Campanha da Fraternidade 2026 propõe reflexão e ação sobre o direito à moradia digna

Inspirada no mistério da Encarnação, iniciativa da Igreja no Brasil convida à conversão social e ao compromisso com os mais vulneráveis durante a Quaresma

A cada ano, a Igreja no Brasil se mobiliza em torno de um tema capaz de provocar conversão pessoal e compromisso social. Inserida no tempo litúrgico da Quaresma, a Campanha da Fraternidade é apresentada como um chamado à escuta da Palavra de Deus e à ação concreta diante das realidades que ferem a dignidade humana.

Em 2026, a Campanha traz como tema “Fraternidade e Moradia” e como lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), inspirando-se no mistério da Encarnação para lançar luz sobre a situação da moradia no Brasil. Ao assumir a condição humana, Deus se faz próximo, revelando que a fé cristã não se distancia da realidade social, mas a atravessa e a transforma.

A falta de moradia digna é apresentada não apenas como uma carência material, mas como expressão concreta de exclusão social. O Texto-Base da Campanha ressalta que a ausência de um teto adequado nega direitos fundamentais e compromete a dignidade de filhos e filhas de Deus. Nesse sentido, recorda a reflexão de São João Paulo II, que classificou a crise habitacional como uma das questões sociais mais graves da atualidade, por concentrar deficiências econômicas, culturais e humanas profundas.

Estruturado a partir do método Ver, Julgar (Iluminar) e Agir, consagrado na tradição pastoral da Igreja, o Texto-Base propõe um percurso de reflexão, oração e mobilização. No primeiro momento, o olhar se volta para a realidade concreta da moradia no país, suas causas e consequências sociais. Em seguida, a Palavra de Deus, a Tradição da Igreja e o Magistério oferecem critérios para o discernimento cristão. Por fim, o texto convoca à ação, estimulando iniciativas que promovam justiça habitacional e o direito à moradia digna.

A Campanha reforça que a moradia é um direito humano fundamental, mas destaca que a verdadeira mobilização nasce da fraternidade. Reconhecer no outro um irmão ou uma irmã é o que transforma a pergunta por um teto em compromisso concreto. A proposta é fortalecer laços de solidariedade com aqueles que vivem à margem da cidade, sem casa, sem terra e, muitas vezes, sem voz.

Em um contexto de desafios sociais crescentes, a Igreja reafirma sua vocação de ser pobre com os pobres, mantendo o olhar fixo no Evangelho, mas com os pés firmes na história. A conversão quaresmal, conforme ensina o Concílio Vaticano II, não se limita à dimensão individual, mas se estende à vida comunitária e social.