TESTE HORIZONTAL

"Um genocídio de inocentes bate à nossa porta"

Confira a coluna "Fé e Razão", escrita pelo padre Edvaldo Betioli Filho e publicada na 266ª edição do Jornal Agora
por Edvaldo Betioli Filho, para o Jornal Agora* em 19/08/2018

O direito à vida é inalienável e inviolável, é o direito mais fundamental que possui o ser humano, afinal, a vida é necessária para a existência de uma pessoa. Esse direito não depende de convenções ou consensos humanos, pois será sempre a vida de um ser humano, independente do ambiente no qual se encontre, seja intra ou extrauterina, vida esta que tem início na concepção. Desta forma, o feto não é uma mera extensão do corpo da mãe, mas um ser humano que deve ter seus direitos, sobretudo o mais fundamental.

No entanto, vivendo em uma era neopagã em que a verdade é esquecida, considerada inexistente ou não importante, surgem novos barbarismos, como a luta por ponderar legítimo o derramamento de sangue inocente, fazendo do aborto um direito. Por isso que abortistas são astutos e desonestos. Se algum deles se importasse com a verdade teria que reconhecer uma de duas coisas: que é inábil para provar a inumanidade do feto e admitir que são humanos ou que o fato do feto ser humano não interfere no seu intento de assassiná-lo. No fim das contas, abortistas querem o direito de escolher quem vale ou não viver.

Os defensores desta AGENDA, que advogam novos direitos humanos que de humanos não têm nada, estão se usando de uma nova e decisiva cartada: o ativismo judicial. Depois de investir massivamente em propaganda, entrar nos programas educacionais, manipular a linguagem e dominar a mídia, agora querem instrumentalizar o judiciário em um forte ativismo para impor, contra a vontade popular e seus representantes legítimos, a relativização de princípios inegociáveis.

Para entendermos melhor: ao encontrar resistência na sociedade e no Poder Legislativo, ativistas do aborto buscam despertar decisões ativistas do poder Judiciário, em especial no Supremo Tribunal Federal. Em 2012, o STF autorizou o aborto de bebês anencéfalos, escancarando assim as portas à descriminalização cada vez mais ampla do aborto, o que era a intenção de muitos. Tal fato se deu através da ADPF 54 (arguição de descumprimento de preceito fundamental) cuja entidade autora possuía como advogado o hoje ministro Luís Roberto Barroso.

Agora, o PSOL ajuizou a ADPF 442, com a finalidade de conseguir ampla descriminalização do aborto, para que o STF deixe de contar como crime o que está prescrito nos artigos 124 e 126 do Código Penal. Caindo a criminalização, seria lícita a interrupção da gravidez, induzida e voluntária, nas primeiras doze semanas. Ou seja, aborto livre nos 3 primeiros meses de gestação.

O poder constituinte de 1988 passou a disciplina da repressão ao Código Penal e quem deve modificar o CP é o parlamento. O Legislativo brasileiro sempre recusou o aborto, em sintonia com os valores do povo e sustentam a civilização. Ao verem o judiciário como via possível, os entusiastas da agenda abortista recorrem ao ativismo judicial e questões importantes que não passam pelos representantes do povo encontram abrigo jurídico na caneta de um juiz ativista.

É lamentável tal problema: a regra elementar da partição de poderes não está sendo respeitada, configurando grande golpe à democracia. Contudo, esperar respeito à democracia dos que não respeitam a vida é um esforço hercúleo. Ora, o itinerário da agenda abortista é perfeitamente totalitário, como lembrava Olavo de Carvalho: primeiro o aborto é autorizado, depois recomendado, por fim imposto obrigatoriamente; o que parece direito é uma imposição que não tolera objeção.

A ADPF 442 é uma ameaça à vida humana e sua dignidade, de dimensões catastróficas. Descruzemos os braços, estejamos atentos e manifestemos nossa contrariedade à usurpação de poder, juízes militantes, abortistas totalitários, inspirações eugênicas, mas sobretudo contra a legalização de um genocídio de inocentes.

*Edvaldo Betioli Filho é padre palotino em São Paulo (SP)

TESTE VERTICAL
www.portalagora.com Fone: (44) 3133-4000 Rua Renê Táccola, 190 - Centro - Mandaguari - PR