Paraná

"O novo pedágio virá com obras que nós já pagamos para que fossem feitas", dispara Requião Filho

Em entrevista à Agora FM (91,3), deputado estadual criticou novo modelo de pedágio proposto para o Paraná
(Foto: Divulgação)

O deputado estadual Requião Filho (MDB) deu entrevista nesta manhã de terça-feira (23) para a Rádio Agora FM (91,3) e falou um pouco sobre o novo projeto do pedágio e sobre a vacinação contra Covid-19 no Paraná. Confira a entrevista: 

Júlio César Raspinha: Deputado, um dos assuntos em pauta nos últimos dias é o novo modelo de pedágio...

Requião Filho: Estamos tentando resolver mais uma vez este problema que é a questão do Pedágio do Paraná.

A atual proposta do pedágio é de 30 anos de extensão dos atuais contratos e com implementação de novas praças de pedágio. Como vocês estão sentindo a acolhida nas regiões por onde vocês estão passando com as audiências públicas para discutir o novo modelo? 

Somente o governador e algumas pessoas são a favor desse modelo de pedágio que o governo federal e o governador Ratinho Júnior querem colocar. O projeto é muito parecido com o que temos hoje e o aumento de 15 praças de pedágio, degrau tarifário, e a licitação de que não é quem oferece o menor preço, mas sim quem dá mais dinheiro é um retrocesso na história. O pedágio é um grande escândalo de corrupção e querem permanecer no Paraná e nós não queremos isso.

De alguma forma a Assembleia Legislativa consegue brecar isso com uma votação? E como está a situação dos deputados com isso?

A Assembleia vai decidir apenas se alguns quilômetros de estradas estaduais podem ser entregues para serem pedagiadas ou não. As estradas federais são de responsabilidade do governo do estado e o governador foi para Brasília e disse que não queria mais ficar com essas estradas e que podem ser pedagiadas. E o que nós podemos fazer  é definir sobre as estradas estaduais, que não serão pedagiadas. Ele [governador] poderia ter ido para lá e falado que o pedágio daqui é um problema e um crime e nós queremos resolver este problema. Nós não podemos entregar as estradas federais, mas precisamos que a população pressione o governador e Brasília para que esse modelo não vá para frente.

Agora nós iremos ter audiências em Apucarana e Maringá esta semana, não é?

Exatamente. Em Maringá será quinta-feira (25) e em Apucarana será na sexta-feira (26) e iremos discutir todos os trâmites sobre o novo projeto do pedágio, principalmente o quão ficará caro para a população do Paraná. O novo pedágio virá com obras que nós já pagamos para que fossem feitas. Parte das obras do novo pedágio já estavam no antigo contrato e que não foram feitas até agora, e o governador e o pessoal de Brasília querem simplesmente que nós paguemos novamente. 

Uma definição oficial disso deve sair até quando, deputado? 

O governo federal quer fazer a licitação do pedágio ainda neste primeiro semestre, mas o governador ainda não tomou nenhuma posição oficial nem dizendo se é contra ou a favor disso, mas sabemos que é a favor porque faz dois anos que estão trabalhando nesse projeto. Eu espero que nós, deputados estaduais, consigamos pelo menos segurar isso.

Vamos falar agora sobre Covid-19. Como você está acompanhando o início da vacinação e a evolução do enfrentamento da doença?

Estou vendo muita propaganda e muitas informações sobre, mas não temos vacina. O Brasil inteiro está preparando a vacinação sem vacinas e existe uma falha enorme neste governo, uma incapacidade de fazer negociações internacionais e incompreensão da geopolítica atual. O Brasil ficará sem vacinas.  A vacina ainda é um sonho distante principalmente aqui no Paraná, que recebe uma quantidade menor do que a dos outros estados. Quando começar a vacinação será paralisado por que existe um tempo para começar a aplicar as segundas doses para dar o efeito de imunização e o estado não está levando isso em consideração. Então eu vejo que existe esta luz no fim do túnel, mas esta luz ainda está muito longe. 

E a questão da volta às aulas presenciais, como você está se posicionando diante deste assunto? 

Para mim, lugar de criança é na escola. O problema é que, por exemplo, a escola dos meus filhos tem horários diferenciados, evitando assim aglomerações, e existe todo um protocolo de segurança para as crianças. Nas escolas públicas isto não irá acontecer, porque não existe nenhum planejamento sério e nem um plano de execução para que aconteça em segurança e isso me preocupa. Eu sou favorável à volta às aulas desde que seja seguro para professores, educadores, pais e alunos, e eu não vejo nenhum tipo de planejamento que isso irá ser seguro. Podemos ver isso pelo cancelamento da prova da Polícia Civil que foi por motivos de as salas não estarem adequadas e com a devida segurança para a realização da prova, imagina então para a volta às aulas com crianças e adolescentes. Pra mim o governo só está preocupado com a propaganda e ainda não viu este quesito.

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