TESTE HORIZONTAL

"Filho não, filhos!"

Leia o artigo escrito por Fernando Lopes, para a 249ª edição do Jornal Agora
por Fernando Lopes, para o Jornal Agora em 14/04/2018

Primeiro começarei contando o que é ter um irmão; é poder ter alguém para chorar desesperadamente em uma sala de espera enquanto te levam para fazer uma simples cirurgia de adenoide, ou então quando depois de velho te levar pra fazer mais uma cirurgia no nariz e ficar te colocando medo porque o anestesista custou apenas 130 reais. É ter alguém para te pendurar a uns quatro metros de altura aos dois anos de idade em um galho de uma mangueira dentro de um caixote mal amarrado com cordas podres e ser deixado ali até que a arte dê errado e você quase caia, comece a chorar e um adulto responsável (mãe, pai) vá te socorrer.

Por esses e outros motivos digo: Se for pra ter filho, tenha filhos! Dois, três e quem sabe quatro e cinco.

Filho custa caro porque foi gourmetizado. Usei fralda de pano, dividi roupas, cuecas, quarto, brinquedos, experiências, amigos, brigas, bolos de aniversário, sonhos (esses ainda dividimos), nosso tempo de vida, de brincar, de criar e de destruir também, dividimos as dificuldades, o sofrimento e aprendemos a dividir com isso.

Filho dá trabalho, filhos não dão! Gastam a energia um do outro, criam uma sintonia bonita, aprendem a ser família. 

Precisa e muito de um caminho uma boa educação, mas quando crescem unidos provavelmente morrerão unidos, e não há pessoas ou bem material que os acabe separando.

Você gente moderna que quer ter filho, não cometa o pecado de ter um só, não cometa o pecado de achar que seu cachorro, gato, peixe, tartaruga é um irmão, pois não é! Não existe "filho de quatro patas". Seu animal não dividirá sonhos, não dará força, não o buscará em maus lençóis na saída da escola. Seu animal não faz esse papel. Não cometa o pecado de não o proporcionar ser tio, ser irmão, de ter almoços em família quando vocês já não mais estiverem. Não cometa o erro de não proporcionar ao seu filho aquilo que você teve ou que se não teve, provavelmente buscou fora de casa, alguém que mesmo sem o mesmo sangue, muitas vezes fez esse papel. Mas ainda assim não é igual.

Filho único tem mais dificuldade de relacionamento, se tornam mais egoístas, e isso é um reflexo do seu egoísmo em querer um só.

E talvez da vida a coisa mais bonita seja poder gerar mais vida, e porque não repetir a dose?

Em tempos onde a violência, as drogas, a sexualização cada vez mais próximas das crianças e adolescentes através da Internet, televisão, música pop e a banalização da família e do próprio ato de gerar vidas em nosso país se torna cada vez mais degradante, parece até heresia de minha parte pedir mais filhos, porém eu ainda acredito que uma boa leva de filhos bem-educados e de boa índole, fazem mais um pelo outro e pelo mundo a sua volta que qualquer outro ser.

*Texto tirado de um diálogo acontecido numa caminhada despretensiosa com meu primo/irmão Felipe Crepaldi. E totalmente baseado em fatos empíricos da vida!


Fernando Lopes escreve para o www.culturainadequada.blogspot.com e integra o programa “Arroz Doce com Quiabo”, que vai ao ar aos sábados, das 11h às 13h, na Agora FM (91,3).

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