Café de Mandaguari ganha destaque nacional e reforça status de produto exclusivo no Brasil

Produção do noroeste do Paraná, reconhecida por sua qualidade, repercute em veículos de alcance nacional e valoriza economia regional

O café produzido em Mandaguari voltou a ganhar projeção ao repercutir em sites de notícias de alcance nacional, com matéria vinculada no portal da Gazeta do Povo destacando a qualidade e a exclusividade do produto cultivado no noroeste do Paraná.

Com tradição que atravessa gerações, a cafeicultura local é sustentada por famílias que há décadas se dedicam ao cultivo. É o caso do produtor Antônio Carlos Ricardo, de 62 anos, que afirma que a singularidade do café da região está diretamente ligada às características do solo e do clima.

O reconhecimento mais recente veio em julho de 2025, quando o café de Mandaguari conquistou o selo de Denominação de Origem (DO), concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial. A certificação atesta que o produto possui características únicas, influenciadas pelo meio geográfico, como clima, altitude e tipo de solo.

A área reconhecida inclui seis município, Mandaguari, Jandaia do Sul, Cambira, Marialva, Apucarana e Arapongas. Juntas, essas cidades formam um polo produtivo que impacta diretamente a economia regional e estadual. No Paraná, a cafeicultura reúne cerca de 8 mil produtores, sendo a maioria ligada à agricultura familiar.

Além do reconhecimento técnico, os números reforçam a relevância econômica do setor. Em 2025, o valor da saca de café no estado chegou a R$ 2.083,57. Dados do Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura, apontam que a cultura voltou a ultrapassar a marca de R$ 1 bilhão, saltando de R$ 563 milhões para R$ 1,1 bilhão em 2024.

Segundo Fernando Rosseto, o selo de Indicação Geográfica tem impulsionado a qualificação da produção. O número de produtores associados praticamente dobrou, passando de 20 para 46, enquanto a quantidade de cafés especiais também cresceu nos últimos meses.

As condições naturais da região contribuem diretamente para a qualidade do produto. Com lavouras situadas acima de 600 metros de altitude, o clima favorece o amadurecimento lento dos grãos, resultando em bebidas com perfil sensorial diferenciado, com notas florais, frutadas, acidez suave e nuances de caramelo e chocolate.

Apesar do valor agregado, a produção de café especial exige maior rigor. A colheita seletiva, muitas vezes feita grão a grão, e os cuidados no processo de secagem e torra são determinantes para alcançar padrões superiores. Ainda assim, a atividade continua sendo a base econômica de muitas famílias.

Desde 2012, Mandaguari carrega oficialmente o título de Capital do Café do Paraná, consolidando uma identidade construída ao longo de décadas.