TESTE HORIZONTAL

Ampliação de imóvel comercial preocupa morador

Nova estrutura traria mais problemas que benefícios ao município
por Rogério Curiel, da Redação do Jornal Agora* em 11/08/2018

Morador do Centro de Mandaguari, o senhor José Carrasco Filho, de 84 anos, encaminhou no mês de setembro uma carta à Câmara de Vereadores. Nela, o morador pede para que seja incluído no Código de Postura Municipal a proibição de demolição de residências para construção de barracões comerciais. Uma cópia também foi destinada ao prefeito Romualdo Batista e à Agora Comunicação.

O Código de Postura contém as medidas administrativa, a cargo do Município de Mandaguari, em matéria de higiene pública, bem-estar público, costumes, segurança, ordem pública, proteção e conservação do meio ambiente, numeração de edificações, funcionamento e localização dos estabelecimentos comerciais, industriais e prestadores de serviços.

Procurado pela reportagem, Carrasco, que reside em Mandaguari desde 1944 e está no mesmo endereço há 71 anos, se mostra preocupado com as medidas que pessoas e empresas vem tomando em benefício próprio, sem levar em conta o que está a sua volta.

Vizinho de um grande mercado que quer ampliar seu prédio, José Carrasco teme que isso faça de Mandaguari uma cidade que não tenha uma diretiva e que atividades comerciais de grande porte se mude para ruas destinadas apenas para residências. “Esse pedido que eu fiz tem um interesse em particular, mas vejo também como um interesse de todos os munícipes”, relatou Carrasco.

“Aqui já estamos prejudicados pela movimentação de caminhões. Muitas vezes, na rua que fica na lateral do mercado, temos que dar meia volta ou esperar as manobras feitas por grandes veículos. Com isso tem muito barulho, fumaça. Sem falar que está perto de escolas e de uma das ruas mais movimentadas da cidade. Na hora de maior movimento, que é justamente a do horário escolar, aqui é um caos”, disse o morador.

Carrasco afirma ter sido procurado por um corretor de imóveis que lhe fez uma proposta de compra de sua residência e que, ainda segundo ele, todos os seus vizinhos também foram procurados e receberam a mesma proposta. O morador conta que ficou sabendo por terceiros que o mercado pediu mais espaço para o proprietário o imóvel para ampliar suas atividades. “Com essa história de mais espaço, dizem que eles querem fechar o fundo do quarteirão e aumentar o depósito e a parte de carga e descarga. A minha preocupação é com esses caminhões manobrando em uma rua estreita que não é preparada para isso. Juntando com a movimentação escolar, caminhão entrando e saindo, o risco de acidente é muito grande”.

Carrasco conta ainda que apesar de ter sido ele a ter encaminhado a carta e de ser um dos grandes interessados para que eventual ampliação não aconteça, ele não será o único prejudicado. “Eu sou morador aqui há muito anos, como tantos outros. E de repente, por interesse de uma empresa, todos nós vamos ser incomodados”, falou.
“Eu não tenho interesse nenhum em sair daqui. Até onde for possível, eu vou trabalhar contra isso, e se o Executivo e o Legislativo não resolverem, vou tentar na Justiça até em última instância”, finaliza José Carrasco.

Em conversa com um comerciante que trabalha no local, ele informou que praticamente todos os donos de residências e estabelecimentos comercias já finalizaram acordo ou estão em fase bem adiantada de negociação com o proprietário do imóvel onde funciona o mercado. Ainda segundo ele, as obras estariam marcadas para começar entre janeiro e fevereiro de 2019.

O que diz o Executivo e o Legislativo

A reportagem do Jornal Agora procurou a Câmara de Vereadores para onde a carta inicialmente foi encaminhada. O Departamento Jurídico informou que a carta foi lida em sessão e que todos os vereadores receberam uma cópia, mas que não é de competência do Legislativo fazer alterações no Código de Postura, e sim do Executivo municipal.

Em contato com a Assessoria de Imprensa do município, a informação é a de que a reivindicação tem que entrar em discussão para integrar o Código de Postura e passar a fazer parte do novo Plano Diretor ou, quando este chegar para votação na Câmara, algum dos vereadores proponha a inclusão.

*Reportagem publicada na 279ª edição do Jornal Agora

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