Após seis décadas, Walter Jr. se despede do Fórum de Mandaguari e encerra uma história que atravessa gerações
Depois de uma vida inteira dedicada ao serviço público, o nome mais conhecido do Fórum de Mandaguari, Walter Antunes Pereira Jr., se despede do trabalho. Aos 71 anos ele encerra uma trajetória de 60 anos de trabalho público no fórum da cidade, uma história que começou ainda na infância e se entrosa com a própria história do Judiciário na cidade.
Tudo começou cedo, com apenas 12 anos de idade Walter já acompanhava o pai, o famoso Walter Antunes Pereira, que também era escrivão, indo de bicicleta até o fórum. Na época, era comum que filhos ajudassem os pais no trabalho e foi assim que ele deu os primeiros passos em sua carreira, carimbando documentos e, pouco tempo depois, já participando de registros de toda a cidade.
De lá para cá, o tempo passou e muita coisa mudou. O menino que começou “em cima de uma mesa só para carimbar”, tornou-se uma das figuras mais experientes do fórum, a ponto de brincar com o próprio tempo de casa: “Hoje eu sou o dinossauro daqui”, relatou ele com bom humor.
Ao longo das décadas, ele acompanhou transformações importantes, tanto na estrutura do Judiciário quanto na própria cidade. Trabalhou no cartório criminal, que na época também acumulava funções do registro civil, e passou ainda pelas varas da infância e família. Foram anos lidando com histórias reais, algumas felizes e outras difíceis, que marcaram sua trajetória.
E se tem algo que ele faz questão de destacar é o contato com as pessoas. “Sempre gostei de atender o público, principalmente quem mais precisava, não só financeiramente, mas psicologicamente também”, relembrou. Para ele, o fórum sempre foi mais do que um local de trabalho: foi um espaço de escuta, acolhimento e responsabilidade.
Durante a carreira, também presenciou momentos marcantes, como júris de grande repercussão que ficaram na memória da cidade. Histórias que, segundo ele, daria um livro.
A profissão veio do berço. O pai também atuava em cartório e entrou na função em uma época em que ainda não existiam concursos públicos. A família, inclusive, sempre esteve próxima do trabalho: esposa, filhos e até um neto chegaram a passar pelo cartório, mantendo viva a ligação com o serviço.
Apesar de ter iniciado no curso de Direito, Walter optou por seguir no cartório, área com a qual sempre se identificou. “Nunca tive vontade de advogar. Sempre gostei disso aqui”, afirmou.
Agora, já aposentado, o sentimento é de missão cumprida, mas também de expectativa. Ainda não há um substituto definitivo para assumir suas funções, o que reforça a responsabilidade de quem chegar para dar continuidade ao seu trabalho.
A despedida, organizada pelos colegas, aconteceu no Fórum na sexta-feira (17) e foi carregada de significado e emoção. Um reconhecimento por décadas de dedicação de quem ajudou a escrever a história de muitas famílias de Mandaguari. Entre registros, carimbos e histórias, ele deixa o fórum levando consigo uma certeza: a de que fez seu trabalho com responsabilidade, respeito e, acima de tudo, humanidade.


