Mandaguari

Ser aluno na pandemia

Confira artigo escrito por Dercílio Santana Júnior e publicado na 352ª edição do Jornal Agora

Começar um ano letivo, sempre foi motivo de felicidade, uma escola “nova”, novos amigos, professores dispostos a ensinar tudo o que sabem da melhor forma possível.   Felicidade também em nos reencontrarmos na escola, falar com amigos que não víamos há um tempo e observar as mudanças que nos ocorreram e como amadurecemos com o passar das nossas férias.  O estudo e a escola são maneiras de unir as pessoas.

No início de cada ano vamos nos adaptando a correria, as matérias novas, ao modo de trabalhar de cada professor, fazemos novas amizades e vamos evoluindo e apreendendo sempre mais. Porém nesse ano, o Corona vírus apareceu, uma Pandemia tomou conta do mundo. Os abraços agora não existem, as conversas estão online, os corredores das escolas estão frios, o medo se tornou presente, a ansiedade tomou conta e o mundo parou. Quando percebemos, todos estavam em suas casas, longe dos amigos, dos professores, a escola virou sinônimo de saudade.

Os estudos não podiam parar e nós alunos tivemos que nos adaptar. As aulas online acontecendo, todos perdidos sem saber o que fazer.  Os professores nos estenderam as mãos, nos deram todo o apoio. Muitos tiveram que aprender sobre novas tecnologias, não desistiram, seguem firmes e confiantes.

Ser aluno em meio a Pandemia me fez perceber que somos fortes, que quem se importa com o futuro e com a educação não deixa de estudar e não relaxa dos seus compromissos.  Confesso que no início foi complicado, tive crises, raiva, medo, assim como muitos.  Não sabia lidar muito bem com a situação, mas, não quis parar, eu fiz e refiz rotinas, me organizei, assisti vídeo aulas e ao novo fui me adaptando.  Porque hoje somos o presente, mas amanhã o futuro depende de nós.

A saudade é a maior presença nesse período, as explicações da sala de aula e a liberdade de fazer perguntas e sanar nossas dúvidas, nos faz muita falta. O olhar de um professor que ama e que levanta todos os dias, por mais difícil que seja o ensino remoto, é o nosso refúgio. Temos a certeza nesse momento que a educação presencial é essencial e insubstituível em nossas vidas.

Assim como nossos professores tiverem que se reinventar, reaprender e achar a melhor forma de nos ensinar, nós alunos, tivemos que reaprender a ser alunos, colocar em prática a paciência, a persistência, a compaixão e compreender que tudo tem seu tempo.

Eu era apenas um aluno tímido e retraído, e hoje me tornei um aluno poeta que sonha e acredita em um mundo mais justo e que sabe que a Educação é o único caminho.

Que nesses dias de desespero, possamos ter paz no coração. Fazer uma oração, ter gratidão a Deus por estarmos vivos e com saúde.

Estamos longe das pessoas e do “mundo”, mas não devemos desistir dos nossos sonhos, faça do seu sonho a sua trajetória.

Espero que em breve estejamos em cadeiras, ouvindo explicações e fazendo reflexões. Aprendendo e criando. Que esse momento seja parte da nossa história e que seja lembrando como um momento importante, que passou.

*Dercílio Santana Júnior é escritor e aluno da sala de altas habilidades da Escola Estadual São Vicente Pallotti