TESTE HORIZONTAL

"Sem inspiração"

Confira o artigo escrito por André de Canini e publicado na 285ª edição do Jornal Agora
por André De Canini, especial para o Jornal Agora em 01/12/2019

Escrever é algo que me fascina, principalmente quando tenho liberdade para colocar no papel temas aleatórios, que fogem das rotinas de quem tem na produção de textos a essência da vida profissional. Embora nos últimos tempos as oportunidades e a disposição de discorrer sobre esses assuntos, digamos, banais, tenham se tornado cada vez mais raras, é sempre um prazer, diria até uma diversão, sentar em frente ao computador e materializar artigos e crônicas que elaboro mentalmente quase todos os dias, mas que quase sempre acabam se perdendo justamente por ficarem restritos ao meu universo cerebral.

Escrevo isso para relatar uma situação totalmente atípica que estou vivendo neste momento. Diferente do que costuma acontecer, dessa vez estou absolutamente sem inspiração para dar minha contribuição à edição de fim de ano do Jornal Agora. Nem mesmo as frequentes noites de insônia, que sempre se apresentam como um prato cheio para aflorar minha criatividade, trouxeram a inspiração necessária para criar uma crônica ou artigo digno de ser apresentado aos leitores. Diante desse vácuo de ideias, me resta fazer um retrospecto do que produzi para essas publicações nos últimos anos e a partir daí tentar deixar o meu recado à vocês.

Em minha primeira participação, no ano de 2013, falei sobre a forma como nos condicionamos ao calendário e nos prendemos à determinadas datas e períodos do ano para colocarmos em prática nossas ações. Este hábito na maioria das vezes nos limita, retarda e até impede de tentarmos realizar aquilo que desejamos.

No ano seguinte me utilizei do humor para falar sobre as tradições de final de ano, as previsões óbvias que são feitas para o ano que se inicia e os fatos corriqueiros que sempre se repetem, mas costumam ser tratados como grandes novidades. Já em 2015 abordei a forma implacável com que o tempo age sobre a gente, quase sempre tornando-nos seus escravos e reféns dos relógios que ditam nosso ritmo de vida e aos poucos vão nos consumindo sem dó nem piedade.

Nas duas últimas edições o mote das minhas crônicas foi a hipocrisia, uma característica cada vez mais latente na sociedade. Na primeira abordagem destaquei a mudança de comportamento das pessoas nesta época do ano. Tomada por um sentimento de bondade extrema, otimismo e solidariedade, a sociedade torna-se benevolente, alegre a disposta a não medir consequências para manifestar o amor ao próximo e celebrar as festas de final de ano. No começo de janeiro, no entanto, tudo isso costuma ser encaixotado junto com os enfeites natalinos e só é tirado do armário novamente na segunda quinzena de novembro.

A última crônica, publicada no ano passado, conta a saga de Epaminondas, um personagem fictício que representa com perfeição o desejo, e porque não dizer a necessidade, que as pessoas têm de querer se mostrar mais íntegras do que realmente são.

Creio que se nesse momento cada um de nós fizer uma pausa e refletir um pouco sobre esses temas que acabei de relembrar e tentar extrair deles algo positivo que possa ser aplicado em nossas vidas poderemos sim ter um Feliz Natal e um Ano Novo com mais realizações.

 

André De Canini é jornalista

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