O Lobisomem de Mandaguari: a história real por trás da lenda que assustou moradores
Nos anos 90 uma história curiosa acabou atravessou gerações em Mandaguari e se transformou em uma das lendas mais conhecidas da cidade. Por trás do mistério que assustava moradores da zona rural nas noites escuras, estava um jovem cheio de energia, criatividade e uma boa dose de ousadia. Que mandaguariense nunca ouviu falar sobre o Lobisomem de Mandaguari? Ou já teve curiosidade para descobrir e saber que fim levou esta história? Hoje, aos 60 anos, Gilberto Dionísio relembra, com um sorriso no rosto, como nasceu o famoso “Lobisomem de Mandaguari”, que ficou para a história da cidade.
Origem do Lobisomem
A história começou no início da década de 1990, quando Gilberto, então com pouco mais de 20 anos, e um amigo decidiram dar vida às histórias que ouviam desde crianças. Inspirados em lendas populares como a mula sem cabeça e outras assombrações do imaginário brasileiro, eles escolheram o lobisomem como personagem principal. A escolha não foi por acaso: era uma figura conhecida, temida e relativamente fácil de reproduzir.
Com materiais simples, mas muita vontade e criatividade, eles criaram uma fantasia impressionante. A roupa, feita com tecido peludo, cobria todo o corpo. Máscara, garras improvisadas e movimentos ensaiados completavam o visual. O resultado era tão realista que enganava facilmente quem cruzasse com a “criatura” no caminho. “A gente fazia tudo bem feito mesmo… urrava, chacoalhava os pés de café. O pessoal acreditava que era de verdade”, relatou ele entre risos.
E não demorou para o plano ganhar as ruas, ou melhor, os carreadores e estradas rurais da cidade. Aproveitando a pouca iluminação da época, eles se escondiam em pontos estratégicos, especialmente nos trajetos por onde estudantes passavam à noite. Bastava o momento certo: um barulho no mato, galhos se mexendo, um uivo bem ensaiado e, de repente, o lobisomem surgia. “Muita gente não saía de casa à noite. Teve até uma senhora que desmaiou de susto”.
Lenda do Lobisomem de Mandaguari
O susto era garantido. Correria, gritos e histórias que se espalharam rapidamente. Em pouco tempo, Mandaguari inteira comentava sobre a misteriosa criatura. Programas de rádio passaram a relatar as “aparições”, sempre cercadas de suspense. A cada nova história, o mito crescia. “O nosso objetivo era aparecer na rádio. Toda semana tinha notícia que o lobisomem tinha aparecido em algum lugar. Ninguém sabia que era nós, a gente assustava e sumia rapidinho”.
O final da pegadinha
A brincadeira, que acontecia a cada duas ou três semanas, durou quase cinco anos. Durante esse período, ninguém sabia ou desconfiava de quem estaria por trás da fantasia. O segredo só veio à tona quando a dupla foi surpreendida por um policial durante uma das suas ações. Levados para a delegacia, foram advertidos e levaram uma grande bronca. A roupa foi apreendida e, segundo Gilberto, pode estar guardada até hoje.
Mesmo após a revelação, a fama não desapareceu. Pelo contrário, o apelido “Lobisomem” passou a acompanhar Gilberto definitivamente. Até hoje os moradores o chamam pelo apelido, ou apenas de Lobo, e muitos apontam e contam a história para os mais jovens, mantendo viva a memória daquela época. “Até hoje o pessoal me aponta na rua e fala: ‘olha lá, o lobisomem’. Ficou, né?”.
Gilberto não demonstra arrependimento. Para ele, era um tempo diferente, em que brincadeiras assim eram vistas com outros olhos. “Eu não me arrependo de nada, se eu fosse moleque de novo, eu faria tudo de novo”.
A história do Lobisomem de Mandaguari se transformou em um verdadeiro patrimônio oral da cidade, uma lenda viva que atravessa gerações e continua despertando curiosidade e, principalmente, boas histórias para contar. “Virou uma lenda… hoje o pessoal fala como se fosse história mesmo da cidade”, finalizou ele.


