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“Todos os meus esforços são para manter a escola aberta”

Diretor Alessandro Garbelim comenta as dificuldades enfrentadas e as perspectivas de o município se desenvolver sentido a Bom Sucesso, o que aumentaria a demanda de alunos na instituição; ele discorre ainda sobre polêmica envolvendo UFPR
por Redação do Jornal Agora em 19/05/2017

Em funcionamento em Jandaia do Sul desde 1975, o Colégio Estadual Unidade Polo completa 42 anos de atividades em 2017, tendo passado por algumas transformações durante esse período, inclusive no nome, que na época era “Carlos Gomes”. O atual diretor da instituição, o professor Alessandro Cristiano Garbelim, 43 anos, ressalta que as unidades polos foram criadas pelo governo com a finalidade de serem escolas técnicas, e que todo município deveria ter.

“Professores mais antigos contam, que, no início, houve a necessidade de pedir para o governador, em Curitiba, para que a direção do Polo pudesse ir às escolas que já existiam, Rui Barbosa e Estadual, e pegar dez alunos de cada turma para estudar na nova escola. Havia uma estrutura linda, mas não havia estudantes. E que instalada na saída para Bom Sucesso, o público atendido passou a ser, em sua maioria, moradores da Zona Rural, como do Guadalajara, Santo Antônio do Humaitá e São Pedro do Guaporé”, diz Garbelim.

Chilenea Gomes de Oliveira, secretária da escola desde 1976, descreve a estrutura que o Polo tinha nessa época. “Nós temos três blocos hoje, que é onde funcionavam os cursos de Técnico Industrial, que contava com uma oficina de marcenaria; de Educação para o Lar, que contava com uma cozinha industrial; e de Técnico Agrícola, que contava com uma estufa”, recorda-se. “Era algo muito interessante, os alunos saíam da escola com uma profissão e alguns deles até mesmo empregados. O que eles produziam era comercializado”, complementa. Ainda de acordo com a secretária, a escola chegou a ter dentista próprio para o atendimento das crianças e adolescentes, e cerca de 1.200 alunos.

 

Salas cheias

Com capacidade para atender cerca de 500 alunos em cada turno, Garbelim e Chilenea destacam que a Unidade Polo foi a primeira escola do município a ofertar o supletivo de primeiro grau (em 1986) e de segundo grau (em 1992) – atualmente denominado Ceebja (Centro de Educação Básica para Jovens e Adultos). “Além de ser a única em Jandaia a ofertar essa modalidade, era a única da região e, com isso, chegamos a ter 1.200 alunos matriculados. Vinham ônibus de todo o Vale do Ivaí trazer pessoas para estudar aqui, o período noturno era bastante movimentado”, comenta o diretor.

 

Queda no número de alunos

A redução no número de alunos do Colégio Polo, de acordo com Garbelim, atualmente com 200 matriculados, começou com o êxodo rural. “Quando as pessoas passaram a trocar a Zona Rural pela Urbana, abriu-se um leque maior de opções, e jovem gosta de estudar em escola do centro, sem contar que muitas vezes é mais cômodo, por estar mais próximo de onde moram”, explica.

Outro ponto, segundo o diretor, foi que a cidade começou a se desenvolver na região oposta ao Polo, na saída para Apucarana, e o antigo supletivo – agora Ceebja – passou a funcionar em sede própria. “Houve ainda o fato de os pais terem reduzido o número de filhos, de o Rui Barbosa ter sido autorizado a ofertar ensino médio em 2009 e até de ter sido aberto um colégio particular próximo, o que acaba tirando alunos também. No Rui Barbosa havia dois nonos anos, assim que os alunos se formavam e iam para o ensino médio, alguns escolhiam estudar no Estadual e outros no Polo, então houve essa queda.”

Por fim, o diretor cita a Escola Municipal Manoel Bandeira, que foi extinta para dar origem à Escola César Lattes, no Bairro Ampac. “Essa escola funcionava no Polo, e os alunos que se formavam nela acabavam ficando no Polo, automaticamente. Agora que estão no César Lattes, o Polo não é a escola mais perto deles.”

 

Queda de recursos

Tendo em vista que cada escola recebe do Governo do Estado recursos por aluno matriculado – cerca de R$ 3,52/mês por aluno –, com a diminuição no número de estudantes, o Polo viu esse valor cair drasticamente no decorrer dos anos. “Hoje recebo, em média, R$ 714 por mês para manter tudo funcionando. Se levarmos em conta que duas caixas de papel sulfite usadas para imprimir as provas esta semana custam R$ 200, dá para ter ideia das dificuldades que passamos. Não falta nada, mas é tudo na quantidade exata que precisamos e com economia, como materiais de limpeza, tinta para computador.”

Garbelim explica que a cada aluno que é transferido para outra escola, o recurso diminui. “Contudo, os custos de manutenção da escola permanecem. São quase 18.000 m² de área, 16 salas de aula, banheiros que são lavados três vezes ao dia. Existe um malabarismo para fechar as contas, o que só é possível devido às promoções que nós fazemos e aos recursos do Governo Federal, que são gerenciados pela APMF [Associação dos Pais, Mestres e Funcionários].”

Dos recursos do Governo Federal, o diretor cita os R$ 10 mil utilizados na construção de uma cisterna este ano. “É do programa ‘Escola Sustentável’, para não termos mais de usar água potável para lavar calçadas e banheiros. Foi ótimo, significou uma economia de 20% na conta da Sanepar.” Ele cita ainda o “Escola Acessível”, em que foram investidos R$ 10 mil para a construção de rampas; “Dinheiro Direto na Escola”, que são R$ 2.890 mil para compras pedagógicas e de recursos tecnológicos; “Ensino Médio Inovador”, com R$ 3,2 mil para compra de livros; e o programa “Novo Mais Educação”, que serão R$ 7,2 mil este ano para aplicar nos cursos de contraturno, como canto/coral, violão, futsal, tênis de mesa e o aperfeiçoamento pedagógico em Língua Portuguesa e Matemática.

“No caso do ‘Novo Mais Educação’, em 2011 o recurso era de R$ 80 mil por ano e atendia 90 alunos; agora, R$ 7,2 mil, limitando-se a 30 alunos, ou seja, houve um corte grande do Governo Federal nesse sentido. Por meio dele, já ofertamos aulas de taekwondo, em que tivemos campeões estaduais nos Jogos Escolares, e atletismo.”

 

Ações

Desde 2009 à frente do Colégio Estadual Unidade Polo, Alessandro Garbelim ressalta que apesar da redução no número de alunos, houve nesse meio tempo uma grande evolução nas questões pedagógicas. “Nós temos aqui os melhores professores da cidade, que lecionam do sexto ao nono ano do ensino fundamental e para o ensino médio. Unindo nossa equipe, conseguimos fazer com que as pessoas entendessem que aqui é uma instituição de ensino e de qualidade, onde é preciso cumprir regras, em que é preciso vir para estudar, buscar algo maior. Conseguimos em 2015 melhorar nosso índice no Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica]. Conseguimos fazer aumentar o número dos alunos que vão para o ensino superior, o que sempre foi um desafio. Temos alunos na UFPR [Universidade Federal do Paraná], na UEM [Universidade Estadual de Maringá], na UEL [Universidade Estadual de Londrina]. Conseguimos fazer com os pais estejam mais presentes, por meio de reuniões e, futuramente, da Escola dos Pais, em que eles não vão vir só para ver as notas dos filhos, mas para participar de cursos”, planeja Garbelim.

 

UFPR

Com a dificuldade que a UFPR está em manter o pagamento do aluguel para a Fafijan (Faculdade de Jandaia do Sul), Alessandro conta que no fim do ano passado foi levantada a hipótese de redistribuir os alunos do Colégio Polo para o Rui Barbosa e Estadual, para ceder o prédio para a universidade. “O que nos causou grande agonia. Um governo que deveria estar mais atento às dificuldades enfrentadas na educação básica, nos pareceu não ter essa preocupação. Sem contar que o Polo tem toda uma história que precisa ser respeitada, e não é só o Alessandro que perde com isso, toda essa região do município ficaria sem uma escola. É óbvio que ninguém quer perder uma universidade federal, mas jogar na conta do colégio a possível ida da UFPR para esse ou aquele lugar ficou ruim.”

Depois, o diretor explica que foi solicitado um levantamento de quantas salas ociosas a instituição possui e para definir se era possível destinar um bloco para o uso da Federal. “Fizemos exatamente o que foi pedido, nossos alunos estão todos em um mesmo bloco, sendo que o administrativo seria dividido. Foi tudo documentado, enviado para Curitiba, com o aval do Núcleo de Educação. E aí caberia à universidade a decisão de vir ou não. Até agora nada. Começaram a alegar espaço insuficiente. No total iam ficar oito salas de aula para eles, mas vieram algumas pessoas e acharam pequenas. Enfim, essa foi a nossa resposta à comunidade de que nós queríamos, sim, viver em dualidade com a Federal, sem que ela precisasse deixar Jandaia.”

Para Garbelim, fechar escola – o que chegou a ser intencionado, a princípio – é não pensar no desenvolvimento do município. “Porque se o campus da UFPR vai ser mesmo construído a menos de um quilômetro daqui, por que fechar para sempre essa escola, uma vez que a tendência é o município crescer para cá, e abrigar algo temporário? Será esse o caminho?”, questiona.

 

Expectativas

Alessandro comenta que o mandato dele como diretor vai até 2019. “Até lá, todos os meus esforços são para manter o Colégio Estadual Unidade Polo aberto. Quem vem até aqui e conhece o nosso espaço, amplo, arborizado, bastante organizado, se encanta. Então devemos retomar projetos como a Mostra Cultural e a Mostra de Profissões. Também para este ano, devemos resgatar a Festa da Cana, que o Polo tradicionalmente realizava na Praça do Café. Queremos caminhar mais próximos da comunidade”, salienta.

“A minha marca é que eu sou um sonhador. Vejo que essa turbulência, essa fase ruim pela qual a escola está passando será superada e que o número de alunos vai aumentar a partir do momento em que as pessoas passarem a olhar para esse lado do município e para a qualidade do ensino que há mais de 40 anos temos ofertado. Nossa missão permanece: transformar o aluno em um cidadão crítico, pensante e vitorioso. Estamos de portas abertas para receber quem quiser vir conhecer a nossa estrutura e os nossos profissionais”, convida Garbelim.

 

*Reportagem publicada na 208ª edição do Jornal Agora.

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