Rotas alternativas ao pedágio na BR-376
Estradas Keller e Terra Roxa surgem como opções para evitar a tarifa entre Mandaguari e Marialva e reacendem debate sobre mobilidade e infraestrutura regional
Desde a retomada da cobrança de pedágio na BR-376, entre Mandaguari e Marialva, motoristas da região passaram a buscar alternativas para reduzir os custos diários com deslocamento. A medida, que voltou a valer no dia 4 de maio, reacendeu uma discussão antiga entre moradores, trabalhadores e empresários sobre mobilidade, custos e infraestrutura nas rodovias da região.
Para muitos trabalhadores que utilizam diariamente a BR-376 para chegar a Maringá e cidades vizinhas, o impacto no orçamento já começou a ser sentido logo nos primeiros dias de cobrança. O cenário ficou ainda mais pesado com o reajuste no valor da tarifa do transporte metropolitano, afetando diretamente quem depende do deslocamento diário para trabalhar, estudar ou acessar serviços em outros municípios.
Com a volta do pedágio, estradas rurais e rotas secundárias voltaram ao centro das discussões nas redes sociais e grupos de moradores. Muitos motoristas passaram a compartilhar caminhos alternativos como forma de escapar da tarifa, enquanto outros questionam se a economia realmente compensa diante do aumento no tempo de viagem, consumo de combustível e desgaste dos veículos.
Diante desse cenário, a equipe da Agora Comunicação percorreu as estradas Keller e Terra Roxa para analisar na prática quais são as vantagens, dificuldades e limitações enfrentadas por quem decide optar pelos trajetos alternativos ao pedágio.
Além do debate sobre custos, a retomada da cobrança também trouxe à tona discussões envolvendo mobilidade regional e acesso às áreas urbanas. Neste primeiro mês, a Prefeitura de Marialva se envolveu em uma polêmica relacionada à abertura de uma estrada marginal à rodovia, que tinha como objetivo facilitar o deslocamento de moradores lindeiros até o centro da cidade.
No entanto, a EPR Paraná entrou com um pedido de liminar, posteriormente aceito pela Justiça. A concessionária alegou que o acesso poderia aumentar os riscos de acidentes e que a via estaria localizada dentro da faixa de domínio da rodovia. Com isso, o trecho recém-aberto acabou sendo fechado poucos dias após sua liberação.
Vale a pena buscar rotas alternativas?
Para acessar a Estrada Keller, o motorista possui duas opções, entrar pela Rua Luiz Trintinalha, nas Populares 2, ou utilizar o retorno da rodovia nas proximidades da Fiação Cocari, acessando a estrada próximo à Associação Atlética Cocari.
No trajeto tradicional pela BR-376, entre a saída de Mandaguari e o trevo de entrada de Marialva, um veículo percorre o trecho em aproximadamente cinco minutos, pagando a tarifa de R$ 9,90.
Já pela Estrada Keller, o mesmo percurso leva pouco mais de 20 minutos. São cerca de 10 quilômetros percorridos com velocidade média de 40 km/h. Quem optar pela rota alternativa e seguir até Maringá ainda precisará atravessar o centro de Marialva para continuar a viagem.
No retorno para Mandaguari, uma das alternativas é a Estrada Terra Roxa, caminho já utilizado por moradores durante a antiga concessão do pedágio. O acesso ocorre próximo à antiga praça de cobrança, utilizando um retorno na rodovia.
A via é totalmente pavimentada com pedras poliédricas (paralelepípedos). Ao final do trecho, o motorista retorna à BR-376 em direção a Mandaguari. O percurso de aproximadamente quatro quilômetros foi realizado em cerca de sete minutos, com velocidade média de 35 km/h.
As estradas podem ser fechadas?
A reportagem filmou todo o percurso e publicou o conteúdo nas redes sociais do Portal Agora. A divulgação gerou questionamentos de leitores, que levantaram a possibilidade de as rotas alternativas serem fechadas após a repercussão.
No entanto, as estradas Keller e Terra Roxa já são de conhecimento da EPR Paraná e são utilizadas há anos, principalmente por agricultores e moradores da região. Atualmente, empresas como a Romagnole e uma mineradora de grande porte também estão instaladas nas proximidades da Estrada Keller.
Segundo a reportagem, o objetivo do material foi apenas demonstrar que existem alternativas ao pedágio, cabendo ao motorista decidir se vale a pena utilizar os trajetos.
Quais são as desvantagens?
Motoristas que pretendem utilizar as rotas alternativas, principalmente no sentido Maringá, devem considerar alguns fatores antes de optar pelos caminhos.
O primeiro deles é o aumento da distância e, consequentemente, do tempo de deslocamento. Outro ponto é o maior consumo de combustível, além do desgaste natural do veículo em estradas com condições diferentes da rodovia.
Também é importante destacar que as gravações foram realizadas em um dia de clima favorável. Em períodos de chuva, as condições das estradas podem se tornar mais difíceis, aumentando o tempo de viagem e o risco de acidentes, especialmente para condutores sem experiência em estradas rurais ou de terra em situações adversas.
A Prefeitura de Mandaguari sinalizou a intenção de asfaltar o trecho da Estrada Keller pertencente ao município. Entretanto, até o momento, não há projeto aprovado nem previsão oficial para o início das obras.
Entre a economia e a praticidade
A discussão sobre as rotas alternativas evidencia um problema que vai além da simples escolha entre pagar ou não o pedágio. Para muitos moradores da região, a cobrança representa mais um custo fixo dentro de uma rotina já marcada por deslocamentos diários longos e despesas cada vez maiores.
Ao mesmo tempo, as alternativas disponíveis mostram limitações estruturais importantes. Embora possam representar economia financeira em determinados casos, os trajetos exigem mais tempo, atenção redobrada e acabam transferindo parte do desgaste para os veículos e para as próprias estradas rurais.
No fim, a decisão passa a ser individual. Alguns motoristas preferem pagar pela praticidade e rapidez da rodovia. Outros optam por enfrentar caminhos mais longos em busca de aliviar o orçamento no fim do mês. Entre o asfalto da BR-376 e a poeira das estradas rurais, o que fica evidente é que o debate sobre mobilidade regional e custos de deslocamento ainda está longe de chegar ao fim.




