Aproximação de animais silvestres em áreas urbanas reflete impactos ambientais em Mandaguari
O aumento da presença de animais silvestres em áreas urbanas de Mandaguari e região tem chamado a atenção da população e acende um alerta dos especialistas. Segundo a bióloga e doutora em Biotecnologia Ambiental, Dra. Fabiane Masala, esse fenômeno está diretamente ligado às transformações ambientais provocadas ao longo das décadas.
Entre as décadas de 1930 e 1940, o município era coberto por extensas áreas de Mata Atlântica, com grande diversidade de fauna, incluindo onças, antas, veados, primatas e diversas espécies de répteis e anfíbios. Com o avanço do desmatamento para exploração de madeira, expansão urbana e cultivo agrícola, muitos desses animais desapareceram ou se tornaram raros, restando apenas em áreas rurais que hoje funcionam como corredores ecológicos.
Com a fragmentação do habitat, é comum que animais se desloquem em busca de alimento e abrigo, processo conhecido como dispersão. Esse movimento tem levado algumas espécies a se aproximarem das cidades, especialmente aquelas mais adaptáveis, como gambás, maritacas e urubus.
O aumento de urubus, por exemplo, está relacionado à oferta de alimento em áreas urbanas, como lixo exposto, animais mortos e descarte irregular. Já os gambás, bastante comuns em Mandaguari, exercem papel importante no controle de pragas, como escorpiões e aranhas. Aves como as maritacas também demonstram alta capacidade de adaptação ao ambiente urbano.
Por outro lado, a aparição de animais de maior porte, como onças pardas, indica desequilíbrio ambiental. A escassez de presas naturais faz com que esses predadores busquem alternativas, como restos de alimentos e até animais domésticos, principalmente durante a noite.
Apesar disso, o risco à população é considerado baixo. Os encontros com humanos são ocasionais, mas podem gerar preocupação. Entre os principais riscos estão ataques a animais domésticos e, em casos raros, transmissão de doenças por espécies como o cachorro-do-mato.
A especialista destaca que a solução não está em afastar os animais, mas em reduzir os fatores que os atraem. Medidas como o correto descarte de lixo, controle de animais domésticos soltos, preservação de áreas verdes e educação ambiental são fundamentais para o equilíbrio.
Em caso de encontro com um animal silvestre, a orientação é manter distância, não oferecer alimento e acionar órgãos competentes, como o Corpo de Bombeiros ou a Polícia Ambiental. Em situações extremas, como a presença de grandes predadores, é importante manter a calma, evitar movimentos bruscos e nunca dar as costas ao animal.
De acordo com a bióloga, a presença desses animais nas cidades é um reflexo direto das ações humanas sobre o meio ambiente. Mais do que conter esse avanço, é essencial compreender o papel ecológico dessas espécies e investir na conservação ambiental, garantindo uma convivência mais equilibrada entre humanos e a fauna silvestre.




