Conheça as mulheres que dão nome a escolas e CMEIs de Mandaguari
No mês da mulher é impossível não lembrar das mulheres que ajudaram a construir a história de Mandaguari. Mais do que nomes em placas ou fachadas de escolas, elas representam trajetórias marcadas por dedicação, trabalho e compromisso com a educação e com o desenvolvimento da cidade.
Cinco instituições de ensino do município carregam o nome de mulheres que deixaram um legado importante para a comunidade. Professoras, educadoras e uma médica que, cada uma à sua maneira, contribuíram para formar gerações de mandaguarienses.
Conheça algumas das histórias dessas mulheres que seguem sendo lembradas diariamente por meio das escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) de Mandaguari.
Angelina Teixeira Pinheiro

A professora Angelina Teixeira Pinheiro marcou a educação de Mandaguari por sua dedicação ao ensino e à gestão escolar. Ela atuou como professora no Colégio José Luiz Gori e também foi diretora da Escola Estadual São Vicente Pallotti.
Angelina nasceu em Esteves Júnior, em Santa Catarina, no dia 25 de dezembro de 1941, filha de Vicente Teixeira e Etelvina Borges Teixeira. Ainda criança mudou-se para Mandaguari, onde iniciou seus estudos no Internato Sagrada Família, instituição mantida pelas religiosas da Sagrada Família de Maria.
Durante a juventude chegou a ingressar na vida religiosa, tornando-se postulante e posteriormente noviça em Curitiba. No entanto, decidiu seguir o caminho da educação, formando-se professora e iniciando sua carreira no magistério.
Após atuar em outras cidades, retornou a Mandaguari em 1966, quando começou a lecionar na Escola São Vicente Pallotti. Em 1968 conquistou estabilidade como professora da rede estadual. Ao longo da carreira lecionou disciplinas como Matemática e Ciências, além de exercer cargos de supervisão e direção. Em 1983 assumiu a direção da Escola Estadual São Vicente Pallotti, onde deixou sua marca como gestora comprometida com a qualidade da educação.
Após a aposentadoria no magistério estadual, continuou contribuindo com a comunidade. Entre 1993 e 1996 atuou junto à Prefeitura de Mandaguari em diversas funções, como diretora da Escola do Trabalho, vice-presidente da APMI e coordenadora de creches do município.
Pelos relevantes serviços prestados à educação e à comunidade, recebeu o título de Cidadã Benemérita de Mandaguari em 1984 e a Honra ao Mérito em 1994. Angelina faleceu em 16 de setembro de 1999, aos 57 anos. Seu legado permanece vivo na memória de alunos, colegas e moradores que acompanharam sua trajetória dedicada ao ensino.
Yolanda Cercal da Silva

Outra grande referência da educação de Mandaguari foi Yolanda Cercal da Silva, professora que ajudou a formar gerações de educadores no município.
Yolanda nasceu em 9 de novembro de 1930, em Campo Largo, no Paraná, filha de Bernardino Cercal da Silva e Anastácia Cercal da Silva. Ainda jovem ingressou no magistério e posteriormente mudou-se para Mandaguari.
Com grande dinamismo e vocação para o ensino, tornou-se diretora da Escola Normal Regional. Seu trabalho foi fundamental para a formação de professores que posteriormente atuariam nas escolas da cidade. Durante sua trajetória, Yolanda também atuou como professora da Escola Princesa Izabel em 1977 e do Colégio Vera Cruz em 1985. Seu trabalho era marcado pelo incentivo ao desenvolvimento das potencialidades dos alunos e pela valorização da educação como instrumento de transformação social.
Mais do que ensinar conteúdos, Yolanda acreditava nas pessoas e buscava despertar confiança e autonomia em seus estudantes. Muitos de seus ex-alunos se tornaram professores e profissionais que continuam contribuindo para a educação de Mandaguari.
Yolanda faleceu em 1983. Em reconhecimento ao seu trabalho e à sua importância histórica para a educação local, a escola mais antiga da cidade passou a adotar seu nome em 1986, eternizando sua contribuição para o município.
Dra. Renata Yara Táccola Hernandes

Entre as mulheres que marcaram a história de Mandaguari também está a médica Renata Yara Táccola Hernandes, considerada uma das pioneiras da cidade e a primeira médica mulher, que se tem registro, de Mandaguari.
O CMEI que leva seu nome foi inaugurado em 6 de maio de 1982, após iniciativa da APMI, que identificou a necessidade de atender crianças em idade pré-escolar no bairro conhecido como Vila Aeroporto.
Renata nasceu em uma época em que Mandaguari ainda era conhecida como Lovat. Filha de Marta Sandin Táccola e José Táccola, cresceu na cidade e seguiu carreira na medicina, formando-se pela Universidade Federal do Paraná em dezembro de 1953. Logo após a formação passou a atuar em Mandaguari, trabalhando nas áreas de ginecologia, obstetrícia e pediatria. Em uma época em que era raro encontrar mulheres na medicina, enfrentou desafios e preconceitos para exercer a profissão.
Ao lado do marido, o médico Santiago Hernandes, fundou o Hospital São Lucas, tornando-se referência no atendimento à população local e regional. Na década de 1970 especializou-se em anestesiologia para auxiliar nas cirurgias realizadas pelo marido.
Além da atuação na saúde, também contribuiu com a educação. Em 1959 foi professora do curso ginasial do Colégio Sagrada Família e, entre 1966 e 1975, presidiu a Associação de Pais e Mestres do Colégio Vera Cruz.
Renata trabalhou como médica e educadora entre 1954 e 1980. Faleceu em 1981, deixando um legado de pioneirismo, dedicação e serviço à comunidade.
Maria Terezinha Zanoni Ferreira

O nome da professora Maria Terezinha Zanoni Ferreira também está presente na educação infantil do município. O CMEI que leva seu nome foi inaugurado em 2012 em homenagem à educadora.
Maria Terezinha era reconhecida como uma profissional apaixonada pela educação e comprometida com a formação das crianças. Sempre otimista e dedicada, acreditava no potencial de cada aluno e na importância de um ensino de qualidade.
Formada em magistério, possuía licenciatura em Letras, Pedagogia e Administração, além de pós-graduação em Educação Física Infantil e Educação Infantil Pré-Escolar. Seu trabalho sempre esteve voltado para a promoção do bem-estar e do desenvolvimento das crianças na primeira infância, defendendo a importância de uma educação significativa e acolhedora.
A homenagem com o nome do CMEI representa o reconhecimento da comunidade pelo trabalho desenvolvido ao longo de sua trajetória.
Rosimeiry Ruiz Meleiro Sepulveda

O CMEI mais recente de Mandaguari também homenageia uma educadora que deixou sua marca na história da cidade: Rosimeiry Ruiz Meleiro Sepulveda, conhecida carinhosamente como “Rose”. Inaugurado em 2019, o CMEI que leva seu nome reconhece a trajetória de uma professora comprometida com a educação e com a inclusão.
Rose nasceu em Mandaguari no dia 28 de setembro de 1962, filha de Álvaro Meleiro e Dirce Ruiz Meleiro. Iniciou sua carreira no magistério em 1980, atuando na Escola Dom Jaime Luiz Coelho (APAE). Em 1989 passou a trabalhar na Secretaria Municipal de Educação, coordenando o setor de Educação Especial. Posteriormente tornou-se orientadora educacional na Escola Municipal Dr. Ary da Cunha Pereira.
Sua atuação foi fundamental para o fortalecimento da educação inclusiva no município, trabalhando diretamente com alunos com dificuldades intelectuais e apoiando famílias em situação de vulnerabilidade.
Rose faleceu em 2015, deixando um legado de dedicação, sensibilidade e compromisso com a educação. Em reconhecimento à sua contribuição, o município decidiu homenageá-la dando seu nome ao CMEI inaugurado em 2019.
Um legado que permanece vivo
As histórias dessas mulheres mostram que a educação de Mandaguari é feminina e foi construída com dedicação, coragem e compromisso com as futuras gerações.
Mais do que homenagens, os nomes das escolas e CMEIs representam o reconhecimento de trajetórias que ajudaram a transformar vidas. Ao entrar em cada uma dessas instituições, alunos e professores convivem diariamente com a memória de mulheres que fizeram da educação um instrumento de mudança.
Neste Dia Internacional da Mulher, lembrar dessas histórias é também celebrar o papel fundamental das mulheres na construção da educação e da história de Mandaguari.
