Onças no campo: riscos, prevenção e o papel da população em Mandaguari

Um ataque envolvendo uma onça contra um morador em uma estrada rural de Mandaguari reacendeu o alerta sobre a convivência entre humanos e grandes felinos do Brasil, gerando preocupação na população rural. 

Primeiro, é importante entender que ocasiões como esta são raras e na maioria das vezes o animal só está atravessando uma estrada rural e evitando o confronto com humanos. Todavia, com o avanço das áreas agrícolas, aumentam as chances destes encontros. 

Quando ocorre um ataque é geralmente ligado ao instinto de sobrevivência do animal, como: proteção a filhotes, encontros surpresa onde o animal se sente acuado ou mesmo a interferência humana. Nestes casos o melhor a se fazer é manter a calma, não correr (pois isso alerta os instintos de caça do animal) e se afastar lentamente, procurando sempre parecer maior e emitir sons firmes para inibir a aproximação. Em situações onde a investida já ocorreu, o que devemos fazer é proteger regiões vitais e tentar interromper a ação do animal, embora a principal estratégia continue sendo a prevenção.

Em casos como o ocorrido em nossa cidade, é fundamental reportar o incidente a órgãos como o IBAMA, o ICMBio e o Batalhão da Polícia Ambiental – Força Verde, para avaliação e monitoramento da área, garantindo a segurança da comunidade e a conservação da fauna silvestre. Uma das principais estratégias para evitar confrontos como este é reduzir a “atração” das propriedades rurais para predadores. Isso inclui orientar produtores a manter currais reforçados, recolher animais domésticos durante a noite, evitar deixar carcaças expostas e investir em iluminação e cercamento adequados. Os cuidados para a população incluem evitar deslocamentos em áreas de vegetação densa ou estradas rurais desacompanhadas, principalmente no amanhecer ou entardecer, período de maior atividade desses animais. 

Paralelamente, técnicos especializados realizam vistorias, instalam armadilhas fotográficas e monitoram o deslocamento dos animais para compreender seu comportamento e antecipar riscos. Em situações críticas estes órgãos (IBAMA, ICMBio e Força Verde), têm preparo para realizar a captura e relocação do indivíduo, medida aplicada de forma criteriosa. 

O mais importante é não enfrentar o animal, não caçar, visto que a caça de animais silvestres é crime previsto na Lei de Crimes Ambientais, com pena de detenção e multa a partir de R$ 5.000, agravada se o animal estiver ameaçado de extinção. Além de ilegal, a eliminação desses felinos compromete o equilíbrio ambiental, já que desempenham papel essencial na regulação dos ecossistemas.

Dra. Fabiane Masala. Bióloga, Mestre e Doutora em Biotecnologia Ambiental. Graduação em Ciências Biológicas (2008) pela FAFIMAN; Mestrado e Doutorado pela UEM (2022), no Programa de Biotecnologia Ambiental, Departamento de Biotecnologia, Genética e Biologia Celular.  Página no Instagram @bioosintese com conteúdo variado sobre o ensino da biologia.