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Mandaguari discute municipalização do trânsito

Medida visa resolver problemas como vagas não regulamentadas e ruas que não comportam mão dupla
por Rogério Curiel, para o Jornal Agora em 12/06/2018

Contando com uma frota de mais de 20 mil veículos, Mandaguari tem um dos “trânsitos mais complicados da região”, segundo declaração do tenente João Marcos Dutra comandante da Policia Militar no município.

Em uma volta pela área central da cidade é bem comum presenciar as mais diversas infrações de trânsito que vão das mais corriqueiras, como a falta do uso do cinto de segurança, até carros e motocicletas trafegando pela contramão.

A responsabilidade de fiscalização do trânsito em Mandaguari é de competência da Policia Militar, que nos últimos dias começou um trabalho mais ostensivo com a realização de blitz. “Desde a minha chegada aqui nós tivemos esse caráter educativo até então. Foram seis meses orientando o pessoal, fazendo blitz educativa, distribuição de panfletos, realmente tentando conscientizar o cidadão mandaguariense”, relata Dutra, que alerta os condutores que esse período educativo acabou. “Agora estamos com a blitz repreensiva, a fiscalização aumentou e nossas blitz serão esporádicas e a qualquer momento ela pode acontecer e a fiscalização vai acontecer. Aquela pessoa que não se conscientizou nesses seis meses, se for abordada agora e tiver alguma infração vai ser multada”.

Mandaguari conta com seis tipos de vagas demarcadas de estacionamento: pontos de ônibus, motos, deficientes, idosos, farmácias e Policia Militar. A reportagem apurou que nem todas essas vagas são regulamentadas. Quanto Às vagas da PM, Dutra conta que foi um pedido feito pelos gerentes das agências bancárias, para que haja um espaço onde possa ser feito policiamento principalmente em dias de pagamento, onde há um giro muito grande de valores.

Alvo de muitas reclamações, principalmente dos gerentes das grandes lojas que ficam na Avenida Amazonas, Mandaguari hoje não conta com áreas de carga e descarga e nem horário para que elas ocorram na área central do município. Em conversa com quatro gerentes de lojas de grandes redes, todos foram unanimes ao afirmar que é de extrema urgência que isso seja implantado. As lojas recebem mercadorias pelo menos três vezes por semana, podendo chegar a quatro dependo do volume de vendas ou em grandes promoções. A estratégia é a mesma em todas as lojas, receber as mercadorias antes do comércio abrir, mas nem sempre isso é possível.

Natália Machado, gerente das Lojas Colombo, conta que o depósito central da rede fica em Curitiba, e que nem sempre o motorista consegue chegar em Mandaguari cedo. “É um trajeto demorado e muita coisa pode acontecer. Tem dias que o caminhão chega aqui de manhã e já não tem mais vaga para estacionar”. Antes a loja guardava a vaga com cones, mas a gerente relata que foi notificada pelo município “Agora quando chega a mercadoria e não tem vaga o motorista fica dando voltas até que surja espaço para o caminhão, algumas vezes somos obrigados a sair procurando os donos dos veículos e temos que contar com a boa vontade para que eles retirem o carro”.

Já Nilton Guizeline, da Romera, conta que a loja foi multada por reservar o espaço para que recebesse as mercadorias. Vindo da cidade de Arapongas, Guizeline conta que lá existem horários determinados para carga e descarga, além de vagas destinadas ao procedimento. Quanto à multa que o estabelecimento recebeu, o gerente diz estar recorrendo, pois o município não tem uma lei específica para essa situação.

O Tenente Dutra informou a reportagem que a PM passou de loja em loja conversando e informado os comerciantes quanto a essa prática de colocar cones ou até mesmo cadeira para segurar vagas. Essa conduta, além de gerar notificação ou multa por parte do município, também caracteriza infração de transito por abandono de objeto em via pública. A prefeitura foi procurada e, através da equipe que está trabalhando no novo Plano Diretor, informou que a criação da vaga de carga e descarga e a regulamentação das demais vagas está sendo devidamente discutida e incluída no projeto de Mobilidade Urbana, que deve ficar pronto e ser votado em 2019.

 

A municipalização do transito é a solução?

Recentemente, o vereador Hudson Guimarães (PPS) visitou a Secretaria de Mobilidade Urbana de Maringá, para colher informações sobre como o trânsito é conduzido naquela cidade e estudar a municipalização do trânsito em Mandaguari.  “Nosso objetivo é a implantação de um setor responsável para resolver todas as questões referentes ao trânsito na cidade, como as vagas de estacionamento, a sinalização, hoje que é bem inadequada, as vias que merecem ser de mão única, aquelas que tem capacidade de absorver a mão dupla, enfim todas as questões que envolvam o transito na cidade”, destaca Hudson, “Hoje nós temos muitas coisas irregulares ou que não resolvem o problema.

Ainda segundo o vereador, mesmo com a municipalização a prefeitura não contrataria de imediato agentes para a fiscalização. A PM continuaria responsável por fazer esse papel, e a contratação de agentes seria discutida nos meses seguintes à municipalização do trânsito.

Entre os muitos questionamentos levantados junto aos comerciantes está a implantação da rotatividade do estacionamento, principalmente em vias como a Avenida Amazonas, onde é comum a pessoa estacionar seu veículo pela manhã e só retirá-lo no fim do dia “Penso que sim, entretanto é preciso ter critério ao pensar nessa questão. Essa ideia não pode ser implementada apenas para a cobrança de mais uma taxa. É preciso trabalhar a proposta com a sociedade, ouvir sua opinião sobre o tema e entender seus anseios levando em conta as necessidades da cidade. É certo que, para muitos, a princípio, pode parecer algo desnecessário para Mandaguari, mas é preciso pensar que é uma questão importantíssima para a organização da cidade, pensando em resolver problemas que já vivenciamos e pensando no desenvolvimento da cidade. É uma questão para trabalhar a Mandaguari que queremos no futuro. Muitas cidades já adotaram a municipalização do trânsito, inclusive cidades menores que a nossa”, finaliza Hudson.


A proposta de municipalização do trânsito apresentada pelo vereador Hudson Guimarães se divide em quatro eixos fundamentais:

1) Instituição de uma autoridade de trânsito: um departamento, diretoria ou até Secretaria de Trânsito. “Não defendemos, nesse momento, a criação de uma Secretaria. Para iniciar o trabalho, uma diretoria vinculada à Secretaria de Obras e Serviços Públicos é suficiente”, conta Guimarães.

2) Instituição de Legislação: para estabelecer regras que não conste na legislação federal vigente e que compete aos municípios delimitar. Nessa ação inclui-se a correção e implementação da sinalização.

3) Fiscalização

4) Educação de Trânsito. “Não adianta ter regras se elas não forem ensinadas à população; Desde as crianças até os idosos”, comenta Hudson. Por exemplo: uso da faixa de pedestres, entendimento sobre as vagas especiais, carga e descarga, etc. “Essas ações precisam ser contínuas para terem efetividade”, conclui.

 

* Matéria publicada na 283ª edição do Jornal Agora

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