Fernando Lopes avalia cenário da safra e do inverno no Paraná
Produtor rural e empresário do Café Bela Esperança falou sobre colheita do café, influência do El Niño, preços agrícolas e os desafios enfrentados pelo setor no Brasil
O produtor rural e empresário Fernando Lopes, do Café Bela Esperança, participou nesta quinta-feira (28) de entrevista na Rádio Agora FM (87,7) e falou sobre o cenário da agricultura, o comportamento do clima neste ano e os desafios enfrentados pelo produtor rural. Durante a conversa, Fernando destacou que o fenômeno El Niño já começa a influenciar o clima no Brasil e deve provocar um inverno mais úmido e com temperaturas menos rigorosas no Paraná.
Segundo ele, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico altera o comportamento climático em várias partes do mundo. “Sempre quando ocorre esse fenômeno, a região sul do Brasil recebe uma quantidade acima da média de chuvas. O inverno, quando acontece isso, a média de temperatura é maior. Não estamos livres de uma frente fria que venha e faça um fenômeno de geada, isso é normal, mas teremos menos dias frios”, explicou.
Fernando comentou ainda sobre o excesso de chuvas registrado nas últimas semanas na região de Mandaguari e afirmou que o volume já é reflexo do El Niño. “Segundo os meteorologistas, já é um efeito do El Niño essa quantidade forte de chuva que tivemos. Então a gente entra em um inverno mais úmido”, afirmou.
Apesar da preocupação com possíveis geadas, o empresário acredita em um inverno mais tranquilo para os cafeicultores. “Os meteorologistas falam que teremos duas ou três massas de ar polar pela frente, mas sem intensidade grave para a agricultura, destacou.
Sobre a produção agrícola, Fernando avaliou que o Brasil terá uma das maiores safras de café da história. “A nível Brasil, é a maior safra da história do café. Depois de anos de seca, geada e temperaturas elevadas, agora tivemos um clima bom nas principais regiões produtoras”, disse.
No Paraná, porém, a produção deve ser um pouco menor por conta da bienalidade da cultura, característica natural do café. Mesmo assim, as lavouras apresentam boa recuperação. “As lavouras estão muito boas, recuperaram bem e a chuva foi suficiente para que tudo acontecesse naturalmente”, comentou.
O produtor também falou sobre o preço do café, que registrou forte alta nos últimos meses. Segundo ele, os valores pagos ao produtor ainda seguem elevados, mas os preços ao consumidor começaram a se ajustar. “Os preços do café na gôndola não acompanharam toda a alta que aconteceu. Agora os preços estão mais estáveis e mais acessíveis”, afirmou.
Fernando destacou ainda as dificuldades enfrentadas pelo agricultor brasileiro, principalmente em relação ao custo de produção. “A soja hoje não remunera os custos. Não fecha a conta. O diesel subiu, os fertilizantes e os defensivos também. O agricultor investe muito dinheiro e assume um risco enorme”, explicou.
Fernando comentou ainda sobre a expansão do Café Bela Esperança para Minas Gerais. Segundo ele, a empresa abriu uma filial em Patrocínio, considerado o maior município produtor de café do mundo. “Hoje nossa empresa também é um ponto de fornecimento de matéria-prima. A produção de café do Paraná é pequena e precisamos buscar café fora para abastecer nossos consumidores”, explicou.
A entrevista com Fernando Lopes trouxe um panorama sobre o atual momento da agricultura, abordando desde a influência do El Niño no clima até os impactos na produção de café, milho e soja. A expectativa é de um inverno mais úmido e menos rigoroso, enquanto os produtores seguem atentos ao comportamento do tempo e às condições do mercado agrícola.
