Paraná

Sem medidas mais duras, sistema de saúde do Paraná pode colapsar em um mês, aponta pesquisa da UFPR

(Foto: Franklin de Freitas/Bem Paraná)

O Paraná apresenta uma das maiores taxas de reprodução do novo coronavírus em todo o país e, se não forem tomadas medidas mais rígidas de distanciamento social, o sistema de Saúde Pública pode entrar em colapso nos próximos 30 dias. É isso o que revela um estudo do Departamento de Estatística da Universidade Federal do Paraná (UFPR), feito em parceria com o Hospital de Clínicas de Curitiba e divulgado no último domingo (14 de junho). 

Até terça-feira (16), os pesquisadores estimavam que a taxa de reprodução do novo coronavírus estava em 1,44 no estado. Na prática, isso significa que cada duas pessoas infectadas estão contaminando outras três, em média, o que indica um avanço exponencial da pandemia por aqui. Em todo o país, apenas os estados de Mato Grosso do Sul (2,57) e de Goiás (1,72) apresentaram taxas mais elevadas do que a paranaense. O Mato Grosso (1,4) e o Distrito Federal (1,38) aparecem logo em seguida.

Para conseguir estabilizar a pandemia, a epidemiologia indica ser necessário uma taxa de transmissão do vírus de 1,0 ou menor — ou seja, que cada infectado transmita a doença para mais uma pessoa, no máximo.

Em nota técnica divulgada ontem, a Comissão de acompanhamento e controle de propagação do novo Coronavírus da UFPR destacou que o índice de isolamento social no Paraná está em tendência de queda e ainda apontou, com relação à taxa de reprodução da doença, que "a epidemia não está controlada no Estado do Paraná e está em crescimento exponencial", com o número de casos dobrando a cada 17 dias, aproximadamente.

“A aceleração da disseminação da COVID-19 é motivo de preocupação no Estado do Paraná, sugerindo que medidas de distanciamento social mais estritas devem ser impostas, sob o risco do Sistema de Saúde Pública estar próximo de entrar em colapso nos próximos 30 dias, de acordo com modelo preditivo da evolução da COVID-19 apresentado pela Universidade Washington”, escrevem os pesquisadores na nota técnica da UFPR.

Número alto de casos novos irá até agosto, pelo menos

O tão aguardado ‘retorno à normalidade’ ainda deve demorar para acontecer, indica ainda o estudo da UFPR. É que as projeções feitas pelos pesquisadores mostra que o Brasil deve registrar um número alto de novos casos até, pelo menos, o mês de agosto, com as projeções aumentando continuamente.

“As medidas de distanciamento social, efetivas para reduzir a disseminação da doença e achatar a curva da COVID-19, não permitirão zerar a transmissão da COVID-19 no Estado do Paraná enquanto não houver uma vacina eficiente disponível, de modo que avaliamos que a circulação do novo coronavírus se estenda ainda por muitos meses adiante”, escrevem os pesquisadores na nota técnica divulgada no domingo pela UFPR.

A afirmação vem de encontro ao que já havia falado a secretaria de Saúde de Curitiba, Marcia Huçulak, em live recente feita pela Prefeitura de Curitiba. “Nós vamos ter de conviver muito tempo com a máscara. A pandemia tem feito mudança de hábitos e estamos em estado de alerta constante. Só vamos ter normalidade quanto tiver uma vacina. Antes disso, esqueçam. E isso é pára daqui um ano, um ano e meio. Até lá temos de conviver com as medidas de distanciamento e isolamento social.”