Caso Magó: seis anos de um crime que marcou Mandaguari
No dia 25 de janeiro de 2026 completam-se seis anos do assassinato da bailarina Maria Glória Poltronieri Borges, a Magó, crime que chocou Mandaguari e ganhou repercussão nacional e internacional. A jovem, de 25 anos, foi encontrada morta em uma trilha próxima à Cachoeira do Massambani, na zona rural do município, vítima de violência sexual e estrangulamento.
Magó era filha dos maringaenses Daísa Poltronieri e Maurício Borges. Dedicada à arte, atuava profissionalmente na dança desde 2008, quando ingressou na Cia Pavilhão D, em São Paulo, aprofundando-se em Ballet Clássico e Dança Contemporânea. Ministrava aulas na Academia Daísa Poltronieri, era graduanda em Artes Visuais na Universidade Estadual de Maringá (UEM) e também praticava capoeira na ACCAME.
Em entrevista concedida ainda em 2020, o pai relatou o impacto da tragédia na família. “A gente está muito devastado com tudo o que aconteceu e esperando que a Justiça seja feita. Pra nós tem sido cada dia uma batalha nova, pra poder suportar essa dor”, declarou à época.
No sábado, 25 de janeiro de 2020, Magó foi até uma chácara próxima à cachoeira, acompanhada da mãe e da irmã. O local recebia um treinamento de brigadistas naquele dia. Por volta das 16h30, ela deixou a propriedade dizendo que acamparia às margens da cachoeira. Horas depois, ao notarem sua ausência, iniciaram-se buscas. No domingo, o corpo foi localizado com sinais de violência. A família acredita que ela tenha sido morta em outro ponto e deixada na trilha.
A investigação foi conduzida pela Polícia Civil de Mandaguari, que ouviu mais de 50 pessoas e realizou diligências em cidades da região. Em 28 de fevereiro de 2020, pouco mais de um mês após o crime, Flávio Campana, de 40 anos, foi preso em Apucarana. Ele já possuía antecedentes por estupro e agressão. Exames de DNA confirmaram a presença de material genético do suspeito no corpo e nas roupas da vítima.
O inquérito foi concluído em março de 2020, com indiciamento por homicídio qualificado, estupro e ocultação de cadáver. O processo, no entanto, enfrentou atrasos e recursos da defesa. Em 2024, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o acusado irá a júri popular. Ele permanece preso em uma penitenciária de Cruzeiro do Oeste, mas ainda não há data definida para o julgamento.
A morte de Magó mobilizou manifestações em diversas cidades, como Maringá, Curitiba e São Paulo, com atos contra o feminicídio e a violência de gênero. Em Mandaguari, o caso se tornou símbolo de luta por justiça e políticas públicas mais eficazes.
Em 2021, a Câmara Municipal aprovou a Lei Magó, que instituiu 25 de janeiro como o Dia Municipal de Luta e Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. A legislação prevê ações educativas e campanhas de conscientização.
A família transformou o luto em mobilização social. Maurício Borges tornou-se uma das vozes mais ativas na defesa da causa até falecer, em agosto de 2022, após um acidente na PR-444 em Mandaguari.
Seis anos depois, o nome de Maria Glória segue como símbolo de resistência e memória. Enquanto o julgamento não ocorre, permanece viva a cobrança por justiça e o compromisso de que sua história não seja esquecida.
