Biólogo revela detalhes sobre onça-pintada que ronda Mandaguari

A presença de uma onça-pintada em Mandaguari voltou a gerar debates, curiosidade e preocupação entre moradores da cidade e da zona rural. Para esclarecer dúvidas sobre o animal, a Rádio Agora FM (87,7) entrevistou na manhã deste sábado (16) o biólogo Fernando Felippe, de Apucarana, profissional que há mais de uma década monitora felinos silvestres na região Norte do Paraná.

Segundo Fernando, a onça-pintada registrada em Mandaguari é extremamente rara e, até o momento, seria o único exemplar confirmado entre cidades como Mandaguari, Apucarana, Maringá e Londrina. “Até então o maior felino que tínhamos na região era a onça-parda. Essa onça-pintada é o único registro confirmado por aqui”.

Animal já vinha sendo monitorado há mais de um ano

O biólogo revelou que acompanha o animal há cerca de um ano e meio, mas manteve as informações em sigilo inicialmente para proteger a onça. “Ela corria um risco muito grande de ser abatida. Muitas pessoas já estavam sabendo da existência dela e resolvemos divulgar justamente para chamar atenção e proteger o animal”, afirmou.

Fernando contou ainda que os primeiros indícios surgiram após ataques a cavalos em propriedades rurais da região. Pela forma como os animais haviam sido mortos, ele suspeitou imediatamente de uma onça-pintada.

Onça teria vindo do Morro do Diabo

Segundo ele, a principal hipótese é de que o animal tenha migrado da região do Parque Estadual Morro do Diabo, no interior de São Paulo. Jovens machos dessa espécie costumam ser expulsos do território pelos machos dominantes quando atingem maturidade sexual. “O macho dominante pode até matar esse filhote para evitar disputa territorial. Então esses jovens acabam saindo em busca de novos territórios”, explicou.

Fernando acredita que a abundância de alimento na região rural de Mandaguari favoreceu a permanência do animal. “Aqui ela encontra cavalo, boi, porco, galinha. Para a onça é praticamente um espeto corrido”, brincou.

Onça-pintada prefere fugir do ser humano

Apesar do medo gerado entre moradores, o biólogo afirmou que ataques contra humanos são extremamente raros. “Em mais de 12 anos monitorando felinos, todos os relatos que acompanhei terminaram com a onça fugindo da pessoa. Ela normalmente sente o cheiro, o barulho e sai correndo antes mesmo de ser vista”.

Segundo ele, animais como cães, vacas e até cobras oferecem estatisticamente mais riscos de acidentes fatais do que onças. Ele também explicou que a onça só tende a reagir em situações específicas, como quando está acuada, protegendo filhotes ou defendendo uma presa.

Felino solitário e territorialista

Durante a entrevista, Fernando explicou que a onça-pintada possui comportamento extremamente solitário. “Quase todos os felinos são solitários. O único grande felino que vive em grupo é o leão. Dois machos dificilmente convivem no mesmo território, pois entram em disputa pela área dominada. As onças utilizam marcação química e vocalização para delimitar território. Quando um macho percebe outro na região, normalmente ocorre confronto ou expulsão”.

Captura e ida para zoológico seria a solução mais segura

Questionado sobre qual seria a melhor alternativa para preservar a vida do animal, Fernando foi sincero, para ele a solução mais segura atualmente seria a captura da onça e o encaminhamento para um zoológico ou mantenedor autorizado. “Infelizmente qualquer lugar que ela for solta ela vai continuar dando prejuízo e basta uma pessoa não conscientizada para matar esse animal”.

O biólogo explicou que experiências de soltura em outras regiões mostram que muitos animais acabam morrendo após disputas territoriais com outros machos. “Meu coração queria ver ela livre, mas, na realidade atual, talvez o cativeiro seja a única forma de garantir que ela continue viva”.

Medo, curiosidade e debate na comunidade

A presença da onça-pintada em Mandaguari vem mobilizando moradores, produtores rurais e autoridades ambientais. Além da preocupação com ataques a animais domésticos, o caso também despertou enorme curiosidade na população.

O jornalista Júlio César Raspinha destacou durante a entrevista que muitos boatos e informações incorretas têm circulado nas redes sociais, reforçando a importância de ouvir especialistas sobre o assunto.

Fernando Felippe colocou suas redes sociais à disposição da comunidade para esclarecer dúvidas e afirmou que continuará acompanhando o caso juntamente com órgãos ambientais e profissionais da área. @felipereporterselvagem