Copa do Mundo movimenta Mandaguari, aquece comércio e reacende esperança pelo Hexa

A cada quatro anos, a Copa do Mundo transforma a rotina dos brasileiros. As ruas e casas ganham as cores verde e amarela, as famílias se reúnem para acompanhar os jogos e o comércio encontra uma oportunidade de aquecer as vendas. Em Mandaguari, a edição deste ano já mostra sinais claros desse movimento: álbuns de figurinhas se tornaram febre entre crianças e adultos, itens decorativos relacionados ao Brasil registram alta procura e comerciantes apostam no avanço do Brasil na competição para impulsionar ainda mais a economia local.

Em diversos pontos da cidade, a expectativa pela Copa do Mundo e a Seleção Brasileira pode ser percebida nas vitrines das lojas, nos grupos de troca de figurinhas e nas conversas entre torcedores e amantes do futebol. Para comerciantes e colecionadores, o maior torneio esportivo do mundo representa muito mais do que futebol: é um momento de convivência familiar, socialização e fortalecimento da economia.

Febre dos álbuns de figurinhas

Se existem símbolos tradicionais da Copa do Mundo, um deles é o álbum de figurinhas. Em Mandaguari, a procura pelo produto surpreendeu comerciantes e colecionadores.

Na Livraria do Valdecir, os números impressionam. Segundo o proprietário Valdecir, desde o lançamento da coleção, no final de abril, a procura tem sido imensa. “Tem vendido muito álbum e muita figurinha. Todo dia após o almoço nós fazemos as trocas e o pessoal vem não só de Mandaguari, mas da região inteira”, relata.

A livraria já comercializou cerca de 120 álbuns, entre versões capa mole e capa dura. Somente em pacotes de figurinhas, mais de oito mil unidades foram vendidas até agora. Cada pacote tem 7 figurinhas, ou seja, cerca de 56 mil figurinhas foram vendidas na loja. O movimento é tão intenso que as trocas se tornaram um evento diário, reunindo crianças, adolescentes, pais e até avós.

Na sorveteria Gela Boca de Mandaguari, a movimentação também é intensa. O gerente Rodrigo Silva explica que o estabelecimento criou um clube de troca justamente para atender a demanda crescente dos colecionadores. “Além de vender os álbuns e figurinhas, oferecemos um ambiente confortável e seguro para as famílias. Tem gente que passa duas ou três horas trocando figurinhas e criando novas amizades”, afirma.

Para Rodrigo, o sucesso do álbum vai além da coleção. “O álbum cria memórias. Você vê pais, filhos, avós sentados juntos. É um momento que aproxima gerações e fortalece amizades”.

Trocas ensinam e aproximam pessoas

Os encontros para troca de figurinhas se transformaram em um fenômeno social na cidade. Em alguns dias, os eventos reúnem entre 30 e 50 pessoas.

Rodrigo Silva destaca que a experiência proporciona aprendizados importantes para as crianças. “Eu vi crianças de sete ou oito anos negociando figurinhas com adultos, aprendendo sobre valor, troca e respeito. É algo muito positivo”.

O vereador Wanderlei Lukachewski, colecionador de longa data, foi um dos primeiros da cidade a completar o álbum. Em cerca de quinze dias ele e seu filho completaram 3 álbuns, sendo um deles de capa dura e edição para colecionador. Ao todo, cerca de 500 pacotes de figurinhas foram compradas, já que para completar um álbum são necessárias quase mil figurinhas.

Wanderlei coleciona o álbum desde a edição de 1994, ano em que marcou a conquista do tetracampeonato pela Seleção Brasileira numa edição da Copa que também foi sediada nos Estados Unidos.

Ele também observa esse impacto social dentro de casa. Seu filho de oito anos, que participou da montagem do álbum, passou a demonstrar maior interesse pela Seleção Brasileira e pelos jogos. “Na última Copa ele tinha apenas quatro anos e não entendia muito bem o que estava acontecendo. Agora ele acompanha os jogadores, quer assistir às partidas e demonstra muito mais interesse pelo futebol”.

Comércio aposta no verde e amarelo

Além das figurinhas, os itens decorativos relacionados à Copa e ao Brasil também vêm registrando forte procura.

Na loja Reino da Festa, especializada em doces e artigos para festas, a proprietária Walquíria Alonso afirma que o movimento deste ano supera o observado na edição anterior do torneio. “Eu sinto que o pessoal está bem mais animado. Já tivemos que repor estoque de figurinhas, álbuns e bandeirinhas. As bandeirinhas estilo festa junina estão vendendo muito”.

A loja oferece desde bandeiras e cornetas até balões, guardanapos, copos temáticos, TNTs decorativos, acessórios para carros e itens para pintura facial. Segundo ela, a coincidência entre Copa do Mundo e festas juninas deve potencializar ainda mais as vendas. “O pessoal vai decorar a casa, fazer churrasco e assistir aos jogos. A Copa acontece de quatro em quatro anos. Acho que nos dias dos jogos o foco vai ser a Seleção”.

A expectativa é compartilhada também pelo presidente da Aceman e vereador, Fábio Sukekava. Para ele, o clima de Copa já pode ser percebido no comércio local. “A gente vê movimentação nos locais que vendem figurinhas, roupas temáticas e produtos personalizados. Os comerciantes estão bem esperançosos”.

Segundo Fábio, a associação comercial está apoiando empresas que trabalham com produtos da Copa por meio de ações de divulgação nas redes sociais. “Nossa equipe de marketing está produzindo conteúdos para ajudar esses comerciantes a divulgarem seus produtos e ampliarem as vendas”.

Expectativa pelo desempenho da Seleção

Se o comércio aposta no sucesso da Copa para aumentar o faturamento, os torcedores também começam a recuperar a confiança na Seleção Brasileira.

Nos últimos anos, muitos brasileiros demonstraram um distanciamento em relação à equipe nacional. Para Wanderlei Lukachewski, essa desconexão é um fenômeno que merece reflexão. “O brasileiro continua apaixonado por futebol, mas existe uma perda de ligação com a Seleção. A CBF precisa entender por que isso aconteceu e trabalhar para reconectar o torcedor com o time nacional”.

Mesmo assim, ele acredita que o álbum de figurinhas tem contribuído para aproximar as crianças da Seleção. “O álbum ajuda a despertar interesse pelos jogadores, pelos jogos e pela própria Copa”.

Rodrigo Silva, do Gela Boca, também percebeu uma mudança no clima entre os torcedores após os primeiros amistosos da equipe. “O brasileiro é apaixonado por futebol. Pode reclamar, pode criticar, mas na hora da Copa do Mundo acaba torcendo. Depois do jogo contra o Panamá, a empolgação aumentou bastante”.

O sonho do Hexa

Embora a Seleção não chegue ao torneio apontada como favorita absoluta, o sonho do sexto título mundial continua vivo entre os brasileiros. Para comerciantes, uma boa campanha e marketing esportivo representa mais vendas, mais movimento e mais oportunidades de negócios. Para os torcedores, significa a possibilidade de reviver a emoção que há décadas acompanha a história do futebol brasileiro.

Em Mandaguari, essa combinação de paixão pelo esporte, tradição dos álbuns de figurinhas, decoração temática e encontros entre famílias já começou a transformar a cidade. Enquanto as figurinhas são trocadas, as bandeiras são penduradas e os comerciantes reforçam seus estoques, cresce também a expectativa de que a Seleção Brasileira avance na competição.

Se o Hexa virá ou não, apenas os jogos e jogadores responderão. Mas uma coisa já é certa: a Copa do Mundo voltou a ocupar espaço no cotidiano dos mandaguarienses, movimentando o comércio, aproximando pessoas e reacendendo um sentimento que atravessa gerações. Afinal, em tempos de Copa, o futebol continua sendo uma das poucas paixões capazes de reunir as pessoas em torno de um mesmo sonho: ver o Brasil ser campeão do mundo mais uma vez!