Notas da semana
NOTAS DA SEMANA
Coluna do dia 20 de fevereiro de 2026
Treta
Em uma certa prefeitura da região da Amusep, uma parceria entre ex-adversários que se tornaram aliados por conveniência parece estar se rompendo. Se isso realmente acontecer, as consequências podem ser desastrosas.
Aviso
Um dos lados já disparou “tiros de advertência”, sinalizando publicamente que sabe de muita coisa e que, se for jogado para escanteio, não vai deixar barato. As cenas dos próximos capítulos prometem fortes emoções.
Só festa
Quando o assunto é contratação de shows, a Prefeitura de Mandaguari dá um show de eficiência. Além dos R$ 770 mil que serão gastos com três apresentações no aniversário da cidade, o município já fechou contrato no valor de R$ 80 mil com a Banda Herança para se apresentar na festa junina unificada das escolas municipais. O processo de contratação foi homologado nesta sexta-feira (20). O show será no dia 13 de junho e terá duração de duas horas.
É adequado?
Além de suscitar dúvidas sobre a necessidade desse gasto, a contratação abre espaço para outro questionamento: essa banda costuma atrair público expressivo onde se apresenta. Será que é adequado (e seguro) levar para esse tipo de festa um grande público que nada tem a ver com as comunidades escolares que ali estarão? Com a palavra, os organizadores.
E a lei?
Outro ponto que merece destaque é que, mais uma vez, se ignorou a lei aprovada pela Câmara e sancionada pela prefeita, que prevê a realização de audiência pública para definir as atrações musicais contratadas para os eventos promovidos pelo município. Pela forma como a Prefeitura vem agindo, essa pode ser mais uma lei que não sairá do papel.
No escuro
Enquanto o município “investe” como nunca em shows, alguns setores essenciais sofrem com a falta de materiais. A iluminação pública é uma dessas áreas. A cada dia crescem as reclamações de moradores sobre a escuridão nas vias públicas, mas a agilidade para resolver o problema deixa muito a desejar.
Assinado
Na semana passada, a concessionária EPR assumiu oficialmente o Lote 4 das rodovias paranaenses, no qual está incluída Mandaguari. O fato de membros da administração municipal não tocarem mais no assunto reforça a tese de que a isenção ou o desconto na tarifa para os mandaguarienses está fora de cogitação.
E aí?
Mas será que nossas autoridades ao menos leram o contrato de concessão e seus respectivos anexos? E têm condições de vir a público esclarecer quais obras e melhorias estão previstas para a cidade ao longo dos 30 anos em que a empresa cobrará pedágio?
Cadê ele?
Ainda sobre o pedágio, o governador Ratinho Júnior, que foi um dos personagens centrais do processo de concessão das rodovias, simplesmente sumiu dos holofotes depois que começaram a aparecer as “armadilhas” previstas nas entrelinhas dos contratos com as concessionárias. Nem parece a mesma pessoa que aparece na foto comemorando efusivamente a realização dos leilões.

Se resguardando
De um lado, deputados estaduais da base aliada que votaram favoravelmente ao plano de concessões esperneiam nas redes sociais prometendo lutar pela solução de um problema que eles mesmos ajudaram a criar. De outro, Ratinho opta pelo silêncio, como se nada tivesse a ver com a questão, e prioriza as articulações de sua pré-campanha à Presidência da República.

Turista
Conforme havia anunciado, o prefeito de Maringá enviou à Câmara daquela cidade uma proposta de emenda à Lei Orgânica que lhe permitirá fazer viagens internacionais de até 15 dias sem precisar de autorização do Legislativo. Como a família Barros tem forte influência sobre a maioria dos vereadores maringaenses, é provável que a matéria seja aprovada.
Transparência
Na prática, viagens internacionais feitas por prefeitos costumam ser pouco transparentes. Os objetivos dessas andanças pelo exterior raramente são bem explicados, e os argumentos para justificá-las quase sempre são genéricos. Além disso, depois que as viagens acontecem, os resultados práticos quase nunca aparecem. Geralmente não há prestação de contas nem relatórios detalhando os benefícios concretos para a população.
Se a moda pega…
Não duvidem de que, se esse projeto passar, outros gestores municipais queiram seguir o mesmo caminho e propor leis semelhantes.
Controle
Para exemplificar a importância desse controle do Legislativo sobre viagens internacionais, nos últimos anos a prefeita de Mandaguari deixou de realizar duas viagens ao exterior devido ao posicionamento contrário dos vereadores. Na primeira, a saída do país foi autorizada, porém o valor liberado para as diárias ficou abaixo do solicitado e ela desistiu. Na segunda, ao perceber que o projeto autorizativo não seria aprovado, recuou e cedeu sua vaga na comitiva ao filho, Yohann, que, na condição de secretário de Governo, não precisa de autorização da Câmara para deixar o país.
Na capital
E, falando em viagens da prefeita, estão empenhados pedidos de liberação de cinco diárias para que ela vá à capital paranaense nas próximas duas semanas.
Audiência
A primeira viagem acontecerá nos dias 24 e 25, com o objetivo de participar de audiência pública sobre o pedágio.
Mulheres
A segunda viagem será entre os dias 3 e 5 de março e tem como justificativa a participação no evento “As Protagonistas do Paraná”, organizado pelo Governo do Estado em comemoração ao Dia da Mulher.
Obra
O prefeito de Apucarana, Rodolfo Mota, anunciou ontem (19) a compra de um terreno para a construção das novas sedes da Prefeitura e da Câmara Municipal. “Não vou me espantar se ficarem prontas antes da reforma da Prefeitura de Mandaguari e do barracão da Rede Ferroviária”, comentou um leitor da coluna ao tomar conhecimento do fato.
Edição concluída às 11 horas do dia 20/02/2026.
