Mandaguariense se forma em medicina pela USP
Natural de Mandaguari, Augusto César Vilar de Almeida, de 25 anos, acaba de concluir o curso de Medicina pela Universidade de São Paulo (USP), uma das instituições mais concorridas do país. Atualmente morando em São Paulo, ele colou grau em novembro de 2025 e participou da cerimônia de formatura em janeiro deste ano. A trajetória até a formação, no entanto, foi marcada por desafios, escolhas acadêmicas pouco comuns e muita dedicação.
Durante a graduação, Augusto participou do programa MD-PhD, que permite ao estudante de Medicina cursar simultaneamente um doutorado em Ciências Médicas. A iniciativa, comum em países como os Estados Unidos, ainda é recente no Brasil e foi implementada pela USP a partir de 2015. O programa exige que o aluno interrompa temporariamente o curso para se dedicar integralmente à pesquisa científica.
A pesquisa desenvolvida por Augusto é na área de farmacogenética aplicada à anemia falciforme, analisando a resposta de pacientes ao uso da hidroxiureia. O estudo é orientado pela professora Ester Sabino e integra uma parceria internacional com um instituto de pesquisa de São Francisco, nos Estados Unidos. Para acompanhar de perto o desenvolvimento do trabalho, o jovem passou cerca de quatro meses na Califórnia, no final de 2023.
Segundo ele, a experiência proporcionou um contraste importante entre a prática clínica e a pesquisa científica. “Saí de uma rotina totalmente prática, com contato direto com o paciente, para um trabalho altamente técnico e digital, lidando com dados genéticos e bioinformática. Depois, voltar ao internato trouxe uma nova percepção sobre como a ciência sustenta cada decisão médica”, explicou.
Apesar do forte envolvimento com a pesquisa, Augusto afirma que pretende seguir carreira assistencial. A especialidade escolhida é a oftalmologia, área que, segundo ele, combina identificação rápida do problema e alta resolutividade no tratamento. “É gratificante conseguir resolver a queixa do paciente de forma mais imediata, além de permitir um melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional”, destacou.
Em 2025, ele prestou provas de residência médica na USP e na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mas não obteve aprovação. Para 2026, os planos incluem atuar como médico generalista, principalmente em plantões hospitalares, enquanto finaliza a defesa do doutorado e se prepara para novas tentativas na residência.
Mesmo morando fora, Augusto reforça o vínculo com Mandaguari e afirma que pretende contribuir com a cidade no futuro. Filho de cardiologista e de dentista, ele diz que retornar à região faz parte de seus planos. “Saí de Mandaguari muito novo, mas foi lá que construí grande parte da minha história. Não faz sentido não olhar para trás. Quero, sim, estar presente na cidade como médico, de alguma forma”, afirmou.
Ao relembrar o caminho até a aprovação na USP, Augusto destaca os anos de estudo intenso e as frustrações ao longo do processo. Foram quatro anos de preparação entre ensino médio e cursinho, com reprovações e imprevistos, como a perda de documentos no Enem. “Não existe virada de chave em dois dias. É uma construção de anos”, ressaltou.
Para os jovens mandaguarienses que sonham em cursar Medicina, a mensagem é direta: persistência e compromisso. “Pode parecer distante, mas a gente evolui muito com o tempo. Se é realmente o seu sonho, estude, insista e seja verdadeiro com o que você quer. A caminhada é longa, mas vale a pena”, concluiu.

