Compostagem transforma resíduos orgânicos em nutrientes e ganha espaço em Mandaguari
Iniciativa desenvolvida na zona rural de Mandaguari busca ampliar o aproveitamento de resíduos e aposta também em educação ambiental
O que normalmente termina dentro de uma sacola de lixo pode ter outro destino. Cascas de frutas, restos de alimentos, folhas, galhos e outros materiais orgânicos podem ser transformados em composto e retornar ao solo como fonte de nutrientes. Essa é a proposta da compostagem, processo natural que vem sendo aplicado em uma iniciativa instalada na zona rural de Mandaguari.
O engenheiro agrônomo Vinícius Carrasco, que atua na área, explica que a compostagem nada mais é do que a reprodução, de maneira controlada, de um processo que ocorre constantemente na natureza.
Em uma floresta, por exemplo, folhas, galhos, frutos e animais mortos entram em contato com o solo e são decompostos, devolvendo nutrientes ao ambiente. A compostagem utiliza esse mesmo princípio para transformar resíduos orgânicos em matéria que pode ser novamente aproveitada pelas plantas.
Segundo Carrasco, estudos realizados no Brasil indicam que aproximadamente 51% dos resíduos produzidos nas cidades são matéria orgânica. Outros 35% a 40% correspondem, aproximadamente, a materiais recicláveis, como papelão, vidro, alumínio e plástico. O restante seria formado principalmente por rejeitos, como resíduos de banheiro e materiais contaminados, que precisam ser destinados aos aterros.
Para o agrônomo, uma das alternativas para melhorar a gestão dos resíduos urbanos seria descentralizar o sistema, criando pontos de compostagem nos bairros. Em um cenário ideal, cada residência poderia fazer sua própria compostagem. Como isso ainda está distante da realidade da maioria da população, a criação de pontos de entrega voluntária seria uma possibilidade intermediária.
O que pode ser compostado
A lista de materiais que podem passar pelo processo é ampla. Restos de comida, frutas estragadas, alimentos preparados, cascas, folhas, grama cortada e galhos estão entre os exemplos citados.
O sistema utilizado pela empresa Ecológica, criada por Carrasco, utiliza principalmente fungos e bactérias no processo de decomposição. Isso permite trabalhar com uma variedade maior de resíduos do que alguns sistemas domésticos baseados em minhocas, que possuem restrições em relação a determinados materiais, como cítricos, cebola, alho, ossos, leite, gordura e alguns resíduos de origem animal.
O processo realizado pela empresa leva aproximadamente 120 dias para transformar os materiais em composto orgânico.
Composto pode ser usado em plantas
O produto obtido é utilizado como condicionador de solo. A aplicação pode ser feita diretamente sobre a terra ou como cobertura em vasos e canteiros, seguida de rega.
De acordo com Carrasco, o composto fornece nutrientes e microrganismos que contribuem para as relações entre o solo e as plantas, favorecendo o desenvolvimento e a sanidade vegetal. O produto também pode ser utilizado no cultivo de frutas.
Apesar do potencial, o aproveitamento de resíduos orgânicos ainda é pequeno no Brasil. Segundo a informação apresentada na entrevista, apenas 2% a 3% dos resíduos orgânicos são reciclados no país.
Para Carrasco, isso representa tanto um desafio ambiental quanto uma oportunidade de desenvolvimento de novas soluções. A intenção da Ecológica é ampliar futuramente a estrutura, passando a trabalhar com uma área maior e, se houver condições e autorização, receber resíduos em maior escala e operar de maneira mais industrial.
O interesse pelo tema, segundo ele, vem crescendo entre empresas, prefeituras, gestores públicos e moradores. Ainda assim, a gestão dos resíduos orgânicos continua sendo um desafio para os municípios, especialmente pela complexidade e pelos custos envolvidos na destinação adequada.
Uma das propostas defendidas pela empresa é levar sistemas de compostagem para escolas municipais, estaduais e particulares. A ideia é fazer com que os resíduos orgânicos produzidos dentro das próprias instituições sejam aproveitados no local, reduzindo a necessidade de coleta e transporte desse material.
A proposta também busca levar o conhecimento para dentro das famílias. Ao aprenderem como funciona a compostagem na escola, os alunos podem reproduzir a prática em casa e ampliar o alcance da iniciativa.




