Notas da Semana
NOTAS DA SEMANA
Coluna do dia 27 de fevereiro de 2026
Suspenso
Estava prevista para os próximos dias a realização das avaliações médicas dos candidatos que participam do concurso para a formação da Guarda Municipal de Mandaguari. No entanto, o processo foi novamente suspenso.
Versões
Na versão oficial divulgada pela Prefeitura, o motivo seria a necessidade de promover “adequações no cronograma do certame”. A divulgação feita pelo município dá a entender que a interrupção envolve apenas as avaliações médicas, mas a situação não é bem assim.
Denúncias
O motivo real é muito mais sério. A suspensão ocorreu por recomendação do Ministério Público, que recebeu denúncias e constatou uma série de irregularidades na realização da avaliação psicológica dos candidatos.
Irregularidades
Entre os problemas apontados estão a atuação indevida e possível conflito de interesses de uma pessoa durante as avaliações psicológicas, além da permanência indevida de representante da empresa organizadora do concurso nessa etapa do processo.
Sem embasamento
Também foi constatado que a empresa não estaria realizando as entrevistas devolutivas com os candidatos submetidos ao teste. Em vez disso, os organizadores estariam apresentando apenas laudos genéricos que, além de não conterem fundamentação individualizada e técnica, reproduzem o mesmo texto para candidatos diferentes.
Comprometido
Esses fatos, segundo o entendimento do MP, comprometem a transparência do certame e retiram dos candidatos o direito ao contraditório e à ampla defesa.
Grave
Irregularidades dessa natureza, nessa etapa do processo, são extremamente graves. A forma como as avaliações psicológicas supostamente teria ocorrido pode abrir margem para dúvidas sobre a lisura do certame e eventuais favorecimentos indevidos a determinados candidatos.
Armas
Outro ponto é que os guardas municipais utilizarão armas de fogo no dia a dia. Precarizar a avaliação psicológica desses profissionais durante o processo seletivo significa colocar em risco a segurança de toda a população.
Bronca
Na sessão da Câmara da última segunda-feira, os vereadores não economizaram nas críticas à conduta da prefeita Ivonéia e à forma como ela vem tratando os parlamentares, principalmente aqueles que compõem sua base de apoio no Legislativo.
Shows
Um dos motivos que levaram a esse descontentamento foi o não cumprimento da lei aprovada pelos vereadores, e sancionada pela própria prefeita, que prevê a realização de audiências públicas para definir os shows promovidos pela administração municipal.
Falas duras
“Situação deplorável”; “Desprezo com a Câmara e os vereadores”, “Atitude que pode ser legal, mas é imoral”; e “Forma arcaica e ridícula de ludibriar a população”. Esses foram alguns dos termos utilizados pela edilidade para definir a postura da prefeita.
Triste fim
Criada em 2004 com o objetivo de fomentar a economia, apoiar pequenas empresas e estimular a geração de empregos, a Colmeia Industrial de Mandaguari deixou de cumprir seu propósito na atual gestão e se tornou um problema para os moradores das imediações.
Lixão
Nos últimos anos, as empresas que ali funcionavam tiveram que desocupar os barracões e o local passou a ser utilizado pela administração municipal como depósito de móveis velhos e outros materiais inservíveis. Com isso, a estrutura, que já ajudou a alavancar empresas hoje destacadas nacionalmente, transformou-se em um verdadeiro lixão, servindo de criadouro para ratos, baratas e outros insetos.
Reforma
A reforma no prédio da Prefeitura já se estende há tanto tempo que, antes mesmo de ficar pronta, a estrutura já estaria precisando ser reformada novamente. Há informações de que o telhado, que foi a primeira etapa executada na obra, apresenta problemas. O volume de água que estaria entrando no prédio em dias de chuva seria tão grande que foi preciso interromper a instalação dos acabamentos em gesso para evitar novos prejuízos.
Crateras
Verdadeiras crateras, provocadas por problemas nas redes de galerias pluviais, estão surgindo em praticamente todas as regiões da cidade. Em alguns locais a situação já coloca em risco a segurança de motoristas, motociclistas e ciclistas, porém ainda não se viu nenhuma movimentação efetiva da Prefeitura para resolver o problema.
Tartaruga
Há tempos a coluna não abordava esse assunto, por acreditar que a questão já estivesse solucionada. Mas o fato é que, passados mais de três anos desde que a Prefeitura comprou aparelhos de ar-condicionado para todas as escolas municipais, ainda há instituições sem os equipamentos instalados por falta das adequações necessárias na rede elétrica.
Quiçaça
Quem vê de longe pode pensar que Mandaguari adotou um novo modelo de jardinagem nas vias públicas. Mas basta chegar mais perto, para constatar que é o mato crescendo viçoso em plena área central, no cruzamento de duas das principais e mais movimentadas vias da cidade. Uma situação como essa, nesse local, diz muito sobre a forma como a cidade vem sendo administrada.

Prioridades
E mesmo sem conseguir resolver esses e tantos outros problemas que afetam o dia a dia, a segurança e a qualidade de vida da população, a administração municipal já se prepara para as festas de fim de ano.
Projeto
Projeto enviado recentemente à Câmara prevê suplementação orçamentária de mais de R$ 4 milhões para, entre outras finalidades, custear as festividades natalinas. Entre os itens listados estão reforma de enfeites de Natal, locação de decoração temática, realização de espetáculos culturais, chegada do Papai Noel, locação de brinquedos, som e iluminação, painel de LED, tendas, banheiros químicos, geradores, serviços de segurança, estrutura de camarins e pagamento de taxas ao Ecad.
Contraste
Infelizmente, não se observa a mesma agilidade quando se fala em investimentos em áreas essenciais da administração.
Vetou
A Câmara de Mandaguari acatou o veto parcial da prefeita ao projeto do vereador Fabio Sukekava, que estabelecia a obrigatoriedade de instalação de placas em obras públicas municipais paralisadas, com explicação dos motivos da interrupção. Uma das justificativas apresentadas foi a de que essas informações já constam no Portal da Transparência e que a instalação de placas seria medida “antieconômica, que acarreta prejuízo ao erário”. Então tá…
É lei
Desde 2019, o Paraná possui lei que garante isenção de pedágio para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), deficiências físicas e doenças graves ou degenerativas que realizam tratamento fora do município de residência.
Mas…
O contrato de concessão firmado com a concessionária EPR não prevê o cumprimento dessa lei. Questionada pela coluna, a empresa informou, por meio de nota, que a isenção está prevista apenas para veículos oficiais e de emergência, além de motocicletas e triciclos.
Não é comigo
Diante da resposta, a coluna entrou em contato com a Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística para saber qual seria o posicionamento do Governo do Estado. Mesmo tratando-se do descumprimento de uma lei estadual, a Secretaria informou que o questionamento deveria ser direcionado à ANTT, órgão responsável pelas novas concessões.
Sem resposta
Procurada, a ANTT não retornou até o fechamento desta edição.
Rejeitaram
De acordo com o deputado Arilson Chiorato, a questão foi levantada durante a tramitação do projeto de concessão das rodovias. Foram apresentadas emendas para garantir essas isenções e também a gratuidade para moradores de municípios vizinhos separados por praças de pedágio. As propostas, porém, não foram aprovadas pela base aliada do governador, que detém maioria absoluta na Assembleia Legislativa.
Como era
No antigo contrato de concessão, o trecho urbano da BR-376, que inclui a Perimetral, parte da Rua Princesa Izabel, a Avenida Amazonas (do Móveis São Bento até o PAM) e a rodovia do PAM até a saída para Marialva, estava sob responsabilidade da concessionária Viapar. Por isso, a Prefeitura não podia realizar intervenções, ficando a manutenção a cargo da empresa.
Como ficou?
Até agora, não há informação oficial esclarecendo se esse trecho está sob responsabilidade de alguma das atuais concessionárias que administram as rodovias que passam por Mandaguari ou se voltou a ser de responsabilidade do município. Questionada, a assessoria da Prefeitura informou que, no ano passado, o município solicitou ao DNIT a municipalização do trecho e que o pedido está em análise.
Como vai ficar?
Outra questão que gera dúvidas é como ficará o atual acesso à Estrada Terra Roxa para quem trafega no sentido a Mandaguari. Da forma como está, motoristas poderão utilizar a via para desviar do pórtico de cobrança de pedágio. Mas existe garantia de que o retorno permanecerá aberto após o início da cobrança?
Não se manifestou
Segundo a Prefeitura, até o momento a concessionária não enviou manifestação oficial indicando intenção de fechar o retorno. Mas o fato é que, se decidir fazer isso, dificilmente a EPR pedirá autorização ou avisará previamente a administração municipal.
Vai esperar?
Ao invés de deixar como está para ver como é que fica, a Prefeitura deveria se antecipar, buscar essa informação e, se necessário, recorrer judicialmente para garantir ao menos esse benefício aos moradores.
E aí?
Por outro lado, se o acesso permanecer aberto e não houver controle por parte do município, em poucos dias o pavimento com pedras irregulares da Estrada Terra Roxa poderá ser destruído pelo tráfego intenso de carros e caminhões pesados.
Não pode impedir
A coluna também fez esse questionamento à Prefeitura. A resposta foi de que a administração municipal não possui competência legal para restringir ou negar o acesso de veículos de outras cidades por se tratar de vias públicas, não sendo possível condicionar o uso à municipalização ou à identificação de moradores.
Antes podia?
Mas num passado não tão distante já houve esse controle de acesso. Durante vigência do acordo resultante do Movimento Tarifa Zero, apenas carros com placas de Mandaguari e Marialva podiam utilizar esta via, conforme mostra a placa existente no local.

Edição concluída às 14 horas do dia 27/02/2026.
