Cemitério Municipal de Mandaguari, situação atual e desafios futuros

A história do Cemitério Municipal de Mandaguari acompanha a própria formação do município e revela como o espaço foi sendo estruturado ao longo das décadas para atender às necessidades da população. O terreno onde está instalada a necrópole foi doado pela Companhia de Terras Norte do Paraná, e a construção do cemitério ocorreu em 1939, conforme registros do Livro das Inumações da Prefeitura Municipal de Londrina.

De acordo com o Livro de Registro de Óbitos – Livro 1º, página 1, o primeiro sepultamento realizado no então chamado Cemitério de Lovat ocorreu em 14 de setembro de 1939. A sepultada foi Clementina Maria de Jesus, criança branca, de 18 meses de idade, cuja causa da morte foi broncopneumonia, com óbito atestado pelo médico L. Moronha. O primeiro coveiro registrado foi o Sr. Manuel Henrique Manso. Antes da existência do cemitério em Mandaguari, os mortos eram enterrados em Rolândia, e, na ausência de transporte adequado por parte das famílias, os corpos chegavam a ser levados no bagageiro de ônibus, acomodado sobre o teto dos veículos.

Ao longo dos anos, o cemitério passou por ampliações e melhorias. Em 1953, durante a gestão do prefeito Élio Duarte Dias, o município adquiriu novos lotes junto à Companhia de Terras, ampliando a área e construindo o necrotério. Posteriormente, na administração do prefeito Manuel Donha Sanches, foi executada a construção do muro frontal e do fechamento em todo o entorno do cemitério, consolidando a estrutura física que, com adaptações pontuais, permanece em uso até hoje.

Atualmente, o Cemitério Municipal ocupa uma área total de 54.280 metros quadrados. Dentro desse espaço, restam aproximadamente 7.026 metros quadrados destinados à abertura de novos lotes. Considerando que cada lote possui 3 metros quadrados, a estimativa é de cerca de 2.300 sepulturas ainda disponíveis. Esses números indicam que o espaço físico existente permite apenas uma ampliação limitada, sem margem significativa para crescimento a longo prazo.

Em relação à infraestrutura, a principal melhoria recente ocorreu em 2023, com a realização de recapeamento interno, que recebeu um investimento de R$ 396 mil. Além disso, a Prefeitura informa a realização de manutenções de rotina, voltadas principalmente à conservação dos acessos e da área comum. No entanto, não há detalhamento público sobre outras intervenções estruturais realizadas nos últimos anos ou sobre um cronograma de melhorias futuras.

Apesar das informações sobre área e investimentos, permanecem sem resposta questões consideradas essenciais para o planejamento urbano e ambiental do município. Não há confirmação da existência de estudos técnicos que indiquem até onde o cemitério pode ser expandido sem gerar riscos estruturais ou ambientais. Também não foi esclarecido se a administração já enfrentou, recentemente, dificuldades para encontrar vagas para sepultamento, o que poderia indicar uma pressão crescente sobre a capacidade atual.

Outro ponto sensível envolve o impacto ambiental. Não há informações públicas sobre a existência de um estudo geotécnico e ambiental recente da área do cemitério, tampouco sobre possíveis riscos de contaminação do lençol freático, de nascentes ou de cursos d’água próximos. Da mesma forma, não foram detalhadas eventuais medidas de proteção ambiental, nem como seria realizado o monitoramento da qualidade do solo e da água no entorno. Também não há registros divulgados sobre histórico de problemas ambientais associados ao cemitério.

As famílias que utilizam o espaço também não tiveram suas demandas oficialmente sistematizadas. Não há levantamento público sobre os principais problemas relatados, sejam eles relacionados à infraestrutura, acessibilidade, manutenção ou organização dos lotes.

Diante desse cenário, cresce a expectativa sobre a possibilidade de um novo cemitério municipal. Até o momento, não há confirmação se existe um projeto formalizado, em que fase ele se encontra ou mesmo qual seria a localização prevista para uma nova área de sepultamento em Mandaguari. A ausência dessas informações dificulta o debate público e o planejamento antecipado para uma demanda que, inevitavelmente, tende a crescer.

O quadro atual revela que, embora o Cemitério Municipal ainda disponha de espaço, o município se aproxima de um limite físico e administrativo que exige planejamento, transparência e decisões técnicas bem fundamentadas. A divulgação de estudos, dados ambientais e projetos futuros é fundamental para garantir segurança, respeito às famílias e responsabilidade com o meio ambiente, evitando que o tema se transforme em um problema emergencial no futuro próximo.