Novo modelo de pedágio eletrônico preocupa moradores de Mandaguari e Marialva
A concessionária EPR, vencedora do leilão do Lote 4 das rodovias do Paraná, iniciou a instalação das estruturas que irão viabilizar a cobrança de pedágio nos trechos sob sua concessão, incluindo Mandaguari. A nova praça prevista para o município vai operar por meio do sistema eletrônico conhecido como free flow (fluxo livre), modelo que dispensa cancelas e permite a cobrança automática sem necessidade de parada dos veículos.
O sistema free flow utiliza pórticos equipados com câmeras e sensores capazes de identificar a placa do veículo, a data, o horário da passagem e suas características. A tecnologia já vem sendo adotada em outras concessões rodoviárias do Paraná e tem como principais vantagens a maior fluidez do tráfego, redução do tempo de viagem e menor impacto ambiental, já que exige menos área física do que as praças convencionais. Estudos de viabilidade técnica desse modelo já foram aprovados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
No modelo eletrônico, motoristas que utilizam TAG têm a cobrança realizada automaticamente, com desconto de 5% sobre a tarifa básica. Usuários sem o dispositivo poderão efetuar o pagamento em até 30 dias após a passagem, por meio de aplicativo ou plataforma digital, utilizando a placa do veículo, com opções de pagamento via PIX ou cartão. Também está prevista uma fase inicial de operação assistida, sem cobrança, para adaptação dos usuários, além de sinalização específica informando o funcionamento do sistema e os valores das tarifas.
A EPR confirmou que as antigas cabines de pedágio do Lote 4 não voltarão a operar no modelo tradicional. As praças de Jataizinho, Arapongas, Mandaguari e Presidente Castelo Branco serão adaptadas exclusivamente ao sistema free flow. Parte das estruturas existentes será mantida, mas adequada ao novo formato. Entre Mandaguari e Marialva, os pórticos já estão em fase de instalação, marcando o avanço da implantação na região.
Preocupação com moradores e articulação política
A implantação do pedágio eletrônico na BR-376, especialmente após a alteração do local de instalação dos pórticos em relação à antiga praça, gerou preocupação entre moradores de áreas próximas. Diante disso, a Prefeitura de Marialva, com apoio das prefeituras de Mandaguari e Mandaguaçu, promoveu uma reunião pública para discutir os possíveis impactos aos deslocamentos diários da população, formada em grande parte por pequenos produtores rurais, comerciantes e famílias residentes em chácaras.
Durante o encontro, o procurador jurídico de Marialva, Diego Franco, esclareceu que o contrato de concessão é de responsabilidade do Governo Federal, cabendo à ANTT a definição das regras, sem possibilidade de alteração direta por parte dos municípios. Ainda assim, os prefeitos definiram uma série de encaminhamentos conjuntos para tentar minimizar os impactos, incluindo o envolvimento da bancada federal, notificações extrajudiciais à EPR e à ANTT, estudo de abertura de estradas alternativas e a criação de uma comitiva regional para tratativas em Curitiba e Brasília.
A prefeita de Marialva, Flávia Cheroni, afirmou que o município seguirá atuando na defesa dos moradores. “Vamos buscar todos os meios possíveis para ajudar os moradores, seja por meio político, jurídico ou com obras de abertura de estradas. Da maneira que está, alguns moradores terão que pagar simplesmente ao sair para comprar um pão no centro da cidade”, declarou.
Já a prefeita de Mandaguari, Ivonéia Furtado, destacou a preocupação com os produtores rurais. “Estamos aqui defendendo os produtores. Vamos trabalhar para que nenhuma família seja prejudicada. Esse sistema de desconto proposto é limitado da forma que está para aqueles que moram próximo. Vamos buscar alterações junto à ANTT”, afirmou.
Posicionamento da concessionária
Em contato com a EPR, a concessionária informou que ainda há etapas a serem cumpridas antes do início da cobrança. A assinatura do contrato está prevista para o dia 6 de fevereiro e, após isso, haverá prazos adicionais para oferta dos serviços e autorização da ANTT. Segundo a empresa, será realizada uma agenda de esclarecimentos à população, incluindo informações sobre o DUF (Desconto do Usuário Frequente), que prevê reduções significativas em relação ao contrato anterior. A EPR também destacou que motocicletas serão isentas de cobrança.
A definição oficial das tarifas e a confirmação do modelo definitivo para Mandaguari dependem do poder concedente e deverão ser divulgadas pela ANTT em momento oportuno. Enquanto isso, o avanço das instalações e as discussões regionais indicam que o tema seguirá no centro do debate nos próximos meses.
