Quando o eleitor não vai às urnas
As urnas fecharam, os votos foram contabilizados e os resultados do primeiro turno já são conhecidos. Mas, além dos votos destinados aos candidatos, existe um número que também merece atenção: o de pessoas que não compareceram para votar.
No Brasil, mais de 33 milhões de eleitores não foram às urnas. Em Mandaguari, foram 6.196 ausentes, cerca de 22,4% dos eleitores aptos. É um número expressivo e que merece mais do que apenas aparecer nas estatísticas da eleição.
É claro que nem toda ausência significa desinteresse. Existem problemas de saúde, viagens, trabalho, dificuldades de deslocamento e diversas outras situações que podem impedir o eleitor de votar. Mas uma abstenção superior a 20% também precisa nos levar a uma reflexão sobre a relação da população com a política.
Votar não significa concordar com tudo o que um candidato representa. Muitas vezes, significa escolher entre diferentes propostas, analisar trajetórias e decidir qual caminho parece mais adequado para o futuro que se deseja.
E talvez esteja justamente aí uma das maiores responsabilidades do eleitor: participar mesmo quando nenhuma opção parece perfeita.
A política continuará fazendo parte da nossa vida independentemente de participarmos ou não da eleição. As decisões tomadas pelos representantes eleitos terão impacto sobre a economia, os serviços públicos, a educação, a saúde e tantas outras áreas que fazem parte do cotidiano.
Por isso, os números da abstenção não deveriam ser vistos apenas como uma estatística. Eles também podem servir como um convite para refletirmos sobre o quanto estamos acompanhando e participando das decisões que dizem respeito a todos nós.
O segundo turno será uma nova oportunidade de escolha. Não se trata de defender este ou aquele candidato, mas de reconhecer que a participação também faz parte da democracia.
No fim das contas, a pergunta que fica não é apenas quem ganhou a eleição.
É também: quantas pessoas escolheram não participar da escolha?
E, principalmente, o que esses números dizem sobre a nossa relação com a política?
