Cotidiano

"Autoestima"

Confira a Opinião de Júlio César Raspinha, divulgada na 296ª edição do Jornal Agora

Um assunto que me fascina é a maneira como algumas pessoas se reportam ao lugar em que vivem e como essa relação foi construída ao longo dos anos, ou seja, a cultura de cada região.

Por exemplo, entre países, é fácil constatar que americano adora os Estados Unidos, que franceses, britânicos e alemães possuem o mesmo sentimento em relação às suas pátrias. Seriam as condições de vida de cada um, ou outros fatores históricos estão somados nessa equação? Não tenho as respostas, e elas possivelmente devem ser bastante complexas.

Entre os estados, o gaúcho, por exemplo, cultua suas tradições, ama a sua terra e não aceita que a critiquem. O Paraná, por outro lado, não possui essas raízes, dada sua colonização multicultural. É o que imagino, pelo menos. O nordestino também ama suas raízes, e nem por isso as condições de vida na região são de primeiro mundo, o que derruba a tese do parágrafo anterior.

Na nossa aldeia, sou capaz de mais alguns exemplos para lançar tempero no tema. Maringaense e curitibano defendem suas cidades, são orgulhosos de suas belezas. Por outro lado, não é possível perceber o mesmo amor do londrinense pela própria cidade.

Todos esses exemplos não tem base em qualquer pesquisa. São somente observações de tendências, percepções e comportamentos, visão também compartilhada por pessoas com as quais converso e possuem opinião parecida.

O que forma essa visão? São fatores históricos? Qualidade de vida? Serviços públicos? Ou a soma de tudo isso? O que pesa mais? Não sei, mas vale a reflexão. E Mandaguari, o que pensa disso, e o que pensam seus moradores e ex-moradores, sobre a própria cidade? Penso que a cidade deveria se debruçar sobre o tema.