas.”

Ele explica que oferecer um celular pode parecer uma solução prática para manter os filhos ocupados, mas o excesso de tempo diante das telas pode comprometer o desenvolvimento da criatividade, da socialização e até da capacidade de concentração. “O pai pode ensinar a andar de bicicleta, jogar bola, empinar pipa, brincar de carrinho ou simplesmente inventar uma brincadeira. O importante é participar.” Segundo ele, essas experiências deixam marcas positivas que acompanham os filhos durante toda a vida.

Pais também são porto seguro

Na adolescência, a presença paterna continua sendo decisiva. É nessa fase que muitos jovens enfrentam inseguranças, mudanças emocionais e conflitos naturais do crescimento. Ter um pai presente, capaz de dialogar, orientar e oferecer proteção faz diferença na construção da autoestima e da confiança.

Pedro Grohmann observa que, em muitos casos de adolescentes envolvidos com violência ou comportamentos de risco, a ausência ou o distanciamento da figura paterna aparece como um dos fatores presentes, embora nunca seja a única explicação. “A autoridade não nasce da imposição, mas da presença constante. O pai precisa construir essa relação desde a infância.”

O psicólogo também destaca a importância da participação do pai na rotina de crianças diagnosticadas com transtornos do neurodesenvolvimento, como autismo e TDAH. Além do apoio emocional, o pai pode desempenhar um papel importante em momentos de crise, oferecendo proteção e auxiliando nos cuidados diários.

Ele ressalta, porém, que toda responsabilidade não deve recair apenas sobre a mãe. “Criar um filho é uma tarefa compartilhada. Quando pai e mãe caminham juntos, ambos se fortalecem e a criança também.”

O profissional chamou atenção para o aumento do número de diagnósticos relacionados ao comportamento infantil. Sem negar a existência de transtornos como o TDAH, ele defende que cada caso seja avaliado com cuidado e por profissionais qualificados.

Segundo o psicólogo, é importante buscar uma segunda opinião quando houver dúvidas e evitar que comportamentos naturais da infância sejam confundidos com doenças. Ele também alerta para o uso indiscriminado de medicamentos em crianças muito pequenas, destacando que cada situação deve ser analisada de forma individual.

Ao final da conversa, Pedro Grohmann deixa uma reflexão para os pais. “Os filhos não precisam de um pai perfeito. Precisam de um pai presente.” Mais do que oferecer conforto material, ele acredita que a missão da paternidade está em ensinar, proteger, brincar, ouvir, acolher e participar da vida dos filhos.

Porque, no fim das contas, são esses momentos compartilhados que permanecem na memória das crianças e ajudam a formar os adultos que elas serão no futuro.

Serviço

Pedro Augusto Marques Napolis da Cunha Grohmann – CRP- 08/32848

Contato: 44 9 9857-8413