Esporte

Brasil e Argentina buscam vaga na final e alívio para Tite e Messi

A chegada até a semifinal aliviou uma pressão que se daria em caso de eliminação mais precoce, mas há preocupação em perder do maior rival e como será a repercussão

O clássico Brasil x Argentina pode ser traduzido por pressão, independentemente da situação das equipes no momento em que ocorre o confronto. Mas esta semifinal de Copa América, no Mineirão, potencializa a palavra sobre as duas equipes. No Brasil, Tite tenta encaminhar sua primeira final e evitar qualquer possibilidade de crise que questione seu cargo. Entre os argentinos é mais uma chance de que um dos grandes nomes da história, Lionel Messi, conquiste uma taça com a camisa da seleção. Nova derrota poderia até encurtar a trajetória do camisa 10 na Argentina, algo que dá calafrios nos "hermanos".

Presidente da CBF eleito em 2018 e que tomou posse em abril, Rogério Caboclo já garantiu que Tite fica, não importa o que aconteça na Copa América -- nos bastidores da confederação é uma certeza muito mais por falta de opções para uma troca do que por convicção de que o trabalho é insubstituível. A chegada até a semifinal aliviou uma pressão que se daria em caso de eliminação mais precoce, mas há preocupação em perder do maior rival e como será a repercussão.

"Não me sinto mais ou menos estável que o Scaloni [técnico da Argentina], cada um tem sua história, particularidade, momento. Estamos vendo como os trabalhos se constroem, eles têm realidades, têm momentos, têm gerações", disse Tite, que acredita que seu time talvez tenha que ter um desempenho melhor que o argentino pelo maior tempo que está no trabalho, quase três anos. "Mas vale lembrar que tenho nove, dez jogadores que não estavam na Copa", afirmou o brasileiro.

O último título do Brasil com a seleção principal foi em 2013, na Copa das Confederações, um ano antes da Copa-2014 e, claro, da derrota de 7 a 1 na semifinal daquele torneio. No Mineirão. O palco da tragédia em 2014 era um fantasma que parecia que perseguiria a seleção por alguns anos, mas foi Tite que fez questão de encerrar, em parte ao menos, o trauma ao marcar para Belo Horizonte jogo das eliminatórias para a Copa 2018, em novembro de 2016, justamente contra a Argentina. Um 3 a 0, fora o baile.

Quase unanimidade até a Copa do Mundo da Rússia, Tite começou a receber críticas mesmo com resultados convincentes: até agora só perdeu duas vezes à frente da seleção, em 40 partidas, nenhuma depois do Mundial -- e tem até uma vitória sobre a Argentina após a Copa, 1 a 0 em jogo realizado na Arábia Saudita. Mesmo assim as atuações não foram tão convincentes, e mesmo nesta Copa América empates sem gol contra Venezuela e Paraguai geraram desconfiança.

"Estamos com ajustes no meio de campo, na forma de jogar. Requer tempo", disse o treinador.

Do lado argentino há uma crise há anos que só aumentaria em caso de insucesso na noite desta terça. Lionel Messi, por exemplo, já ganhou o prêmio de melhor do mundo por cinco vezes, mas não tem sucesso na seleção. Na Copa-2014 e nas duas últimas Copas América perdeu a final, aumentando o enredo de que é um gênio no Barcelona, mas empaca na seleção.

A crise argentina se sustenta em números: o último título da seleção profissional foi em 1993, uma Copa América, realizada no Equador e na qual eliminaram o Brasil nas quartas de final. Desde que passou a defender o time, em 2005, Messi já teve nove treinadores diferentes. O xará Lionel Scaloni, o atual, começou como interino, foi efetivado e está longe de ser uma unanimidade. Em caso de novo fracasso, Messi provavelmente terá o décimo treinador em comando, se não decidir se aposentar, claro.

"É talvez o melhor momento que passamos defensivamente na seleção, com segurança, entrosamento, acho que todos vivem ótimo momento", disse o zagueiro Thiago Silva.

A vaga para a final vai passar por esses setores das duas seleções. E a pressão sobre os treinadores também.Curiosamente, os setores mais fortes da equipe são opostos na tentativa do título. Enquanto os brasileiros têm a defesa como referência, foram dez gols tomados nos 40 jogos com Tite, só dois pós-Copa do Mundo de 2018, a Argentina tem no ataque com Messi, Aguero, Martinez e Di Maria (que pode começar no banco no Mineirão) sua esperança, apesar de uma defesa bem frágil.