Mandaguari

É fogo

Hábito de atear fogo para limpar quintais e terrenos tem causado transtornos em Mandaguari

Há pelo menos 50 dias sem chuvas em volume significativo em toda a região e com a baixa umidade relativa do ar, Mandaguari vem passando por uma onda de incêndios ambientais.
Ao todo, foram 81 incêndios ambientais registrados pelo Corpo de Bombeiros em 2019. Desse montante, 31 foram atendidos em agosto. Os números aumentaram assustadoramente se comparados com agosto do ano passado, quando foram registrados quatro incêndios.
Jéssica Formanquevski, comandante do Corpo de Bombeiros de Mandaguari, relatou à reportagem do Jornal Agora que as ocorrências aumentaram muito nos últimos dias porque as pessoas estão aproveitando o clima seco e estão fazendo a limpeza de terrenos colocando fogo. Além de ser uma prática passível de multa, esse tipo de situação causa transtornos aos bombeiros, pois mobiliza a guarnição do quartel para combater algo que poderia ser facilmente evitado. 
Ainda para a comandante mesmo com as condições favoráveis para propagação de fogo, na nossa região dificilmente um incêndio começaria de forma espontânea. Para ela, as pessoas ainda são as principais responsáveis pelas queimadas iniciadas tanto nos terrenos baldios quanto na vegetação em áreas rurais.
“Recentemente tivemos uma ocorrência em área aqui de Mandaguari que precisamos do apoio dos bombeiros de Jandaia do Sul e de Arapongas e de maquinários da prefeitura para combatera as chamas que ameaçava algumas casas”, relata Jéssica. 
A comandante faz o alerta que o impacto desses incêndios vai além do incômodo da fumaça, “É comum encontrarmos animais mortos, então o impacto é muito grande”, finaliza.


Prefeitura
A reportagem também procurou o secretario de Desenvolvimento Econômico, Meio Ambiente e Turismo, do município, Paulo Conte. Ele informou que em casos de incêndios, o autor é multado inicialmente em R$ 946,95. Em casos graves, além da multa é obrigatório por lei que seja feita a comunicação ao Ministério Público, para as aplicações de sanções determinadas na legislação federal. 
Conte relata que a fiscalização faz diligências pelo Município, a fim de identificar os imóveis onde foram praticadas as infrações, e que também atua por meio de denúncias contando com o apoio da população para identificação dos locais e responsáveis pelas ações. “Já notificamos empresas do agronegócio, principalmente do ramo sucroalcooleiro, para que não utilizem queimadas para o corte da cana de açúcar”.
Outra prática que o município vem combatendo é o uso de veneno, agrotóxicos e similares para a capina e limpeza de imóveis, ”pois ao usar veneno a seca é rápida da vegetação favorece a queima criminosa”, detalha o secretário. 
Para Paulo Conte as queimadas impactam no bem-estar da população e no clima de toda a região, trazendo insegurança e desconforto sobre tudo aos que residem mais próximo às áreas afetadas. “As queimadas são infrações que desrespeitam diversas legislação ambientais e de posturas, federais, estaduais e municipais e o direito a um meio ambiente seguro e equilibrado que é um direito fundamental assegurado pela constituição”.
As denuncias contra essa prática podem ser feitas diretamente na prefeitura por meio de protocolo, sendo assegurado o sigilo do denunciante e também podem ser comunicadas à Força Verde por meio do telefone 181 ou diretamente ao Ministério Público no prédio do Fórum Municipal – Avenida Amazonas, Praça dos Três Poderes, Centro.  


Jandaia
Se Mandaguari tem sofrido com incêndios ambientais, em Jandaia do Sul a situação não é muito diferente. Segundo dados divulgados pelo Corpo de Bombeiros, Jandaia registrou 14 ocorrências do gênero entre 1 e 22 de agosto. 
Desse montante, quase a metade foi de incêndios ambientais às margens da BR-376.