Policial

Registrado o primeiro homicídio de 2019

Briga familiar por conta de meio terreno seria a motivação do crime

Às 11h de sexta-feira (18), Mandaguari foi surpreendida com a primeira notícia de homicídio deste ano. Honório Watanabe, de 57 anos, foi a vítima. Ele estava em sua chácara, localizada na Rua Dorival Marcondes César, no Jardim Novo Horizonte, quando foi morto com três tiros.

 

O crime

De acordo com informações, Honório teria sido chamado pela sobrinha, Andressa de Assis Watanabe, 24 anos. Assim que saiu do imóvel, foi alvejado por três tiros que teriam sido disparados pela jovem. O morador veio a óbito instantaneamente.

Andressa teria se evadido do local a pé e foi localizada no Parque da Pedreira minutos depois, juntamente com a irmã, Hellen de Assis Watanabe, 33 anos. Uma autoridade policial contou à reportagem que as irmãs confessaram a autoria do crime ao serem abordadas e foram encaminhadas à 55ª Delegacia de Polícia Civil, onde conversaram com a imprensa e passaram a negar envolvimento no caso.

Andressa se mostrou surpresa ao saber que estava sendo apontada como autora dos disparos. “Eu não fiz nada. Não tenho arma nenhuma. Como eu ia conseguir uma arma?”, disse. Já Hellen permaneceu agachada, cobrindo o rosto. Apesar de ter afirmado inicialmente que não falaria nada, conversou com repórteres após ser questionada se havia uma terceira pessoa envolvida no crime. “Fomos levar as roupas e só tinha a cadeirinha de bebê no banco de trás, não tinha mais ninguém. ”

Ao ser perguntada se havia matado um familiar, negou. “Eu não fiz isso. A pessoa que fez deveria ser presa. Eu não sei quem é. Como que uma pessoa mata um familiar? Não sei. Eu quero o meu advogado, por favor”, finalizou.

 

A investigação

Os primeiros passos para a investigação que solucionará o crime começaram já no local. Policiais conversaram com testemunhas e a informação é de que uma terceira pessoa estaria envolvida no assassinato. Câmeras de monitoramento próximas ao local teriam flagrado um homem trajando uma camiseta vermelha acompanhando as irmãs, dando cobertura para a ação. O automóvel que Hellen conduzia foi apreendido e recolhido ao pátio da 55ª Delegacia de Polícia Civil.

 

As defesas

A reportagem conversou com Reinaldo Orejana Faria, advogado de Hellen Watanabe. Ele afirmou que as jovens são inocentes. “O Honório era sozinho e as duas cuidavam dele. Elas lavam as roupas do Honório e foram ao local apenas para entregar algumas peças. A Andressa estava conversando com ele, quando um ciclista parou para conversar. Esse homem teria então sacado a arma e atirado contra o Honório”, disse.

Ainda de acordo com o advogado, Hellen não estava no local. “Ela tinha deixado a irmã no local e foi ao mercado fazer compras. Quando retornou, foi avisada pela Andressa do que havia acontecido com o tio”.

Leocadia Dolores Macedo De Bacco Pansonato representa Andressa Watanabe. Ela afirmou à reportagem que o conflito se estende há anos. “A Hellen por três vezes tentou processar o tio, por conta de meio terreno que o pai delas teria vendido para o Honório. Ela diz que o valor é pequeno e que o tio enganou a família. Ontem mesmo o Honório me ligou, querendo detalhes sobre esse caso. A metade de um terreno é o motivo dessa desavença familiar”, disse.

Ainda de acordo com a advogada de Andressa, a jovem sofre de distúrbio mental e é interditada. “As investigações irão apurar se ela atirou ou não no tio, mas sei que ela é sugestionável por conta da doença grave que ela tem. Sei que ela vai contar o que a irmã pedir. A Hellen solicitou que eu atue juntamente com o advogado dela, mas é uma situação bastante difícil”, disse.

 

* Matéria divulgada na 286ª edição do Jornal Agora.