Moradores acusam empresa de golpe em consórcios
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Um grupo de consumidores de Mandaguari relatam dificuldades para receber cartas de crédito e bens vinculados a consórcios comercializados por uma empresa do setor de motocicletas com sede em Cornélio Procópio. O caso ganhou repercussão entre clientes e já resultou em reclamações formais junto ao Procon.
Repercussão
A empresa PR Motos, fundada em 2006, atua na venda de motocicletas novas, seminovas e consórcios, incluindo grupos próprios como o “Sorte Certa”. Informações sobre o funcionamento desses grupos foram repassadas pelo vendedor de consórcios Delenilson da Silva, conhecido como “Biscoito”, que atuava na intermediação das vendas e mantinha contato direto com os clientes.
Segundo ele, parte dos grupos anteriores teria operado normalmente, com pagamentos realizados em dia. No entanto, um dos grupos mais recentes passou a apresentar dificuldades na liberação de valores, especialmente para clientes que já haviam sido contemplados.
Além de atuar como vendedor e representante nas negociações, Delenilson também foi responsável por intermediar a contratação de consórcios com diversos consumidores de Mandaguari. Parte desses clientes afirma ter adquirido os planos diretamente com ele, o que gerou, entre alguns participantes, questionamentos e cobranças em relação ao seu papel no processo.
Outro lado
Procurado pela reportagem, Delenilson afirmou que não possui vínculo atual com a empresa há cerca de três anos e meio, mas que, mesmo assim, decidiu reunir os clientes para prestar esclarecimentos e tentar contribuir na busca por soluções. Ele informou que organizou uma reunião entre consumidores e representantes ligados à empresa, além de criar um grupo de WhatsApp para centralizar informações e orientar os participantes.
Ainda segundo as informações repassadas, clientes contemplados relatam não ter recebido as cartas de crédito ou os bens previstos em contrato. Diante da situação, o grupo ingressou com ação na Justiça e passou a contar com o acompanhamento de advogados, que conduzem os desdobramentos do caso.
O caso envolve o nome do empresário Leonir Wagner Pelaquim, ligado à empresa. A reportagem tentou contato com o empresário e com a empresa PR Motos, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.
Mensagens compartilhadas entre os participantes indicam que um novo advogado foi contratado pela empresa para avaliar o caso e apresentar uma proposta de acordo. A expectativa é de uma solução extrajudicial, embora não esteja descartada a adoção de medidas nas esferas cível e criminal.
Argumentação
A justificativa apresentada pelos responsáveis pela empresa aponta para um bloqueio de recursos financeiros, o que teria impactado os pagamentos. Entre os argumentos mencionados, estão custos relacionados a deslocamentos para os atos de 8 de janeiro de 2023, informação que não possui confirmação independente.
A reportagem entrou em contato com o Procon, que acompanha o caso por meio de reclamações registradas por consumidores. O órgão informou que não há atuação conjunta com advogados ou grupos organizados, sendo a apuração conduzida com base em demandas individuais formalizadas junto ao serviço.
Os atendimentos seguem de forma administrativa e podem resultar em sanções, conforme a tramitação de cada processo.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre o número de pessoas afetadas nem sobre o montante total envolvido. O caso segue em aberto e pode ter desdobramentos administrativos e judiciais.
