Transição climática indica inverno mais chuvoso e temperaturas acima da média no Sul

A transição entre os fenômenos climáticos La Niña e El Niño deve influenciar o comportamento do inverno em 2026. A avaliação é de Fernando Lopes, da Cafeeira Bela Esperança, em Mandaguari, que aponta tendência de aumento no volume de chuvas e elevação nas temperaturas médias na região Sul do Brasil.

De acordo com ele, o atual cenário indica o enfraquecimento da La Niña e o início de um possível El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico. Esse processo costuma alterar o regime de chuvas e temperaturas em diferentes regiões do país. “A tendência é de um inverno com maior volume de chuva no Sul, principalmente no Rio Grande do Sul. No Paraná, esse efeito pode ocorrer de forma mais moderada, mas ainda acima dos últimos anos”, afirmou.

Apesar da previsão de mais chuva, o inverno não deve ser necessariamente mais rigoroso. Segundo Lopes, em anos de El Niño, as temperaturas médias tendem a ficar mais elevadas. No entanto, isso não elimina a possibilidade de episódios de frio intenso. “Podem ocorrer entradas de massas de ar polar e formação de geadas, como em outros anos. Ainda é cedo para afirmar a intensidade desses acontecimentos”, destacou.

O comportamento climático recente já trouxe reflexos para a produção agrícola em Mandaguari. A safra de soja, em fase final de colheita, apresentou resultados irregulares em função da distribuição desigual das chuvas.

Enquanto algumas regiões registraram bons volumes e produtividade satisfatória, outras enfrentaram períodos de estiagem, resultando em quebra na média de produção. Áreas específicas do município tiveram menor incidência de chuva em comparação a outras localidades próximas.

Segundo Lopes, fatores como o relevo influenciam diretamente na formação das chuvas, podendo causar variações significativas mesmo em curtas distâncias.

Café e risco climático no inverno

Para a cultura do café, o período de inverno exige atenção especial, principalmente em relação ao risco de geadas. O produtor destaca que já há previsão de entrada de uma frente fria de maior intensidade a partir de maio, embora ainda não haja confirmação de formação de geada.

O comportamento climático nos meses de inverno também influencia diretamente o mercado. Após um período de alta, os preços do café se estabilizaram, com as indústrias ajustando suas margens sem repassar integralmente os custos ao consumidor.

Segundo Lopes, a evolução dos preços dependerá, em grande parte, das condições climáticas no Brasil, principal produtor mundial.

Além das questões climáticas, o cenário internacional tem impactado diretamente os custos da produção agrícola. O aumento no preço do petróleo e as dificuldades logísticas elevaram o valor de insumos e do transporte.

Fertilizantes, defensivos agrícolas e fretes marítimos registraram alta significativa nos últimos anos, pressionando a rentabilidade do produtor rural. Apesar disso, os preços das principais commodities, como a soja, não acompanharam esse movimento. “Atualmente, o preço da soja está em um patamar considerado baixo, o que limita a capacidade de investimento do produtor”, explicou.

Pecuária e produção local

No setor pecuário, o cenário é mais positivo para a produção de carne, com preços considerados remuneradores. Por outro lado, a atividade leiteira enfrenta dificuldades, com baixa rentabilidade e redução no número de produtores ao longo dos anos.

Em Mandaguari, a diversificação da produção agrícola segue como característica do município, com destaque para a avicultura, que representa uma das principais fontes de renda no campo.

Embora as projeções indiquem mudanças no padrão climático, especialistas reforçam que o comportamento do inverno ainda depende da consolidação do fenômeno El Niño nos próximos meses.

Até lá, o setor agrícola mantém atenção redobrada, principalmente em relação às condições climáticas e seus possíveis impactos na produção.