Cultura que não se vê por aqui

Quando olhamos para a agenda cultural de Mandaguari, observamos uma lacuna que precisa ser analisada com seriedade. Partindo do princípio de que a cidade há anos não recebe uma feira literária, um show que dialogue com públicos diferentes, ou mesmo uma apresentação teatral capaz de mobilizar a comunidade, o cenário que se apresenta é de limitação, não de falta de potencial.

Poderíamos citar grandes espetáculos e nomes renomados que circulam por centros maiores, mas o problema, neste caso, não está apenas na ausência do que vem de fora. Ao olhar para dentro do município, é possível identificar inúmeras pessoas talentosas, produtores culturais, artistas independentes e entusiastas que, na prática, não recebem a devida atenção, incentivo ou espaço.

O apoio à poesia ilustra bem essa realidade. Em determinado momento, anunciou-se a realização de um sarau mensal, iniciativa que, em tese, contribuiria para fortalecer a cena cultural local e estimular a produção artística. No entanto, o que se viu foi a realização de apenas uma edição, sem continuidade, sem calendário e sem explicações claras à comunidade que aguardava pela proposta.

Esse tipo de descontinuidade não apenas enfraquece projetos específicos, mas também compromete a confiança do público e dos próprios agentes culturais. A cultura exige constância, planejamento e compromisso. Não se constrói um público, tampouco uma identidade cultural sólida, com ações isoladas ou pontuais.

Além disso, é necessário ampliar o entendimento sobre o que significa investir em cultura. Diversificar programações não é apenas uma questão de gosto, mas de inclusão. Quando se oferece sempre o mesmo tipo de evento, limita-se o acesso e exclui-se uma parcela significativa da população que não se vê representada naquela programação.

Mandaguari não carece de talento. Carece de estrutura, de incentivo e, sobretudo, de prioridade. Enquanto a cultura continuar sendo tratada como algo secundário, seguirá distante da rotina da população, restrita a momentos esporádicos, sem impacto duradouro.

E assim, entre promessas que não se consolidam e iniciativas que não avançam, permanece a sensação de uma cidade que poderia produzir muito mais do que consome. Uma cultura que existe, mas que insiste em não se fazer presente.