Edição especial – Eleições 2026

Recado

A eleição do último domingo mandou alguns recados importantes no âmbito nacional, estadual e municipal.

Leitura

Resta saber se os destinatários saberão ler as mensagens contidas nos números que se revelaram após a apuração.

Rejeição

Ao todo, 15 milhões de eleitores saíram de casa para votar, mas não optaram por nenhum dos dois candidatos que passaram ao segundo turno. Além disso, 33 milhões de pessoas aptas a votar não compareceram às urnas.

Descontente

Esses números mostram que uma parte significativa da população está descontente com a polarização e não se vê representada pelas duas maiores forças políticas do país na atualidade.

Esquerda

Para a esquerda nacional, o presidente Lula perder para Flávio Bolsonaro, ainda que por um percentual mínimo, no primeiro turno, foi um golpe muito duro. O cenário que se formou é muito difícil de ser revertido.

Reconectar

Se não rever seus conceitos, adotar uma nova postura, mudar a forma de se comunicar com a população e investir pesado na formação de novas lideranças, a tendência é que os partidos de esquerda, em especial o PT, continuem perdendo espaço a cada eleição.

Apoios

No Paraná, as eleições mostraram que apoio político é importante, mas que só isso não é suficiente para vencer as eleições. Sandro Alex tinha o apoio da máquina estadual e de mais de dois terços dos prefeitos paranaenses, que também colocaram suas administrações para trabalhar em prol do candidato governista.

Surra

Não adiantou. O apadrinhado do governador Ratinho Júnior levou uma verdadeira surra do ex-juiz e atual senador Sérgio Moro, que teve o dobro de votos recebidos por Sandro Alex.

“Estratégia”

Embora tenha vencido no primeiro turno as duas eleições que disputou para o Governo, tido apoio maciço e incondicional da Assembleia durante oito anos e deva deixar o cargo com uma aprovação na casa dos 80%, Ratinho Junior se mostrou um péssimo estrategista político.

Erros

Nos cursos de marketing político, a forma como Ratinho conduziu o processo de sucessão certamente se tornará um case de como uma sequência de decisões erradas leva a um verdadeiro desastre eleitoral.

Presidência

O primeiro erro do governador foi ter se lançado candidato à Presidência, e na última hora, recuado sem deixar claro os motivos. Isso acabou afastando a possibilidade de um alinhamento com os grupos bolsonaristas, que naquele momento já haviam abraçado o projeto “Sérgio Moro”.

Senado

Também havia a possibilidade de disputar uma das duas vagas em jogo para o Senado, mas esse projeto também não avançou por conta das negociações envolvendo a composição da chapa majoritária.

Candidato

Outra postura equivocada foi a demora, para não dizer enrolação, na escolha de quem seria o candidato do grupo governista. Isso gerou um enorme descontentamento em aliados importantes, que acabaram se afastando do grupo ou não se dedicando à campanha como se esperava.

Desconhecido

A opção por Sandro Alex também se provou ter sido um grande equívoco. Desconhecido pela maioria da população, por mais que a máquina governista tenha tentado, o candidato não caiu no gosto dos eleitores.

Soberba

Por fim, a humildade foi algo que passou longe do governador e da cúpula da campanha governista. Ainda na pré-campanha, foram inúmeros alertas sobre a dificuldade de se alavancar a candidatura de Sandro Alex. No entanto, Ratinho acreditava piamente que, com sua aprovação nas alturas e o apoio de quase todos os prefeitos do estado, bastaria colocar a campanha para encantar os eleitores e ganhar a eleição.

Na real

Na teoria isso poderia dar certo, mas na prática a história foi muito, mas muito diferente. Ratinho sai do processo eleitoral muito menor do que entrou e terminará o mandato com um grande ponto de interrogação em relação ao seu futuro político.

Mandaguari

Em Mandaguari, onde o PSD também governa a cidade, a situação foi muito parecida com o que aconteceu em nível estadual. Os nomes dos candidatos apoiados pela prefeita Ivonéia foram exaustivamente trabalhados por ela e seu grupo político, tiveram estrutura de campanha na cidade e, mesmo assim, o desempenho nas urnas foi pior do que em eleições anteriores.

Caiu

Tanto Beto Preto, que ainda conseguiu se reeleger deputado federal, quanto Tercílio Turini, que desta vez não renovou sua vaga na Assembleia Legislativa, foram menos votados na cidade do que em 2022. Beto Preto teve 233 votos a menos e Turini perdeu 190 eleitores em relação ao pleito passado.

Ranking

Beto Preto ficou em quarto lugar entre os candidatos a federal que tiveram votos na cidade. Ele perdeu para o petista Arilson Chiorato e também para dois candidatos que sequer fizeram campanha na cidade: Jefrey Chiquini e Sargento Fahur. Já Tercílio ficou em terceiro lugar, atrás de Delegado Jacovós e Soldado Adriano.

Senadores

O quadro fica ainda pior quando se analisa a votação que os candidatos apoiados pela prefeita tiveram para o Senado. Alexandre Curi ficou em quarto lugar e Cristina Graeml em sexto. Somadas, as votações dos dois foram menores que as dos candidatos do PT, Gleice Hoffmann e Dr. Rosinha.

Sentiu

Uma fonte muito próxima da chefe do Executivo e que trabalhou para os candidatos apoiados por ela confidenciou à coluna que o resultado das urnas caiu como uma bomba sobre a coordenação da campanha. Mesmo assim, ele considera que o impacto sobre o grupo não foi nada perto do que classificou como “choque de realidade” que se abateu sobre a prefeita. As votações ficaram muito abaixo do esperado.

Demorou

Extremamente ativa nas redes sociais, a prefeita fez pouquíssimas publicações entre domingo, após o início da apuração, e segunda-feira. O tema “eleição” só foi citado em duas postagens publicadas quase 24 horas depois da divulgação do resultado, nas quais Beto Preto e Tercílio Turini agradeceram aos respectivos eleitores mandaguarienses.

Dúvida

Voltando a falar sobre o cenário estadual, a grande expectativa a partir de agora é com relação à postura das bancadas no Legislativo. Depois de muito tempo, tivemos um governador que se elegeu, mas não conseguiu fazer a maioria na Assembleia.

Divisões

PL, Podemos e Novo, que integraram a coligação de Sérgio Moro, elegeram 20 deputados. PSD, PP, Republicanos e MDB fizeram 25 cadeiras. PT, PV e PDT conquistaram 9 vagas.

Base

Para obter a maioria simples, Moro precisará do apoio de, no mínimo, sete parlamentares eleitos em grupos adversários. Já nas matérias mais polêmicas, que geralmente necessitam do apoio de dois terços da Casa Legislativa para serem aprovadas, ele terá que convencer 18 deputados que, pelo menos em teoria, hoje não fazem parte da sua base.

Fora

E, tanto no Paraná como em outros estados, muitos políticos tradicionais foram reprovados nas urnas pelos eleitores. Por aqui, tivemos vários casos de pessoas que tiveram grande protagonismo na cena política e que agora não se reelegeram. Entre eles estão Luiz Nishimori, Alex e Luiza Canziani, Requião pai e Requião Filho, Gleice Hoffmann, Alexandre Curi, Stephanes Junior, Beto Richa e a família Boca Aberta.

Sarney

Em âmbito nacional, pela primeira vez em 72 anos, o clã Sarney não conseguiu eleger nenhum membro da família. A partir do ano que vem, não haverá ninguém com este sobrenome ocupando cargo público.

Fortalecimento

O resultado das urnas mostra que algumas lideranças e grupos da cidade se fortaleceram bastante nesta campanha. A votação obtida por alguns candidatos será o ponto de partida para a reorganização da política local visando às eleições municipais de 2028.

Ganharam

Entre os que ganharam capital político nesta campanha estão o vice-prefeito Valdoney Hising, a equipe do PP e demais lideranças que apoiaram os candidatos do partido, Eduardo “Pinta”, Marcos Jovino e Junior Bianchini.

Ney

Embora não tenha sido o único responsável pelos resultados expressivos que Sérgio Moro, Filipe Barros, Deltan Dalagnol, Delegado Jacovós e Delegado Francischino tiveram na cidade, o fato de ter coordenado a campanha local desses candidatos e todos eles terem ficado entre os mais votados infla o capital político do vice-prefeito e pode ajudar muito nos seus planos de disputar a Prefeitura daqui a dois anos.

Progressistas

Os quatro candidatos apoiados pelo grupo do PP (Soldado Adriano, Maria Victória, Ricardo Barros e Tião Medeiros) não só aumentaram a votação que tiveram na cidade em comparação à eleição de 2022, como alguns ficaram entre os mais votados. Fizeram parte desse grupo o ex-prefeito Cileninho, o radialista Raspinha, os ex-vereadores Angelo Trintinália, Chiquinho, Claudinei Pimenta, Eduardo Carvalho e Romoaldo Velasco, os vereadores Alécio, Claudete e Montanheri, o ex-prefeito de Marialva, Celso Martini, os empresários Agnaldo Campigotto, Claudio Fachini e João Maia, entre outras lideranças.

Pinta

Outra liderança que mostrou habilidade na organização da campanha e na conquista de apoios de peso foi o diretor do Itaipu Parquetec, Eduardo “Pinta” de Miranda. Os dois candidatos a deputado pelo PT que ele e seu grupo apoiaram não só foram eleitos, mas também tiveram votações expressivas em Mandaguari. Arilson Chiorato foi o federal mais votado na cidade e Mario Verri foi um dos cinco estaduais que ultrapassaram a marca de mil votos por aqui.

Jovino

Apesar de ter adotado uma postura bem mais discreta do que em campanhas anteriores, o grupo do empresário Marcos Jovino, do qual fazem parte os vereadores Eron e Rivelino, mostrou que mantém a força eleitoral na cidade. Com o apoio desta equipe, o deputado estadual Do Carmo conseguiu mais de mil e duzentos votos em Mandaguari.

Bianchini

Quem também ganhou projeção nesta corrida eleitoral foi o dentista Junior Bianchini. Foi a primeira vez que ele organizou um grupo e coordenou uma campanha e, embora não tenha sido eleito, um dos seus candidatos, o Tenente Hélio, fez quase mil votos na cidade.