Cotidiano

Confira as recomendações da equipe técnica da Cocari diante das chuvas e do frio nos próximos dias

Com a mudança nas condições climáticas observada nos últimos dias, os produtores rurais devem estar atentos para manter o bom desempenho de suas culturas. De acordo com Celso Oliveira, da Somar Meteorologia, o acumulado de chuvas até a próxima sexta-feira (21), nas áreas de ação da Cocari no Paraná, está acima da média, com previsão de 60 a 100mm. O gerente técnico da cooperativa no estado, Marcelo Luís Basso Meneguim, avaliou de que forma isso pode refletir nas lavouras de inverno. Veja também as indicações de manejo para a pecuária e a avicultura diante da queda nas temperaturas.

Milho safrinha e trigo

“A colheita do milho safrinha já está bastante adiantada. Com as chuvas, pode ocorrer o tombamento de algumas áreas, mas isso não irá refletir significativamente em termos de produtividade”, informa. Em relação à cultura do trigo, o cenário pode ser um pouco diferente. “Temos uma porcentagem em estágio avançado de maturação e um período longo de chuvas pode acarretar problemas de germinação e comprometer a qualidade do trigo. No entanto, a safra atual é bastante particular, pois foi feito um plantio bastante escalonado para a cultura do trigo em razão da quantidade de chuvas”, salienta.

Chuvas no Paraná e na região do Cerrado

Após a chuva, as áreas de abrangência da Cocari deverão passar por um período prolongado de estiagem. Conforme a Somar Meteorologia, a precipitação deve retornar só no final de setembro. “No decorrer de outubro, a chuva se torna mais intensa, alcançando 160 mm no Paraná e 140 mm em Goiás e Minas Gerais”, adianta Celso Oliveira.

Na avaliação de Meneguim, as chuvas são vistas com bastante otimismo. “Estávamos com um grande déficit hídrico, com as nascentes bastante baixas, alguns rios no Paraná, como o Ivaí e o Paraná, com baixos volumes de água. As chuvas vieram em um momento muito oportuno, de modo que teremos uma saturação de água do solo. Pensando na safra de verão, o produtor terá tempo de fazer o preparo e a dessecação dessa área. Nós temos algumas previsões que vão se encaixar perfeitamente no plantio. Na área de abrangência da Cocari, o plantio de soja começa efetivamente no final do mês de setembro e assim o produtor terá tempo suficiente para fazer os manejos, porque terá condições ideais para isso, e então iniciar o plantio de acordo com as previsões, realizando um bom plantio de soja no final de setembro e início de outubro”, destaca.  

O supervisor técnico da Cocari no Cerrado, Flávio Augusto Teixeira Cancian, explica de que forma a chuva interfere no plantio da soja. “Geralmente quando começam as primeiras chuvas, ao fim de setembro e começo de outubro, os produtores aproveitam o rebrote das plantas daninhas para fazer a dessecação pré-plantio e quando se acumula 100 mm de chuvas a soja é semeada. O plantio vai ganhando intensidade conforme o volume de chuvas e previsões”, esclarece.

Queda na temperatura

Neste final de semana, a temperatura deve cair nas áreas de abrangência da Cocari e ainda há potencial para geadas mais leves no Paraná. Diante disso, os agricultores devem tomar alguns cuidados. “Os produtores de hortifrúti deverão fazer o manejo nas estufas, com a proteção contra ventos, e aqueles produtores que têm áreas de café recém-plantadas devem fazer a cobertura das mudas com o enterrio. Nas áreas de pastagem, as baixas temperaturas degradam as plantas, por isso, é preciso adotar algumas alternativas de alimentação do rebanho tanto bovino, quanto caprino e ovino”, recomenda.

“Quanto ao trigo, as áreas em maturação não estão suscetíveis a danos com a ocorrência de geadas, mas as áreas mais novas, na fase de enchimento de grãos, podem ter a produtividade comprometida se estiverem localizadas em baixadas”, diz.

Pecuária

O médico veterinário da Cocari, Moacir Ferreira Junior, comentou sobre alguns cuidados que os produtores devem ter com os animais durante os dias mais frios. “Pensando em bovinos de corte, há dois cuidados específicos: o primeiro envolve a saúde do animal e o segundo, a qualidade das pastagens e fornecimento de volumoso e suplementos minerais de qualidade. É importante focar nos animais fracos e debilitados, pois não possuem tecido adiposo (capa de gordura), que funciona como isolante térmico, suficiente para suportar baixas temperaturas. É interessante deixar esses animais em piquetes próximos à sede da propriedade para facilitar o manejo”, orienta.

Outro cuidado importante, segundo Ferreira Junior, é o fornecimento de forragem de boa qualidade aos animais. “Após chuvas e geadas, as pastagens perdem a qualidade e, muitas vezes, até apodrecem. Dessa maneira, é importante o fornecimento de minerais proteinados ou Mix Vegetal. Para complementar a alimentação, os produtores que se programaram com silagem ou cana de açúcar já podem começar o fornecimento aos animais”, indica.

Avicultura

Diante da queda de temperatura, o produtor de aves deve estar atento a alguns pontos. Segundo o supervisor avícola da Central Aurora Alimentos, Andreo Eckel, é preciso acompanhar a qualidade do ar e a temperatura do galpão para manter um equilíbrio e proporcionar um bom desempenho das aves. “É necessário ter quantidade e qualidade de lenha seca no pátio para manter um bom aquecimento e fazer a fornalha trabalhar corretamente. Além disso, o forno deve estar montado, com boas condições de funcionamento. O produtor pode também manter a pinteira um pouco mais restrita, para ter um menor espaço de aquecimento, reduzir a ventilação respeitando um limite que mantenha a qualidade de ar, mas sem remover muito o ar quente de dentro do aviário”, orienta.

Fale com a equipe especializada

Procure os Departamentos Técnico e Veterinário da Cocari e conte com a assistência técnica especializada da cooperativa.